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Ibovespa caminha para perda de 10% no mês; dólar supera R$ 4,50

Marcelle Gutierrez e Marcelo Osakabe

Exterior negativo influencia negócios assim como as preocupações com o coronavírus O Ibovespa caiu 9,78% somente nessa semana, marcada ainda pelo feriado de Carnaval. Ou seja, a queda foi concentrada somente em três pregões. Assim, o índice caminha para encerrar o mês de fevereiro com uma queda de 9,92% e recuo de 11,39% em 2020.

Às 15h27 de hoje, o Ibovespa tinha perdas de 0,44%, aos 102.527 pontos.

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A última semana de fevereiro foi marcada pelo aumento da aversão ao risco pelo mundo com a disseminação do coronavírus para outros países além da China, incluindo o Brasil.

As ações de companhias aéreas e de turismo foram as que mais sofreram, já que é o primeiro setor da economia afetado pelo coronavírus com a redução da quantidade de viagens. A alta do dólar, em torno de 2,45% na semana, também penaliza o custo dessas empresas. Na semana, até às 15h30, Gol PN cai 25,49%, Azul ON (-21,73%) e CVC ON (-17,13%).

Profissionais do mercado ainda lembram que hoje é o fechamento do mês de fevereiro e ajustes de posições ocorrem nas carteiras, com migração de papéis de mais risco - aéreas e commodities - para mais seguras.

As ações dos bancos estão entre as menores quedas na semana, junto com IRB ON (0,86%) e Fleury ON (-4,29%). Itaú Unibanco PN tem baixa nos últimos três dias de 3,55%, Bradesco PN (-4,84), Santander units (-5,24%) e Banco do Brasil ON (-5,77%).

Pixabay

Dólar

O dólar comercial mantém o viés de alta e oscila dentro da banda de R$ 4,48 e R$ 4,51 nesta tarde, influenciado por uma súbita melhora dos índices americanos, que deixaram as mínimas da sessão com base no desempenho de algumas poucas ações. Por volta das 15h47, a moeda brasileira avançava 0,48%, aos R$ 4,4982.

A melhora relativa foi capturada apenas por parte das divisas emergentes, como o peso colombiano, cuja queda passou de 1,31% para 0,70% no mesmo período. Por outro lado, o dólar continua avançando mais de 1% contra o peso mexicano, o rublo russo e o rand sul-africano.

O comportamento no exterior continua sendo o principal determinante dos movimentos do câmbio no Brasil. "De acordo com nossas estimativas, 98% da depreciação do real este mês foi causada por forças externas e apenas 2%, por fatores domésticos", nota o Mizuho em relatório semanal.

A piora do sentimento do investidor em todo o mundo continua se refletindo sobre o spread do contrato de 5 anos de CDS, uma medida de risco-país. Esta tarde, ele marcava 138 pontos, de 128 pontos no início do dia. Este é o maior patamar desde 9 de outubro.