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Impacto do vírus sobre siderurgia da China está longe do fim

Krystal Chia e Annie Lee

(Bloomberg) -- O impacto do surto de coronavírus sobre o gigante setor siderúrgico da China está longe do fim, segundo um analista sênior da indústria, que espera mais quedas de preços no curto prazo, acumulação de estoques e demanda mais fraca antes de uma recuperação, que só deve começar depois de vários meses.

“O pico das principais pressões ainda está por vir”, disse Wang Jianhua, analista-chefe de aço do Mysteel Research Institute, em entrevista. “Embora a China come a voltar ao trabalho, o aumento da demanda por aço e a atividade são muito limitadas, e pode levar de uma a duas semanas para o processo de recuperação começar.”

A maior indústria siderúrgica do mundo foi afetada pela crise, marcada pelo feriado estendido, transporte bloqueado e políticas de quarentena que ameaçam a demanda. O presidente chinês Xi Jinping prometeu que a China alcançará as metas econômicas e vencerá a batalha contra a epidemia; mas há vários sinais de que as usinas estão em dificuldade. O ritmo da construção - uma das principais fontes de demanda por aço - diminuiu, segundo Wang, que tem mais de 15 anos de experiência no setor siderúrgico.

“A demanda por aço na construção está literalmente quase parada”, disse Wang. Depois que a China estendeu o intervalo do Ano Novo Lunar e com a necessidade de colocar alguns trabalhadores em quarentena, o consumo deve ser afetado por um período considerável de tempo, avalia.

O Mysteel Research Institute faz parte do Mysteel.com, uma consultoria de inteligência de mercado da indústria de metais e mineração. O grupo - que oferece cotações diárias além de notícias do setor - possui mais de 3 mil coletores de dados e notícias em toda a China.

Preços mais baixos

Os preços do aço estão em baixa, e grupos de usinas como a China Iron & Steel Association alertaram sobre os problemas de transporte e demanda mais fraca. O preço à vista da barra de reforço - um produto de referência usado na construção - caiu para 3.832 yuans (US$ 550) por tonelada na quarta-feira, o menor nível desde maio de 2017.

A crise na China alimentou expectativas de que o governo central adotará mais medidas de estímulo para ajudar a maior economia da Ásia a enfrentar a tempestade. Isso poderia ajudar o aço. No ano passado, as usinas do país produziram mais de 50% da oferta mundial da liga.

Nem todo mundo está convencido de que as perspectivas são tão desafiadoras. O pior já teria passado, pois a China instou algumas regiões a acelerar o reinício das atividades, de acordo com Wu Wenzhang, fundador e presidente da Shanghai SteelHome E-Commerce, uma consultoria com cerca de 250 mil membros registrados.

“O pico já foi atingido”, disse Wu em entrevista, destacando o declínio do número diário de novos casos do vírus. Ele até projeta escassez de minério de ferro quando as usinas reiniciarem totalmente a produção.

As usinas da China são os maiores importadores de minério de ferro, e compram a maioria do volume de mineradoras como Vale, BHP, Rio Tinto e Fortescue Metals.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Krystal Chia Singapore, kchia48@bloomberg.net;Annie Lee Hong Kong, olee42@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Phoebe Sedgman, psedgman2@bloomberg.net, Jake Lloyd-Smith, Alpana Sarma

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