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IGBE: escolaridade de negros aumenta, mas é inferior a de brancos

Porcentagem de jovens negros nas universidades aumentou. Foto: Pixabay

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou alguns dados sobre estudo e mercado de trabalho em relação à raça nesta quarta-feira (13) e mostrou que pessoas negras (pretas e pardas) ainda vivem forte desigualdade em relação aos brancos.

Os dados fazem parte do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, que mostrou alguns dados sobre o ano de 2018. De acordo com o instituto, no ano passado, pessoas negras passaram a ser 50,3% dos estudantes de ensino superior da rede pública no Brasil. 

Porém, o grupo estava sub-representado a partir do momento que eram 55,8% da população naquele período. No ano passado, a população negra de 18 a 24 anos que cursava ensino superior era de 55,6% e aumentou em relação a três anos atrás.

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Em 2016, a porcentagem era de 50,5%. Mesmo assim, brancos ainda têm um percentual maior de jovens que estão cursando uma universidade. A desigualdade fica evidente quando observamos que 78,8% dos brancos na mesma faixa etária cursavam o ensino superior.

Em relação à taxa de conclusão do ensino médio (proporção de pessoas de 20 a 22 anos que concluíram esse nível), a população negra representava 61,8%. Já a branca, 76,8%. O estudo também mostrou que os jovens de 18 a 24 anos com ensino médio completo e que não estavam frequentando a escola por terem que trabalhar ou procurar trabalho eram 61,8% dos pretos e pardos.

Em relação ao gênero, o estudo mostrou que, embora mulheres tenham melhores indicadores educacionais que os homens de mesma cor ou raça, a taxa de conclusão do ensino médio dos homens brancos era maior do que a das mulheres negras. Homens brancos eram 72% e mulheres negras, 67,6%.

O IBGE também mostrou que entre os anos de 2016 e 2018, a taxa de analfabetismo das pessoas negras de 15 anos ou mais passou de 9,8% para 9,1%. Porém, a porcentagem ainda é bem maior que a dos brancos, que representa 3,9%.

Essa diferença também foi observada no mercado de trabalho. De acordo com o IBGE, o rendimento médio mensal de pessoas brancas ocupadas é de R$ 2.796. Esse dinheiro foi 73,9% superior ao da população preta ou parda, que tem rendimento médio de R$ 1.608. 

Em relação ao rendimento por hora trabalhada, os brancos também receberam mais durante o ano de 2018. Enquanto o rendimento médio dos ocupados brancos atingiu R$17 por hora, o dos negros foi de R$10,1.

De acordo com o instituto, brancos com nível superior completo ganhavam, por hora, 45% a mais do que negros que tinham o mesmo nível de instrução. Além disso, apenas 29,9% dos cargos de gerência eram exercidos por pessoas negras.