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Ideia que Darwin teve há 160 anos está sendo usada agora para salvar florestas

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Em 1859, o biólogo Charles Darwin observou que uma mistura diversa de plantas geralmente crescem mais saudáveis e fortes do que aquelas que crescem sozinhas. Hoje, mais de 160 anos depois, cientistas estão trabalhando para transformar a conclusão de Darwin em uma técnica padrão no cultivo de árvores, para, assim, melhorar a saúde das florestas, bem como aumentar a capacidade de armazenamento de carbono.

Por maiores que sejam os avanços tecnológicos das últimas décadas, quando o assunto é remover o dióxido de carbono atmosférico, as florestas ainda cumprem este papel como ninguém. No entanto, só depois de uma crise climática já em curso é que os legisladores e proprietários de terra começaram a adotar a ideia darwiniana proposta há tanto tempo.

A Association of Applied Biologists (AAB), iniciativa do Reino Unido que reúne cientistas e legisladores de vários lugares do mundo, discutiu como a ideia de Darwin pode ser uma nova maneira de plantar árvores capazes de absorver e armazenar mais carbono com segurança. No entanto, florestas são sistemas complexos e, portanto, apenas plantar mais árvores não é o suficiente.

As imagens mostram como árvores crescem mais fortes quando plantadas em florestas com diversidade. A imagem à direta mostra uma árvore de 11 anos de idade plantada em uma área mais diversa do que as demais (Imagem: Reprodução/Rob MacKenzie/Christine Foyer/AAB)
As imagens mostram como árvores crescem mais fortes quando plantadas em florestas com diversidade. A imagem à direta mostra uma árvore de 11 anos de idade plantada em uma área mais diversa do que as demais (Imagem: Reprodução/Rob MacKenzie/Christine Foyer/AAB)

Se realizado de forma inadequada e sem planejamento, o plantio de árvores pode até ser prejudicial, sobretudo se não houver compromisso com a diversidade de espécias, apontaram os cientistas da AAB. De acordo com a linha de pensamento de Darwin, a diversidade de plantio de espécies garante a saúde das florestas, prologando também seu tempo de vida.

Os pesquisadores explicam que as florestas que seguem o modelo da diversidade no plantio tendem a crescer de duas a quatro vezes mais fortes do que florestas com apenas uma espécie. Com isto, maximiza-se a captura de carbono e a resiliências das árvores contra doenças, mudanças climáticas aceleradas e climas extremos. Ou seja: uma floresta mista garante nutrientes a partir de fontes diversas.

(Imagem: Reprodução/Unplash/Jan Huber)
(Imagem: Reprodução/Unplash/Jan Huber)

A seleção natural, também apresentada por Darwin, garante a adaptação destas espécies ao seu meio. O grande problema é que as mudanças em curso são bem mais velozes do que a escala de tempo de adaptação dessas espécies. Embora algumas técnicas de edição de DNA possam acelerar um pouco desta adaptação, apenas uma mudança nas atividades humanas poderia reequilibrar o ciclo do carbono.

Os pesquisadores da AAB discutiram o estudo realizado em uma propriedade de Norbury Park, na região central da Inglaterra. Ali, o “efeito Darwin” e outras medidas sensíveis ao clima foram aplicadas. Agora, a área captura mais de 5.000 toneladas de dióxido de carbono anualmente — possivelmente a maior quantidade de carbono já armazenada no Reino Unido.

O governo inglês estabeleceu alguns requisitos para o plantio responsável de árvores em grande escala, constantemente revisados e aprimorados. Mas ainda é necessário ponderar outras questões, como quais espécies plantar, onde e o que fazer após elas crescerem. De todo modo, as florestas são uma importante aliada. “Precisamos que as florestas sejam uma resposta prática, confiável e justa às nossas crises de clima e biodiversidade, e Darwin nos mostrou o caminho”, disse a equipe.

Fonte: Canaltech

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