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Como ajudar idosos a combaterem as fakes news

Como podemos ser ativos no combate as fakes news (Foto: Getty Images)

Por Natália Guaratto (@natyguaratto)

Se por um lado o uso de aplicativos e redes sociais encurta a distância entre os familiares e amigos e torna a vida mais leve para a terceira idade, afinal o grupo de risco segue cumprindo o isolamento social durante a pandemia de covid-19. Por outro, o ambiente digital reserva algumas armadilhas, como, por exemplo, um número cada vez mais alarmante de fake news médicas. 

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Um estudo conduzido pelas pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Claudia Galhardi e Maria Cecília de Souza Minayo, mostrou que 73,7% das notícias falsas relacionadas a informações médicas circulam pelo WhatsApp. O aplicativo de conversas é justamente o que mais cresce entre usuários com mais de 60 anos. Em parte, pela facilidade de manter a proximidade com familiares e amigos. 

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Mas se os idosos usam as redes sociais justamente para se manter próximos de quem amam, o que explica o fato de eles serem responsáveis por propagarem até sete vezes mais notícias falsas do que pessoas de outras gerações? Isso ocorre, em parte, por conta da solidão. “Se o idoso tem poder de fala dentro da família, é uma coisa, agora se ele não tem, fica mais vulnerável às fake news”, afirma André Dias Thiago da Silva, pesquisador e facilitador da Oficina de Combate às Fake News do NETI (Núcleo de Estudos da Terceira Idade) da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Entenda o papel do idoso na sua família 

Para combater a multiplicação de fake news entre a terceira idade, é preciso, em primeiro lugar, ter empatia, ou seja, compreender o papel do idoso na sua família. Boa parte dos usuários de redes sociais na faixa etária dos 60+ compartilha notícias de como uma forma de “ter assunto”. 

“Antigamente, a família se reunia no jantar e debatia ali as informações. Hoje existe pouco debate físico e muito debate virtual. E o idoso precisa se inserir nesse debate, resgatar seu papel de ansião no ambiente familiar. Então é aí que ele começa a passar correntes e multiplicar notícias que ele acredita terem a ver com as preocupações da família naquele momento”, explica o professor André. 

Saia do celular

Um segundo passo é ensinar como se faz uma busca por informações confiáveis para além do que se vê na tela do celular. Isso pode ser mais complicado, já que a maioria dos usuários idosos de redes sociais faz uso de smartphones. O problema é que esses dispositivos são feitos justamente para o compartilhamento rápido de dados.  

 “Um dos objetivos dos disseminadores de fake news é descredibilizar a mídia tradicional, ou seja, os veículos de imprensa, criando uma verdadeira guerra de narrativas”, alerta André Dias Thiago da Silva. Um sintoma disso é que nos primeiros meses da pandemia 71,4% das mensagens falsas circuladas pelo WhatsApp citavam a Fiocruz como fonte de textos sobre a Covid-19 e com medidas de proteção e combate à doença. 

Sair do celular e usar um desktop para a pesquisa é uma forma de combater a mídia alternativa fake, consultando a informação diretamente da fonte. Procure e ensine as pessoas mais velhas da sua família a sempre se informarem em sites confiáveis de instituições e órgãos sérios, como a Organização Mundial da Saúde. 

Na dúvida, não compartilhe

Uma das principais lições ensinadas na Oficina de Combate às Fake News do NETI é a diferença entre cidadania ativa e cidadania passiva. “Em um primeiro momento, o que a gente quer é que o idoso desenvolva a capacidade analítica. Quando se deparar com uma notícia que pode ser falsa, na dúvida, não compartilhe. Isso também é cidadania”, aconselha André. 

Em em um segundo momento, é preciso combater pontualmente as notícias falsas e agir quando uma fake news for postada. “Se é um assunto que está em voga, como o coronavírus, temos que pegar uma informação que desconstrói a fake news e desmentir imediatamente”, explica. Para isso, os principais portais de notícias mantém editorias de checagem, onde são conferidas centenas de notícias diariamente. Nesta lista aqui, é possível conferir 5 sites para checar se a notícia é verdadeira ou falsa.