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Impacto da covid-19 gera esperanças de um turismo mais responsável

Léa DAUPLE, con las oficinas de la AFP en el mundo
·2 minuto de leitura
(Arquivo) Turista posa para foto em Machu Picchu, Peru, em dezembro de 2020

Em vários países, a paralisação forçada do turismo de massas causado pela pandemia de covid-19 provocou um debate sobre o impacto negativo desse modelo, mas a renda e os empregos que gera dificultam qualquer mudança.

Nos locais turísticos, hoje abandonados, a natureza tomou conta do terreno. Em Machu Picchu (Peru), o urso-de-óculos foi visto novamente, depois de muito tempo. Na Tailândia, onde o número de turistas estrangeiros caiu mais de 83% no ano passado, são observados cada vez mais animais marinhos como os dugongos, as ameaçadas tartarugas, ou os tubarões-baleia.

Para facilitar a regeneração da fauna e da flora, o governo tailandês decidiu fechar, cerca de três meses ao ano, mais de 150 parques nacionais e limitar seu acesso.

"Agora, queremos um turismo de qualidade, não queremos uma chegada em massa de turistas aos nossos parques nacionais", declarou à AFP Varawut Silpa-archa, ministro do Meio Ambiente.

Para compensar essa perda de fluxo, os preços podem aumentar. É "o preço a pagar" para proteger a natureza, considerou.

- "Choque externo" -

Também no Peru, o acesso a Machu Picchu foi restrito, e as autoridades estão estudando como implantar um tipo de turismo menos massivo e mais seletivo.

Segundo Darwin Baca, prefeito do Machu Picchu Pueblo, há outras ofertas em desenvolvimento, como visitas guiadas aos espaços naturais, ou cachoeiras, para estimular os turistas a prolongarem sua estada, enquanto aguardam para acessar o local inca, que todo ano gera 5,5 bilhões de dólares ao país, de acordo com estimativas oficiais.

A pandemia poderia representar "uma oportunidade de avançar para um turismo mais responsável" a longo prazo, apontou Damien Chaney, professor de Marketing na EM Normandie. "Para que surjam soluções radicais, geralmente é preciso choque externo, como a covid-19", explicou.

Além disso, a interrupção do turismo evidenciou o quão dependentes algumas economias são do mesmo.

Na Tunísia, o turismo é responsável por até 14% do PIB. A ilha de Djerba, um destino muito popular, registrou 80% menos visitantes no ano passado, uma verdadeira catástrofe para o emprego. "Todos os parâmetros estão no vermelho", lamentou o comissário regional de turismo da ilha, Hichem Mehouachi.

Em Barcelona, Espanha, em lugares como o bairro gótico, junto à emblemática rua Las Ramblas, a maioria das lojas está fechada. Seus proprietários torcem para sobreviver até o fim do mês sem turistas.

Pablo Díaz, professor de Economia especializada em turismo na Universidade Aberta da Catalunha, considera que "a covid está evidenciando que a dependência do turismo deriva em transformar algumas áreas em um deserto".

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