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IGP-M tem alta de 0,02% em novembro com queda de preços no atacado

·3 min de leitura
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 08.04.2020 Consumidora escolhe alimentos em supermercado de São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL 08.04.2020 Consumidora escolhe alimentos em supermercado de São Paulo. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PULO, SP (FOLHAPRESS) - O IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), conhecido também como a inflação dos aluguéis, subiu 0,02% em novembro, chegando a 17,89% em 12 meses, informou nesta segunda-feira (29) a FGV (Fundação Getulio Vargas).

Com o resultado deste mês, o índice soma seis meses em desaceleração, após atingir um pico em maio, quando chegou a 37,04% em 12 meses, o maior da série histórica do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV. Em outubro, o IGP-M registrou variação de 0,64% e ficou em 21,73% no período de um ano.

Em novembro, segundo a FGV, o resultado foi influenciado prinicipalmente pela queda nos preços de produtos no atacado, o que ajudou a conter o efeito da alta nos combustíveis, como diesel e gasolina.

Para quem tem o contrato de aluguel corrigido pelo IGP-M, a variação acumulada até novembro será aplicada àqueles com aniversário em dezembro. Portanto, se os proprietários decidirem aplicar integralmente o índice, um aluguel de R$ 3.000 passará a ser R$ 3.536,70 em janeiro.

Mesmo com a previsão de correção pelo índice, os donos de imóveis não são obrigados a corrigir integralmente os valores de locação.

Desde o ano passado, quando a variação do IGP-M disparou em meio à crise econômica decorrente da pandemia, administradores de imóveis relatam aumento no número de negociações entre locadores e locatórios.

A partir deste ano, a distância pelo o IGP-M e a inflação oficial (o IPCA) vem diminuindo porque, de um lado, o índice dos aluguéis vem desacelerando, ao mesmo tempo em que o indicador oficial de preços está subindo. Em 12 meses até outubro, o IPCA ficou em 10,67%.

A disparada do IGP-M ocorreu prinicipalmente por conta do aumento de preços de produtos dolarizados, como é o caso das commodities, e que acabam tendo pouca relação com o mercado imobiliário, o que levou a inúmeros questionamentos quanto à racionalidade de usar o índice para recompor os aluguéis.

O maior peso na composição do IGP-M é um índice de inflação dos produtos ao produtor, que mede a variação dos preços no atacado. Nos 12 meses até novembro, ele acumula alta de 20,51%. Esse índice, o IPA, corresponde a 60% do IGP-M.

Em novembro, o IPA ficou negativo em 0,29%, graças à queda de preços das matérias-primas brutas (-4,84%), grupo de despesas que inclui as principais commodities exportadas pelo Brasil, como é o caso de minério de ferro (queda de 15,15% em novembro) e soja em grão (-2,85%).

O IGP-M ainda tem outras duas partes. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) tem estrutura similar ao IPCA (que é calculado pelo IBGE), e o INCC (Índice Nacional de Custos da Construção).

O primeiro responde por 30% da inflação do aluguel e acumula alta de 9,73% até novembro. Já o índice da construção equivale a apenas 10% do IGP-M e está em 14,69% em 12 meses.

Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei quer substituir o IGP-M pelo IPCA. Desde o fim de outubro, o texto aguarda chamada na pauta de votações do parlamento.

Independentemente de legislação sobre o assunto, os inquilinos com contrato em andamento devem tentar negociar seus contratos. A lei do inquilinato prevê que contratos devem ter um índice de correção anual, mas não fixa qual é. Por isso, mesmo a correção pode ser negociada entre as partes.

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