IGP-10 e Focus dão viés positivo aos juros

O retorno do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) para o terreno da inflação em dezembro e a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) na segunda quadrissemana deste mês, combinados com a revisão para cima das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no boletim Focus, do Banco Central, trazem viés positivo para os juros futuros nesta segunda-feira. Por outro lado, a cautela no exterior diante do impasse para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos pesa sobre as taxas projetadas pelos contratos de depósito interfinanceiro (DIs).

Por volta das 9h40, na BM&FBovespa, o DI com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,08%, de 7,09% no ajuste da sexta-feira e o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,61%, de 7,63% na sessão anterior. O DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,44%, de 8,45% no ajuste anterior.

O IGP-10 voltou a registrar inflação em dezembro, ao subir 0,63%, após cair 0,28% em novembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado superou o teto do intervalo de estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que ia de 0,41% a 0,60%. O IGP-10 de dezembro é o primeiro indicador de inflação fechado do ano e acumulou alta de 7,42% em 2012.

A inflação medida pelo IPC-S, por sua vez, acelerou para 0,73% na segunda quadrissemana de dezembro, de 0,63% no período imediatamente anterior.

Diante dos sinais de pressão inflacionária, "a curva de juros não deve ter espaço, ao menos por ora, para registrar novas quedas", avalia Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada. Segundo o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, além da altas do IGP-10 e do IPC-S, a revisão para cima das projeções para o IPCA no boletim Focus contribui para ligeira abertura da curva a termo no início dos negócios. "Por outro lado, o cenário externo segue indefinido e isso pode limitar o avanço das taxas futuras", pondera, referindo-se às negociações para evitar o abismo fiscal nos EUA.

O mercado financeiro elevou as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 e em 2013, de acordo com o boletim Focus. Neste ano, as estimativas subiram de 5,58% para 5,60%. No próximo, de 5,40% para 5,42%. Entre as instituições financeiras do chamado Top 5 (grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções), no cenário de médio prazo, a mediana das expectativas para 2012 foi mantida em 5,59%. Para 2013, essas mesmas instituições também mantiveram a projeção para o IPCA em 5,57%.

Por outro lado, o mercado voltou a reduzir as projeções para o crescimento econômico brasileiro em 2012 e em 2013. Segundo a pesquisa Focus, a previsão de expansão do PIB caiu de 1,03% para 1,00% neste ano e de 3,50% para 3,40%. A projeção para a taxa Selic seguiu em 7,25% em janeiro e no fim de 2013.

Os mercados internacionais seguem na defensiva, apesar de um novo sinal de avanço nas negociações para evitar o abismo fiscal nos EUA. Segundo a imprensa norte-americana, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, teria indicado aceitar um aumento dos impostos sobre os norte-americanos mais ricos. Isso representa um recuo dos republicanos, que sempre mantiveram discurso contrário à elevação das tarifas aos mais ricos.

No Japão, o líder do vitorioso Partido Liberal Democrático (PLD) no domingo (16) e futuro primeiro-ministro, Shinzo Abe, sinalizou que o país pode ter uma rodada de afrouxamento monetário em breve. Hoje, ele defendeu um orçamento extra em larga escala para eliminar a deflação. O estímulo para acabar com a deflação passa pela aceleração da demanda e tende a vir com expansão monetária e incentivo fiscal.

De volta ao Brasil, na agenda da semana, o destaque é o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do quarto trimestre, que o Banco Central revela na quinta-feira (20). Também saem esta semana números sobre as transações correntes e Investimento Estrangeiro Direto (IED) (na terça-feira, 18) e a nota de Política Monetária e Operações de Crédito (quarta-feira, 19), referentes ao mês de novembro, além do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de dezembro e prévia do mesmo mês do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (quarta-feira, 19). No exterior, os EUA divulgam a segunda revisão do PIB do país do terceiro trimestre.

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