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Ilustradora retrata em HQ a morte da avó por covid: "Essa situação não vai tirar minha avó de mim"

Taíssa Maia relatou em um HQ o processo de diagnóstico, tratamento, luto e cura do COVID-19 (Foto: Instagram)

Como você se sentiria se tivesse que passar, sozinha, pela perda da avó? Taíssa Maia é ilustradora, mora no Rio de Janeiro, e decidiu contar em uma belíssima HQ, publicada no Instagram e no Twitter como foi lidar com o luto durante o período de quarentena

Há pouco mais de um mês, ela começou a usar as suas redes sociais para contar a história de Maria José Maia, sua avó, que morreu aos 84 anos vítima do novo coronavírus. Entre acompanhar, à distância, a internação dela e do avô, Alberto Maia, cuidar dos próprios sintomas e, ainda, lidar com a perda em isolamento social, Taíssa decidiu transformar tudo em arte. 

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"Eu sou ilustradora, então, costumo fazer desenhos de coisas que são importantes para mim, como um projeto pessoal. Quando tudo isso aconteceu, eu queria, primeiro, fazer uma homenagem para minha avó. Só que eu fui falando dela e o roteiro foi crescendo. Eu vi também que não podia deixar de contar como a gente passou por essa situação e como ela não muda tudo o que vivi com a minha avó. Ela não vai tirar a minha avó de mim", explica Taíssa ao Yahoo.

Para ela, colocar uma história tão profunda e pessoal no papel foi uma forma também de oferecer consolo para outras pessoas que estavam passando por situações semelhantes ou buscando consolo por conta da situação do país e mundial. 

"O retorno das pessoas foi muito bom", explica ela. "Foi muito legal ver como dava para ajudar as pessoas com esse relato, meio que ressignificou muita coisa para mim e fez muito bem ver que a gente passou por uma situação muito ruim, mas, pelo menos, conseguiu ajudar alguém."

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Atenção aos detalhes - e aos sintomas

É isso mesmo: a família inteira de Taíssa testou positivo para coronavírus. Porém, como os avós já tinham condições de saúde que tratavam com frequência - Maria José, inclusive, contava com a presença constante de uma cuidadora -, ficar atento aos sintomas foi o que fez toda a diferença. 

Eles foram mais brandos na ilustradora: falta de paladar e cheiro, dor de cabeça e um pouco de falta de ar. Para sua mãe, a mesma coisa, mas também febre. Já os avós não perceberam que estavam apresentando sintomas, principalmente falta de ar. "Isso que foi muito importante. A gente de fora que percebeu neles, porque os sintomas eram meio confusos", conta. 

"Minha avó teve uma tosse, mas ela tinha tosse há anos, não dava para identificar isso. Ela começou a reclamar do gosto da comida, mas falava que era porque a acompanhante não estava temperando direito. O meu avô está aqui agora porque a gente conseguiu identificar os sintomas", continua. 

Importante lembrar, inclusive, que esses são alguns dos principais sintomas do coronavírus: tosse seca e febre, cansaço por todo o corpo, perda de paladar e olfato, dores de cabeça e dificuldade para respirar ou falta de ar. Se os seus sintomas forem graves, procure imediatamente ajuda médica. 

Rede de apoio e solidariedade

Não foram semanas fáceis para Taíssa. Mas o apoio dos seus seguidores na internet, dos amigos próximos e, claro, da própria família foi essencial para que ela pudesse lidar com a perda da avó, que faleceu no dia 7 de abril deste ano. 

"Uma das coisas que eu aprendi nesse processo inteiro é que eu tive que ficar muito tempo sozinha, passando por um luto, mas eu tive tanto retorno de tanta gente, tanto carinho de gente que está longe e mesmo assim se faz perto... Isso fez toda diferença para mim", diz. 

Além disso, usar do seu talento para contar a sua história mostrou que, mesmo não estando mais na casa ao lado, Maria José continua muito viva na vida de Taíssa

"A minha avó não está aqui fisicamente, mas ela está em muitas coisas e vai me acompanhar para sempre. Ela está nessa história que a gente contou, e isso é o legado que fica. Por mais que tenha sido temporária, o bem que ela fez não passou só por mim, ele passou por várias pessoas", reflete ela.

Para a ilustradora, a experiência inteira mostrou como uma rede de apoio está sempre disponível para aqueles que precisam, e compartilhar a sua vulnerabilidade, por mais que tenha gerado medo no início, foi a prova dessa teoria. 

"Dessa experiência, o que fica mesmo é como a gente tem a capacidade de dar carinho uns pros outros e como isso faz toda a diferença. Você desce nos comentários [das ilustrações] e é muito carinho o tempo inteiro. Qualquer pessoa que está passando por essa situação e que leia os comentários talvez se sinta um pouco melhor, e que tem muita gente do seu lado", continua.

Falando um pouco mais do trabalho artístico, Taíssa reflete ainda que é comum artistas se verem engessados e focados em se expressarem de uma maneira. Por isso que o retorno que teve ao contar uma história tão pessoal não só a surpreendeu como também será a base para os trabalhos futuros. 

"Esse projeto, que é super pessoal, passa por temas que não são só meus. Todo mundo viveu um pouco do que eu conto, em qualquer grau, e a grande potência dele é justamente a verdade que tem", explica. "Daqui para frente eu vou continuar seguindo nessa linha. A história mais verdadeira que você pode contar é as vivências que você tem, e isso tem capacidade de muita troca."