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Imagens de radar revelam rio escondido abaixo do gelo na Antártida

Cientistas descobriram a existência de um rio correndo abaixo do gelo na Antártida. Com cerca de 460 quilômetros de extensão, um pouco mais que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro, o achado é um novo fator a se considerar nas previsões de derretimento do gelo antártico.

Rio subglacial na Antártida revelado por imagens de radar (Imagem: Reprodução/Dow et al.)
Rio subglacial na Antártida revelado por imagens de radar (Imagem: Reprodução/Dow et al.)

Foram imagens de radar associadas à modelagem do fluxo de água que revelaram o rio subglacial, maior que o Tâmisa, que corta a cidade de Londres. Embora a ideia de um rio nas profundezas da Antártida possa soar estranha, não é novidade para os cientistas que a água possa correr em estado líquido abaixo das camadas de gelo.

O fluxo d’água pode ser gerado de duas maneiras: pelo calor geotérmico, aliado ao atrito entre as camadas, derretendo o gelo profundo, ou através da infiltração de água da superfície por fendas conhecidas como crevasses.

O processo (a) é o de infiltração da água superficial pelos crevasses, mais comum na Groenlândia. O (b), derretimento por calor geotérmico, é o responsável por este rio na Antártida (Imagem: Reprodução/Dow et al.)
O processo A é o de infiltração da água superficial pelos crevasses, mais comum na Groenlândia. O B, derretimento por calor geotérmico, é o responsável por este rio na Antártida (Imagem: Reprodução/Dow et al.)

A questão que preocupa os cientistas é o quanto esse rio pode facilitar o derretimento das geleiras que o tocam, especialmente às mais próximas ao oceano. Segundo o glaciologista Martin Siegert, do Imperial College London, “a região do estudo contém gelo o bastante para aumentar o nível do oceano globalmente em 4,3 metros”.

O rio deságua no Mar de Weddell, que banha o lado leste da Península Antártica. Sua descoberta evidencia que, abaixo do continente gelado, há uma vasta rede fluvial totalmente escondida.

Os pesquisadores esperam ter melhores previsões do derretimento de gelo antártico incorporando o que é influenciado pelo fluxo d’água subglacial.

Fonte: Canaltech

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