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Busca por imóveis maiores e preços altos: o setor imobiliários no pós-pandemia

·3 min de leitura
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Apesar de vários setores terem sido afetados pela crise do novo coronavírus, o mercado imobiliário segue com resultados positivos. O preço médio de venda cresceu 0,23% em maio e o setor está otimista com a queda de juros e controle de inflação. O que podemos esperar dos imóveis na pós-pandemia?

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Antonio Setin, sócio-fundador da Setin Incorporadora, e Álvaro Coelho da Fonseca, presidente da Coelho da Fonseca Empreendimentos Imobiliários, acreditam que os preços seguirão em alta, mas a demanda por lugares maiores vai existir. E o isolamento acelerou a digitalização de burocracias, como visitas e assinaturas de contrato.

Os empresários do ramo imobiliário foram destaque de um painel do Expert XP 2020 nesta quinta-feira (16).

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Consumidor mais exigente

A necessidade do isolamento social fez com que as pessoas passassem mais tempo do que o normal em casa e, na opinião dos especialistas, os consumidores sairão mais exigentes na compra de um imóvel no futuro.

"Com essa vivência por conta da pandemia, tenho certeza que os compradores vão exigir e perguntar sobre o projeto de acústica dos empreendimentos. Esses aspectos técnicos eram relevados para terceiro plano, mas agora serão tão importantes quanto os demais", explicou Setin.

Para Fonseca, as pessoas buscarão mais qualidade de vida, preferencialmente optando por um imóvel maior e com espaço para home office. "Vimos um aumento na procura por casas, mesmo sendo opções consideradas menos seguras em comparação aos prédios, além do aumento de procura por uma segunda residência, um espaço na praia ou no campo. Com essa tendência de não precisar mais morar próximo de onde se trabalha, essas moradias se tornam uma possibilidade”, disse.

Imóveis menores e mais caros

De acordo com o sócio-fundador da Setin Incorporadora, o preço dos imóveis tende a continuar subindo por várias razões, dentre elas o custo do solo — “às vezes é mais caro que a própria obra”—, o aumento do valor do aço, concreto e cimento.

“A tendência nas grandes capitais é encarecer o custo de terreno, fora outros desafios, como plano-diretor que impede de construir um prédio maior que 10 andares, a proibição de horário de trabalho e trânsito de caminhões, que onera o custo da obra, além da necessidade de comprar o potencial construtivo com a prefeitura. Isso tudo é repassado e o bolso do consumidor fica pequeno”, afirmou.

Com todos estes pontos, a tendência é que os apartamentos continuem menores e com o melhor aproveitamento de espaço possível. “Para compensar, os novos edifícios contam com as áreas comuns mais preparadas. Espaço para lazer, home office, receber itens de delivery na portaria, além de mais segurança como cabine blindada”, destacou Setin.

Digitalização do mercado

A tecnologia já estava sendo implementada aos poucos nos negócios imobiliários. No entanto, a pandemia fez com que esse movimento se acelerasse. “Fechamos os escritórios e começamos a trabalhar a distância com tranquilidade. Começamos a assinar os contratos digitalmente e até apresentar os imóveis à distância”, conta Fonseca.

Para ele, muitas dessas facilidades se manterão no mundo pós-pandemia, exceto a visitação online. “Se a compra for um imóvel comercial para investir, até imagino esse cenário. Mas quando é a compra de uma casa, que é uma escolha feita por toda família, independente de quem paga, acho que a visita presencial continuará tendo relevância."

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