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A improvável ascensão dos Trump e Kushner na nova oligarquia

David Kocieniewski

(Bloomberg) -- Os americanos sempre estiveram em conflito sobre dinastias políticas.

Os Estados Unidos nasceram como uma rebelião contra a monarquia e desenvolveram uma mitologia vibrante de individualismo e sucesso por mérito. No entanto, os eleitores geralmente entregam o poder a líderes famosos por sua linhagem e patrimônio familiar - dos Adams e Kennedy aos Rockefeller, Daley e Bush.

A ascensão do presidente Donald Trump colocou dois sobrenomes improváveis nesse reino rarefeito, o dele e o de Jared Kushner, genro e assessor sênior da Casa Branca. Em “American Oligarchs”, a repórter de rádio Andrea Bernstein traça a história dos Trump e dos Kushner, tentando explicar como os filhos de duas famílias imigrantes se uniram para alcançar o auge do poder, apesar de seu passado conturbado.

Tanta coisa foi escrita (e tuitada) sobre Trump desde que ele assumiu o poder que a abordagem irreverente de seu governo às normas éticas é agora amplamente conhecida. Ao basear “American Oligarchs” nas narrativas das famílias Kushner e Trump, Bernstein oferece aos leitores uma nova perspectiva sobre como essa atitude evoluiu - e suas implicações para a democracia americana. Os Trump e os Kushner podem ter se aproveitado do sistema, argumenta Bernstein, mas foram a sociedade americana e seus líderes políticos que não conseguiram defendê-lo.

Para os que passaram anos acompanhando e cobrindo as intrigas dos Kushner e Trump, o livro lembra que um conjunto relativamente recente de mudanças em políticas federais permitiu a ascensão dessas famílias: cortes repetidos de impostos para os ricos, especialmente no setor imobiliário; atraso da reforma financeira de campanhas; e a descriminalização de fato de muitos crimes de colarinho branco. Os leitores que acompanham as notícias de maneira mais casual também verão os contos épicos de família como uma maneira convincente de entender os inúmeras negócios e ambições que definem as famílias Kushner e Trump.

Apesar dos antecedentes contrastantes das duas famílias - o avô de Trump veio da Alemanha na década de 1880 porque se sentiu restringido por suas leis de herança, enquanto os avós de Kushner lideraram uma ousada fuga dos nazistas na Bielorrússia durante o Holocausto -, ambos prosperaram no setor imobiliário da região metropolitana de Nova York. Em parte, com subsídios federais à habitação. Também aprenderam as regras não escritas do jogo político americano, numa época em que a flexibilização das leis de financiamento de campanhas tornava mais fácil comprar influência com muito dinheiro.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: David Kocieniewski em Nova York, dkocieniewsk@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Justin Ocean, jocean1@bloomberg.net, James Tarmy

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