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Importação de trigo pelo Brasil deve cair mais de 50% no mês com greve argentina

Roberto Samora e Nayara Figueiredo
·3 minuto de leitura
Navios na região de Santa Fe, na Argentina, durante greve de trabalhadores portuários

Por Roberto Samora e Nayara Figueiredo

SÃO PAULO (Reuters) - A importação de trigo pelo Brasil deverá despencar mais de 50% em dezembro ante o volume adquirido no mesmo mês de 2019, pressionada por uma greve de trabalhadores portuários na Argentina que afeta o escoamento do principal fornecedor do cereal aos moinhos brasileiros.

Até a quarta semana deste mês, as importações de trigo e centeio pelo Brasil haviam atingido cerca de 237 mil toneladas, ante 650 mil toneladas em dezembro completo de 2019, conforme dados parciais dos desembarques divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Economia.

Dos dois produtos, quase a totalidade geralmente se refere a trigo. Caso a média de desembarques se mantenha em 13,16 mil toneladas ao dia, o Brasil não chegará a 300 mil toneladas adquiridas no acumulado do mês, considerando que há somente mais quatro dias úteis para entradas da commodity.

Uma greve de trabalhadores nos portos atrasou o carregamento de diversos tipos de grãos em mais de 140 navios na Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, disse nesta segunda-feira a câmara das empresas agroexportadoras CIARA-CEC.

"Com a greve, é claro que não está havendo embarque de trigo argentino para o Brasil. Os desembarques se reduziram. Continuamos preocupados com a continuação da greve", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.

Caso a paralisação não termine no curto prazo, alguns moinhos das regiões Sul e centro-sul terão dificuldades para a produção de farinha, alertou o executivo.

Segundo Barbosa, a entidade estima que existem cerca de dez navios aguardando o fim da greve na Argentina para carregar trigo comprado pelo Brasil.

Uma fonte com conhecimento sobre o assunto, que falou na condição de anonimato, disse que os navios aguardando poderiam ter trazido ao Brasil aproximadamente 400 mil toneladas de trigo, não fosse a greve iniciada no último dia 9.

Após carregado na Argentina, um navio leva quatro dias para chegar ao Brasil.

A paralisação coincidiu com a época de colheita da safra de trigo no país vizinho, momento em que tradicionalmente começa a crescer de maneira mais significativa a entrada do cereal argentino no Brasil, destacou o analista da consultoria Safras & Mercado Jonathan Staudt.

"Essa greve tem afetado o fluxo natural das importações", disse o especialista.

Na última semana, representantes do mercado brasileiro de trigo já haviam ressaltado à Reuters que o prolongamento dos protestos não só preocupa os moinhos como pode resultar em aumentos de preço para a commodity.

SOJA E ARROZ

Após exportações excepcionais ao longo de 2020, em período marcado também por aumento da demanda interna, as importações de soja e arroz pelo Brasil dispararam em dezembro para atender a demanda local.

Dados do Ministério da Economia mostram que, até a quarta semana deste mês, as aquisições da oleaginosa chegaram a 66,76 mil toneladas, ante 13 mil toneladas importadas no mês completo de dezembro de 2019. A média diária de desembarques subiu quase 500%.

Com estoques finais projetados em 2020 em mínima de 219 mil toneladas, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estima que as importações de soja deverão fechar o ano com 1 milhão de toneladas, enquanto em 2021 continuarão em patamares historicamente elevados, de 800 mil toneladas.

No caso do arroz, as compras do produto com casca já bateram 83,8 mil toneladas em 18 dias úteis deste mês, versus 11 mil toneladas em dezembro do ano passado. A média diária de desembarques disparou quase 800%, conforme dados do governo federal.

As importações do arroz sem casca mais que dobraram para 78,4 mil toneladas até a quarta semana do mês, ante 38,6 mil toneladas adquiridas em dezembro de 2019.

Em meio a recordes de preços internos do arroz, em setembro, o Ministério da Economia zerou a Tarifa Externa Comum (TEC) para uma cota de 400 mil toneladas até 31 de dezembro, beneficiando fornecedores de fora do Mercosul.