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iFood tem nomes de restaurantes trocados por frases pró-Bolsonaro e ataques políticos

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.07.2019 - Base do iFood na rua Cunha Gago, em São Paulo, onde os motoboys que trabalham na entrega dos pedidos do aplicativo podem descansar. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.07.2019 - Base do iFood na rua Cunha Gago, em São Paulo, onde os motoboys que trabalham na entrega dos pedidos do aplicativo podem descansar. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma prestadora de serviços do iFood, com autorização para alterar dados cadastrais de restaurantes na plataforma, mudou o nome de vários estabelecimentos na noite de terça-feira (2), causando espanto em usuários que usavam o aplicativo.

Capturas de tela divulgadas em redes sociais mostravam restaurantes cujos nomes foram trocados para "Bolsonaro 2022" e "Petista Comunista", por exemplo, sendo o ex-presidente Lula (PT) um dos principais alvos do ataque.

O problema foi confirmado pela empresa dona do aplicativo e passou a ser investigado internamente.

Os estabelecimentos também apareciam com outras frases ofensivas, como "Marielle Franco Peneira" (em referência à vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, morta a tiros em 2018). Havia também lemas usado por grupos contra vacinas ("Vacina Mata").

Os usuários do serviço de delivery chegaram a atribuir a falha a um ataque hacker, o que foi desmentido pela plataforma. A mudança nos nomes ocorreu em diferentes partes do país, como Florianópolis, Salvador, Natal, Criciúma e no ABC Paulista.

"Aproximadamente 6% dos estabelecimentos cadastrados na plataforma tiveram seus nomes alterados. A empresa tomou medidas imediatas para sanar o problema e proteger os dados de restaurantes, consumidores e entregadores", afirmou o iFood em nota na noite de terça.

O incidente foi causado por um operador de atendimento de uma prestadora de serviços que tinha permissão para ajustar informações cadastrais dos restaurantes e o fez de forma indevida. Cardápios permaneceram inalterados.

"O acesso da prestadora de serviço foi imediatamente interrompido, e os nomes dos restaurantes já estão sendo restabelecidos", diz a empresa.

Ainda segundo o iFood, os meios de pagamento não são armazenados nos bancos de dados da plataforma e ficam gravados apenas nos dispositivos dos próprios usuários, não tendo havido comprometimento de dados de cartões de crédito. "Não há qualquer indício de vazamento da base de dados pessoais cadastrados", acrescentou em nota.

Questionado, o iFood não revelou o nome da empresa e nem se o funcionário foi demitido.

A reportagem apurou que a terceirizada atua no atendimento a clientes, prestando suporte a restaurantes que entram em contato com o iFood quando enfrentam algum problema com a plataforma, por exemplo.

A ofensiva pró-Bolsonaro ocorre poucos dias após o iFood encerrar o patrocínio ao Podcast Flow, um dos mais populares do Brasil, apresentado por Bruno Aiub, conhecido como Monark.

O apresentador, que afirma ser ultrapassado se identificar com a direita ou a esquerda, é crítico a cotas raciais, defensor de armas para a população e da liberdade total de expressão, o que incluiria o que chama de opiniões politicamente incorretas.

Recentemente, questionou se ter uma opinião racista também configuraria crime. O iFood, que também patrocina podcasts como Foro de Teresina, da revista piauí, cancelou o contrato.

Em nota, a empresa diz que seu propósito é "alimentar o futuro do mundo promovendo mudanças e impactando positivamente a sociedade" e que por isso estava encerrando o patrocínio ao Flow.

"Não é mais possível ser parte de uma sociedade desigual, por isso repudiamos qualquer tipo de preconceito ou ato de discriminação."

Monark se defendeu. "Basicamente, o iFood interpretou meus tuítes aqui que defendiam liberdade de expressão como se eu tivesse defendendo racismo, me julgou e puniu ao Flow com a perda do patrocínio. Basicamente me chamando de racista para todo o Brasil" escreveu Monark em rede social na segunda (1º).

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