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Ibovespa vira e ultrapassa a marca inédita dos 119 mil pontos

Ana Carolina Neira

Entre as mínimas e as máximas do dia, o Ibovespa foi dos 116.906 aos 119.535 pontos Após operar em forte baixa durante toda a manhã, o Ibovespa inverteu direção e subiu impulsionado pelas ações do setor bancário. Com isso, a bolsa brasileira registra seu segundo recorde histórico na semana, fechando em alta de 0,96%, aos 119.528 pontos – nova máxima de fechamento. Entre as mínimas e as máximas do dia, o Ibovespa foi dos 116.906 aos 119.535 pontos, que representa nova máxima intradiária histórica.

O giro financeiro, bastante forte, somava R$ 19,3 bilhões no fim do pregão, muito acima dos R$ 12,3 bilhões da média diária de 2019 e demonstrando o apetite dos investidores pelos ativos de risco, a despeito de todo o medo envolvendo a disseminação do coronavírus pelo mundo.

Para analistas, o cenário não mudou: o risco de contaminação em massa ainda está presente, ainda mais se considerado que amanhã começa o Ano Novo Lunar na China, feriado que paralisa o país durante uma semana e faz crescer consideravelmente o número de chineses que deixam o local e de turistas que chegam ao país.

A intensidade de contato poderia aumentar a velocidade de contágio e prejudicar a recuperação econômica na Ásia. Mas, apesar da cena externa, os fundamentos para Brasil seguem positivos e, no caso do setor bancário, destaque de hoje, são papéis que "ficaram para trás" durante o recente rali visto na bolsa.

Assim, no fechamento, Banco do Brasil ON (5,62%), Bradesco (2,70% a ON e 2,64% a PN), Itaú Unibanco PN (2,37%) e as units do Santander (1,96%) avançavam. Esses ativos representam, juntos, quase 20% do índice, o que explica sua capacidade de garantirem tal impulso ao Ibovespa. Além disso, estes mesmos papéis acumulavam, no fechamento, perdas de 2,54%, 2,95%, 4,27%, 6,97% e 5,95% no acumulado de 2020, respectivamente. Essa baixa no ano demonstra como os ativos estão desvalorizados em relação a outros papéis e ao próprio Ibovespa, que sobe 3,36% no período.

O giro destes papéis também é forte, com o movimento intensificando-se durante a tarde. O Santander movimentou um total de R$ 113 milhões ante R$ 53,6 milhões na sessão de ontem. Já o Itaú teve um giro de R$ 1,1 bilhão, bem acima dos R$ 587,4 milhões de ontem. O Banco do Brasil registrou um movimento de R$ 1,08 bilhão, enquanto ontem esse número era de R$ 508 milhões. As ações ordinárias do Bradesco giraram R$ 101 milhões, mais que o dobro dos R$ 50,1 milhões de ontem. E, por fim, as preferenciais do Bradesco alcançaram um movimento de R$ 1 bilhão, bem acima dos R$ 602 milhões anteriormente.

O BB também subiu reagindo à notícia divulgada pelo Valor de que a gestora de fundos da instituição, a BBDTVM, deve ser privatizada até junho. A previsão é de que o parceiro seja estrangeiro, possibilitando que os produtos do banco alcancem um público maior.

Itaú, Banco do Brasil e Bradesco PN ocupam o terceiro, quarto e quinto lugares entre as ações mais negociadas de todo o mercado à vista hoje, respectivamente.

"Os bancos já perderam muito nos últimos meses, então também é importante observar que eles possuem espaço para recuperação. Qualquer coisinha já permite que eles mudem o rumo do Ibovespa", afirma um operador que prefere não ser identificado.

Além disso, ele também afirma que a sinalização do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que a Selic pode sofrer um corte adicional no próximo mês também é positiva para a bolsa, já que traria mais uma rodada de fluxo adicional de recursos vindos da renda fixa.

"O investidor local já vem carregando a bolsa há meses e essa tendência deve continuar", diz o profissional, lembrando que o fluxo de investidores estrangeiros no mercado secundário da B3 já acumula um saldo negativo de R$ 8,4 bilhões neste ano.

Em entrevista ao Valor, Campos Neto disse que e a inflação mais alta em 2019 “não influenciou a tendência” dos preços e disse que o preço das carnes está voltando rápido. “A gente consegue ver o preço de carne caindo bastante e nós seguimos tranquilos com as nossas projeções, como tem sido indicado nos nossos diversos relatórios.”

O dirigente disse, ainda, que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá analisar “todos os dados que estiverem disponíveis” na próxima reunião, na primeira semana de fevereiro. Ele apontou, ainda, que “é super importante analisar que há alguns elementos inflacionários que obviamente acabam não se incorporando nos núcleos”.

A maior alta do dia foi Braskem PNA (7,26%), que já vem de um período de valorização após fechar um acordo de R$ 2,7 bilhões para ajudar e compensar moradores afetados pelas atividades da empresa em Maceió. Ela também está de volta ao radar dos investidores após comentários sobre a retomada do processo de venda da companhia.

A empresa também é vista como uma boa oportunidade pelos investidores após acumular uma baixa de 35% em 2019 e ficar em um patamar atrativo de preço. Até agora, no acumulado deste ano, as ações da Braskem já sobem 30,65%, apagando as perdas.

Jungwoo Hong/Unsplash