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Ibovespa tem leve alta com surpresa do IBC-Br; dólar sobe com tensão na América Latina

Juliana Machado, Lucas Hirata e Marcelo Osakabe

O resultado favorável de um dos principais indicadores de atividade econômica impulsiona a bolsa brasileira O resultado favorável de um dos principais indicadores de atividade no Brasil, o IBC-Br, ajuda o Ibovespa a manter a estabilidade nesta tarde. Às 13h54, o Ibovespa sobe 0,03%, aos 106.092 pontos, depois a máxima intradiária de 106.758 pontos, até agora. O giro financeiro soma R$ 4,7 bilhões.

Julio Bittencourt/Valor

O suporte positivo vem dos dados do IBC-Br de setembro, que mostrou avanço de 0,44% na virada do mês, ligeiramente acima das expectativas, de 0,39%. O dado, que é visto como uma “proxy” do Produto Interno Bruto (PIB), reforça a leitura de que há alguma recuperação da economia, ainda que muito gradual.

Alguns papéis que tiveram fortes tombos recentemente voltam ao azul, enquanto outros reagem às perspectivas positivas nos resultados. A BR Malls (4,64%) segue na liderança positiva do dia, depois de um balanço trimestral bem recebido pelo mercado. Nesta manhã, a companhia atribuiu a recuperação do resultado líquido à melhora na demanda, o que também colabora com o cenário majoritário dos gestores de que haverá retomada da atividade brasileira.

Turbulência na América Latina deixa investidor apreensivo

Na outra ponta, a MRV ON lidera as perdas do dia (-4,32%), com as preocupações envolvendo o futuro operacional dela, depois dos dados trimestrais. Esses receios cresceram tanto que o Credit Suisse decidiu cortar hoje a recomendação e o preço-alvo dos papéis, citando justamente a menor velocidade de vendas da companhia e a compressão das margens brutas.

Também em queda está a Braskem PNA (-2,98%), antes da publicação do balanço, que será conhecido hoje após o fechamento. A expectativa é que a companhia reporte mais um conjunto de resultados fracos, segundo analistas que cobrem a indústria petroquímica. A previsão média é de prejuízo de R$ 293 milhões, revertendo lucro bilionário apurado no terceiro trimestre de 2018.

Ainda no campo negativo, vale menção à JBS ON que cai 2,56% e que chegou a ficar no pior desempenho do Ibovespa. A companhia registrou lucro líquido de R$ 356,7 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo um ano antes. Apesar do lucro, o resultado ficou abaixo da estimativa de analistas, que esperavam ganho acima de R$ 1 bilhão. A desvalorização do real afetou o desempenho, segundo a empresa.

Entre os papéis mais líquidos, o desempenho ainda segue dividido. No setor bancário, Banco do Brasil sobe 1,44%, enquanto Bradesco cai 0,47% a ON e 0,45% a PN; Itaú Unibanco PN tem uma alta de 0,31%. No caso da Petrobras, a ON opera em queda de 0,83% e a PN sobe 0,10%; a Vale registra uma leve quedade 0,02%.

Câmbio

A tensão política na América Latina voltou a pesar sobre a negociação do câmbio no Brasil.

O temor do investidor estrangeiro na região impediu a continuidade da queda do dólar registrada no início do pregão, após indicadores melhores do que o esperado da economia local. Por volta das 13h58, a moeda americana operava perto da estabilidade, com alta marginal de 0,13%, aos R$ 4,1912, após tocar R$ 4,1636 mais cedo.

Um dos destaques negativos da semana, o peso chileno voltou a exibir desvalorização acima de 1,11% neste pregão, mesmo com a oferta semanal de swaps cambiais anunciada ontem pelo BC local. Outras moedas próximas também apanham. No horário acima, o dólar avançava 0,44% contra o peso mexicano e 0,74% frente ao peso colombiano.

Para Cleber Alessie Machado Neto, operador da H.Commcor, “a crise nos países vizinhos, como Bolívia, Chile e Argentina, acaba por impactar a percepção do estrangeiro com a América Latina, de modo que o real, por ser bastante líquido na região, se torna importante mecanismo de ‘hedge’. Ou seja, compra de dólar contra o real”.

Juros

As taxas dos contratos futuros de juros oscilam em torno da estabilidade na última sessão desta semana, à mercê dos movimentos do câmbio, que ainda revelam cautela reforçada com a instabilidade política e social na América Latina. Cada vez que o dólar se aproxima de R$ 4,20, logo, as taxas de médio prazo também sobem.

Neste começo de tarde, no entanto, o nervosismo parece um pouco mais contido, pelo menos no mercado brasileiro. Assim, os investidores conseguem ajustar o prêmio de risco nas taxas de longo prazo.

Por volta das 13h, o contrato de DI para janeiro de 2021 ficava em 4,63% (4,62% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2022 marcava 5,22% (5,21% no ajuste anterior), enquanto o DI janeiro/2023 tinha taxa de 5,72% (5,73% no ajuste anterior) e DI janeiro/2025 marcava 6,30% (6,34% no ajuste anterior).