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Apesar das dificuldades, ídolos do basquete mostram confiança no Brasil para o Pré-Olímpico

Anderson Varejão e Leandrinho em ação durante o Campeonato Mundial da China (Divulgação/Fiba)

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

Na última semana, a Fiba (Federação Internacional de Basquete) definiu por sorteio as chaves dos Pré-Olímpicos mundiais (feminino e masculino) que acontecerão no ano que vem. Destes dois eventos sairão os últimos classificados para a Olimpíada de Tóquio-2020. O basquete brasileiro, que está vivo nas duas disputas, tem suas equipes passando por momentos distintos. Enquanto o caminho parece estar mais fácil para a seleção feminina, a trajetória da equipe masculina se mostra bem menos simples.

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Com dez vagas em disputa e 16 participantes distribuídos em quatro chaves, as mulheres do Brasil precisam na prática vencer apenas uma das três partidas de seu grupo para se classificar – o torneio que será disputado em Bourges (FRA), tem França, Austrália e Porto Rico, adversário na estreia do Brasil, dia 6 de fevereiro do ano que vem.

Já entre os homens, o funil é bem mais estreito. Com 24 seleções divididas em quatro torneios, apenas os campeões de cada um deles estarão em Tóquio. Assim, o Brasil tem que vencer a competição que ocorrerá em Split (CRO) para chegar à Olimpíada.

Para isso, terá que superar Tunísia e Croácia, numa primeira fase de grupos, para depois cruzar com Alemanha, México ou Rússia na semifinal, e ainda ganhar a final. O Pré-Olímpico masculino ocorrerá entre os dias 23 e 28 de junho de 2020.

O Mundo Olímpico ouviu alguns antigos ídolos do basquete brasileiros e que passaram também pela seleção, para saber o que eles acharam do sorteio. Tantos as campeãs mundiais e medalhistas olímpicas Paula e Helen quanto o ex-armador Danilo Castro admitem as dificuldades, mas mostram confiança sobre as possibilidades de classificação das duas equipes.

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“Gostei do nosso grupo. Temos um time bem mais corajoso, um time aplicado taticamente e com condições de mudar cenários, coisa que a gente não via antes. As meninas estavam sempre muito inseguras. Então, vejo boas possibilidades à vista”, afirmou a ex-armadora Paula Gonçalves, a Magic Paula, campeã mundial de 1994 e medalha de prata na Olimpíada de Atlanta-1996. 

Segundo ela, os últimos resultados obtidos pela equipe (como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima), além do próprio desenho da competição, pelo qual somente uma única vitória assegura uma das três vagas para a Olimpíada, darão um pouco mais de tranquilidade à Seleção.

“Essa possibilidade de vencer ao menos um jogo, contra Porto Rico, faz com que o Brasil tenha grandes possibilidades de passar por este Pré-Olímpico e chegar à Olimpíada. Algo que um ano atrás, a gente tinha muitas dúvidas se isso poderia acontecer”, afirmou.

Contemporânea de Paula na seleção brasileira, a ex-armadora Helen Luz, campeã mundial de 1994 e bronze na Olimpíada de Sydney-2000, também ficou satisfeita com o sorteio, mas entende pontos que a equipe precisa tomar cuidado. “O grupo me agradou. Apesar de cair com França e Austrália, que estão em um nível acima da gente, creio que contra Porto Rico temos muitas chances de vencer, como já demonstramos isso na América Cup. O que pode atrapalhar um pouco é a ansiedade e se tivermos algum desfalque. Temos muito tempo até o Pré-Olímpico”, explicou a ex-jogadora, que atua hoje como comentarista na ESPN Brasil dos jogos da LBF (Liga de Basquete Feminino).

Para Paula, a seleção feminina precisa se inspirar nos exemplos do passado para traçar sua caminhada no qualificatório para os Jogos de Tóquio. “Dificuldades sempre irão aparecer. É importante pensar jogo a jogo, ir eliminando os obstáculos aos poucos, Senão, você começa a pensar na frente e as coisas se enroscam aqui. Nosso comportamento no Mundial de 94 e na Olimpíada-96 foi isso, de ir pensando a cada partida, de não ter que se preocupar que o jogo decisivo será o primeiro, contra Porto Rico”, explicou a ex-jogadora, uma das melhores da história da modalidade, integrante do Hall da Fama da Fiba.

Magic Paula também concorda com Helen sobre os possíveis obstáculos na caminhada. “Claro que se estrear com vitória, já seguiremos em frente, mas se isso não acontecer, ainda tem duas oportunidades pela frente. Talvez a maior dificuldade do time será fazer com que as meninas estejam todas juntas com uma certa antecedência, para que se possam preparar e treinar, e fazer alguns amistosos”, afirmou.

Se a vaga for confirmada, tanto Paula quanto Helen entendem que o Brasil não estará entre os favoritos para brigar por uma medalha. “Quando você fica muito tempo fora do cenário, é normal chegar como figurante. Há um ano, ninguém acreditaria que o Brasil teria a possibilidade de classificar para Tóquio. E pensar em brigar por medalha na Olimpíada neste momento é algo um pouco além. Temos que ir construindo nosso caminho a cada jogo antes de pensar em pódio”, ponderou Magic Paula. “Temos que dar primeiro o passo para ganhar a vaga e aí jogar de igual para igual em Tóquio, seja contra quem for”, afirmou Helen.

Erika, pivô da seleção feminina, disputa rebote diante dos Estados Unidos, pela Copa América (Divulgação/Fiba)

Dificuldades no masculino

Se a situação parece mais consolidada no feminino, o time masculino brasileiro enfrentará uma parada bem mais indigesta. Ainda assim, o quadro poderia ser mais complicado, na opinião de Danilo Castro, ex-armador que defendeu a seleção masculina nos anos 90, com passagem pelo basquete espanhol e que hoje é comentarista da Band nos jogos da temporada 2019/20 da NBA.

“É complicado dizer que caímos em um grupo menos complicado, especialmente neste nível de competição do basquete masculino. Mas não ter a Sérvia na mesma chave já ajuda bastante. Ainda assim, a concentração tem que estar no máximo, pois existem grandes atletas em todos os times e o perigo pode estar onde menos se espera”, disse Danilo, ao analisar os rivais que o Brasil irá enfrentar em Split. Mesmo assim, ele aponta Croácia e Rússia, que integra o outro grupo deste Pré-Olímpico, como os maiores obstáculos da seleção no torneio.

Embora a tarefa de conquistar a vaga olímpica seja muito difícil, o comentarista da Band não acha que o Brasil chegará no torneio em condições de inferioridade diante dos rivais. “Não vejo o Brasil como franco atirador. O Brasil chegará como uma seleção respeitada. Vamos lembrar da bela partida que fizemos contra a Grécia no último Mundial. Temos uma equipe que está indo buscar uma vaga para Tóquio, sabendo suas virtudes, respeitando a todos mas sabendo seu potencial. Deve ir confiante na busca da vaga”, afirmou.

Mas e se a classificação não vier? Segundo Danilo Castro, é fundamental que a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) já inicie imediatamente o trabalho para o próximo ciclo olímpico. “Essa hipótese [de não classificação] existe e deve ser considerada. Penso que caso não seja alcançada a vaga, que o processo de renovação na equipe deve começar. Acredito em um processo intenso, mas gradativo e tenho certeza que o Petrovic [croata que é o treinador da seleção masculina] saberá conduzir isso.

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