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Ibovespa tem pior dia desde abril com apreensão sobre nova onda de Covid-19

Por Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com a maior queda diária percentual desde abril nesta quarta-feira, devolvendo boa parte dos ganhos em outubro, em meio a temores de que o crescimento de casos de Covid-19 na Europa e nos Estados Unidos resulte em novas medidas de confinamento, e, assim, complique a recuperação das economias.

No Brasil, resultados corporativos, entre eles números robustos da Gerdau, foram ofuscados pelas vendas generalizadas na bolsa paulista, em sessão que ainda prevê a divulgação dos balanços de companhias como Vale, Petrobras e Bradesco, além de decisão de política monetária.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,25%, a 95.368,76 pontos, com todos os 77 papéis de sua carteira em queda, ampliando as perdas na semana para 5,8%. No mês, acumula agora elevação de apenas 0,81%. O volume financeiro somou 29,4 bilhões de reais.

"A semana está bastante pesada, (com o Ibovespa) quase anulando a recuperação neste mês, afetada pelos mercados externos e as preocupações com uma segunda onda de contágio do coronavírus", afirmou o gestor de uma empresa ligada a previdência complementar com sede no Rio de Janeiro.

Na Europa, a Alemanha adotará lockdown emergencial de um mês que inclui o fechamento de restaurantes, academias de ginástica e teatros para reverter um pico de casos de coronavírus que pode sobrecarregar os hospitais, afirmou a chanceler, Angela Merkel.

Na França, o presidente Emmanuel Macron disse que o novo 'lockdown' nacional a partir de sexta-feira permanecerá em vigor até 1º de dezembro para interromper a disseminação exponencial do coronavírus.

"Nós estamos sofrendo as consequências dessa aversão ao risco global", observou o chefe de renda variável e sócio da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga.

Em Wall Street, norte-americano S&P 500 fechou em baixa de 3,5%, afetado pelo avanço dos casos de Covid-19 nos Estados Unidos, mas também pela proximidade da eleição presidencial, no dia 3 de novembro, que adicionava ainda mais cautela aos negócios.

"Mal podemos esperar para ver o fim disso e seguir em frente", afirmou o diretor de investimentos do banco Julius Baer, Yves Bonzon, ponderando que permanece o risco de isso não acontecer na manhã de 4 de novembro no caso de um desfecho indefinido ou contestação do resultado.

"Esperemos que não seja esse o caso, já que ativos de risco provavelmente não aceitariam bem", acrescentou.

Ainda nesta quarta-feira, o Banco Central no Brasil divulga sua decisão para a taxa básica de juros, com as projeções de economistas apontando para a manutenção da atual mínima histórica de 2% ano. As atenções estão voltadas para o comunicado que acompanha a decisão.

DESTAQUES

- CIELO ON desabou 11,66%, a 3,41 reais, menor cotação desde maio, com balanço do terceiro mostrando um tombo de 71,5% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2019, para 100,4 milhões de reais. A receita líquida somou 2,88 bilhões de reais, alta de apenas 2,9% ano a ano, embora acréscimo de 17,6% sobre o trimestre anterior.

- AZUL PN e GOL PN afundaram 9,58% e 9,03%, respectivamente, com o setor, um dos mais afetados pela pandemia, sofrendo com as preocupações sobre potenciais reflexos do aumento de casos de Covid-19 no mundo. No mesmo contexto, CVC BRASIL ON fechou em baixa de 9,88%.

- GERDAU PN caiu 5,89%, mesmo após resultado forte no terceiro trimestre, com Ebitda ajustado de 2,1 bilhões de reais, afetada pela aversão a risco generalizada que derrubava todas as ações do setor de mineração e siderurgia na B3. VALE ON, que apresenta seu balanço trimestral após o fechamento do mercado, cedeu 3,63%.

- PETROBRAS PN recuou 6,09% em meio ao tombo do petróleo no exterior. Ainda no radar estavam a aprovação do conselho da companhia de revisão da política de remuneração aos acionistas e autorização do governo para a Petrobras importar gás da Bolívia. A petrolífera divulga balanço após o fechamento.

- BRADESCO PN perdeu 5,66% antes da divulgação do resultado do terceiro trimestre, após o fechamento do mercado, com papéis de bancos como um todo no vermelho dado o mau humor nos mercados. ITAÚ UNIBANCO PN caiu 4,46%.

- RD ON desabou 7,21%, mesmo após reportar alta de 13,4% no lucro líquido ajustado no terceiro trimestre, para 172,9 milhões de reais. A empresa, contudo, encerrou o trimestre com uma dívida líquida ajustada maior ano a ano, de 1,18 bilhão de reais. Na véspera, as ações fecharam em alta de 2%, tendo acumulado no mês ganho de quase 19%.

- LOCALIZA ON caiu 3,13%, após figurar entre os maiores ganhos do Ibovespa na terça-feira. A companhia reportou após o fechamento da bolsa na véspera alta de quase 60% no lucro líquido do terceiro trimestre ante mesmo período de 2019, impulsionado por uma retomada de negócios nas divisões de aluguel de veículos e de venda de seminovos.