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Idosos são ignorados por designers de realidade aumentada e isso é um problema

·3 minuto de leitura

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Barth em parceria com designers do Instituto Designability, ambos na Inglaterra, revelou que os sistemas de realidade aumentada (RA) não são projetados para pessoas mais velhas, que não estão habituadas a lidar com dispositivos tecnológicos diariamente.

A pesquisa mostra que os fabricantes de software não levam em consideração as necessidades e preferências dos idosos na hora de desenvolver os aplicativos. Isso faz com que essas pessoas percam o interesse ou tenham um desempenho pior quando tentam interagir com ambientes parcialmente virtuais.

“Não podemos esperar que as pessoas se beneficiem da tecnologia de RA se não puderem seguir as instruções mostradas a elas. É preciso priorizar a funcionalidade do sistema antes de mais nada”, afirma o professor Christof Lutteroth, responsável pelo Departamento de Ciência da Computação da universidade.

"Mão fantasma" é mais familiar do que setas para idosos que usam RA (Imagem: Reprodução/University of Bath)
"Mão fantasma" é mais familiar do que setas para idosos que usam RA (Imagem: Reprodução/University of Bath)

Familiaridade

Durante os testes, os pesquisadores constataram que adultos com mais de 50 anos têm um desempenho melhor para realizar tarefas em RA quando as etapas são mostradas por figuras familiares, como a “mão fantasma” que é usada para indicar uma ação em vez de uma seta ou outro recurso visual.

Os participantes do estudo tinham que levantar, mover, abaixar, abrir e fechar formas 3D seguindo instruções na tela do computador que rodava o aplicativo de RA. Auxiliados pela mão fantasma, eles foram duas vezes mais rápidos para concluir todas as atividades e também se mostraram mais confiantes com o resultado.

Quando os cientistas mudaram os indicadores virtuais para uma seta, um objeto transparente e um fantasma pulsante, os participantes hesitaram antes de agir e tiveram mais dificuldade para realizar as tarefas. Isso também fez com que os voluntários tivessem menos certeza se o trabalho estava correto.

“Embora a tecnologia de RA tenha um grande potencial para melhorar a vida de adultos mais velhos, esse grupo de usuários raramente é considerado o alvo para o desenvolvimento dessa tecnologia, e isso faz com que essas pessoas sejam excluídas de todo o contexto”, completa Lutteroth.

Inclusão

Se os desenvolvedores levassem em conta as necessidades do público mais velho, os aplicativos de RA poderiam ajudar pessoas com demência e outros problemas de memória que costumam aparecer com o avanço da idade. O software poderia, por exemplo, auxiliar no preparo de uma refeição ou em tarefas mais simples, como lavar as mãos ou ir ao banheiro.

Além disso, essa ferramenta aplicada de forma correta pode ser utilizada para ajudar na detecção dos primeiros sintomas de declínio cognitivo em idosos, fornecendo pistas importantes sobre o surgimento de doenças graves que são difíceis de diagnosticar em fases precoces, como a senilidade ou Alzheimer.

RA pode ajudar idosos em tarefas do dia a dia e no tratamento de doenças (Imagem: DC_Studio/Envato)
RA pode ajudar idosos em tarefas do dia a dia e no tratamento de doenças (Imagem: DC_Studio/Envato)

“As atividades da vida diária que consideramos corriqueiras podem ser mais difíceis para pessoas com demência ou outro problema que gere um déficit de atenção. A estimulação de RA pode fazer uma grande diferença para elas, desde que seja projetada de forma adequada”, explica a pesquisadora Hazel Boyd, do Instituto Designability.

Para os pesquisadores, os designers precisam priorizar a funcionalidade da RA em vez da estética do aplicativo, fazendo com que ele se torne mais inclusivo para os usuários que não têm contato regular com esse tipo de tecnologia ou que precisem de auxílio por conta de algum tipo de deficiência.

"No futuro estaremos usando realidade aumentada para tudo, desde consertar nossas próprias máquinas de lavar até decidir se é melhor pegar o ônibus no ponto 1 ou 2 enquanto caminhamos pela rua, e isso não pode estar restrito a apenas uma parte da população”, encerra a professora Elies Dekoninck, responsável pelo Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Designability.

Fonte: Canaltech

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