Mercado fechado

Ibovespa tem leve alta com efeito externo; dólar varia pouco

Ana Carolina Neira

Investidores acompanham negociações China-EUA As informações sobre as negociações comerciais entre China e EUA têm sido mistas nesta sessão, ora alimentando o apetite ao risco dos investidores, ora estimulando a cautela. Isso se reflete no Ibovespa, que abriu em forte alta e foi perdendo fôlego ao longo do pregão até aqui. Às 13h47, o índice subia 0,49%, aos 107.084 pontos. Nas máximas do dia, porém, ele foi aos 107.519 pontos.

Mais cedo, a rede CNBC informou, por meio de fontes, que o clima em Pequim está pessimista por causa da relutância do presidente americano, Donald Trump, em retirar tarifas às quais a China acreditava que os EUA haviam concordado remover. A notícia reverteu o otimismo visto no início do dia, levando os índices americanos para o campo negativo.

Na avaliação de analistas, o Ibovespa só é capaz de avançar apesar da cautela no exterior por conta do fechamento do mercado na última sexta-feira, feriado nacional. Neste dia, as principais ADRs brasileiras operaram em alta nos Estados Unidos, que também viu seus índices baterem novas máximas. Assim, ainda há espaço para um ajuste de preços no mercado.

"Houve uma alta forte dos índices americanos na sexta, então é natural que passemos por esse ajuste de preços hoje, mais descolados do exterior", explica o gestor Vitor Miziara, da Criteria Investimentos. Diante da leve queda dos índices americanos e da alta expressiva da última sessão, os investidores ainda apostam nas compras, já que o pano de fundo do mercado é, de maneira geral, o mesmo.

Na avaliação de Rodrigo Zauner, sócio da SVN Investimentos, o mercado deve experimentar uma queda de braço entre aqueles mais afetados pela cautela externa e os que ainda operam sob os reflexos do pregão de sexta-feira. "Hoje ainda temos respingos desse pregão do feriado, ao mesmo tempo em que o investidor analisa essa queda de hoje. Um fator briga com o outro", afirma.

Hoje também há exercício de opções sobre ações no Ibovespa, o que garante certa volatilidade ao índice.

Marfrig ON (5,65%) liderou os ganhos do índice durante toda a manhã, após informar que, por intermédio de sua subsidiária NBM US Holdings, elevou de 51% para 81,73% sua participação no capital social da controlada National Beef Packing Company, dos Estados Unidos. O acordo prevê a transferência para a NBM e demais acionistas minoritários de 5.395,17 ações representativas de 31,17% do capital votante e total da National Beef, sendo este o total de ações detidas pela acionista Jefferies Financial Group, que se retira da sociedade.

Julio Bittencourt/Valor

O acordo tem sido bem avaliado pelo mercado. O giro financeiro do papel até agora já soma R$ 45,1 milhões, bastante próximo dos R$ 56,8 milhões movimentados durante todo o pregão da última quinta-feira e dando dimensão da procura pelo ativo.

O valor da transação será de US$ 860 milhões, que serão pagos à vista no fechamento sem prejuízo do pagamento a Jefferies dos dividendos referentes ao ano de 2019 no valor aproximado de US$ 110 milhões.

Em relatório, o BTG Pactual afirmou que o principal ponto positivo para a Marfrig é que, com o negócio, a companhia terá mais flexibilidade para gerenciar seu balanço. O banco também afirma ter gostado do acordo fechado entre as empresas, avaliado como um "preço atraente".

Entre as baixas, se destacam Yduqs ON (-2,74%), Natura ON (-2,65%) e Cemig PN (-2,10%).

A Cemig apurou prejuízo líquido de R$ 281,9 milhões no terceiro trimestre, comparado ao lucro de R$ 244,5 milhões de igual período do ano passado.

A receita operacional líquida somou R$ 6,07 bilhões de julho a setembro, valor 3% inferior ao ano passado. Segundo a empresa, o resultado líquido operacional foi fortemente influenciado pelo reconhecimento da contingência tributária relativa às ações que discutem a incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de participações nos lucros e resultados (PLR), no montante de R$ 1,183 bilhão.

Já a Natura teve sua recomendação reduzida de compra para neutra pelo BB Investimentos, com manutenção do preço-alvo em R$ 35,80.

Em relatório, o banco aponta que os resultados do terceiro trimestre de 2019 foram positivos, a compra da Avon tem avançado e as perspectivas são otimistas para a empresa, mas há pouco potencial de valorização para as ações, o que justifica o rebaixamento.

18/11/2019 12:57:38

Dólar

O dólar comercial varia pouco após comentários mais pessimistas feitos por membros do governo chinês sobre o Estado das negociações comerciais com os Estados Unidos. Por volta das 13h40, a moeda americana operava estável, aos R$ 4,1925, aos R$ 4,1940, após tocar R$ 4,1697 no início da manhã e R$ 4,1950 na máxima.

Na sexta-feira, quando o mercado brasileiro estava fechado, as divisas emergentes e outros ativos de risco se valorizaram, surfando declarações otimistas de integrantes do governo americano sobre o acordo comercial.

Esse clima foi interrompido novamente nesta manhã, após a CNBC afirmar que fontes do governo em Pequim estão pessimistas com as negociações. A relutância do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em remover tarifas e o processo de impeachment nos EUA foram citados como razões de preocupação.

O vaivém das negociações comerciais, dados negativos da China e, no Brasil, a frustração com a cessão onerosa, fez o dólar voltar a ser negociado perto dos R$ 4,20 na semana passada e trouxeram alguma cautela às apostas mais otimistas sobre a moeda local, como a do Citi. "No Brasil, nós aplicamos um hedge nossa aposta sobre o real como cautela contra a volatilidade", diz o banco, que passou a recomendação para o ativo de de “overweight” para “marketweight”.

Apesar da cautela, o Citi permanece otimista com o complexo de moedas emergentes como um todo, com base na expectativa de que a "fase 1" do acordo comercial ainda acontecerá.

O Société Générale tem uma visão mais pessimista sobre a perspectiva para moedas emergentes no ano que vem. Na visão da casa, os EUA devem entrar em recessão em meados do ano que vem, o que traz um viés negativos para a classe.

“Em nossa opinião, existe evidência o suficiente para sugerir que os riscos negativos superam os positivos para moedas emergentes”, dizem analistas do SocGen em relatório. A casa projeta que o dólar encerrará o primeiro trimestre de 2020 em R$ 4,20 e chegará ao final desse ano em R$ 4,40.

Juros

Os contratos futuros de juros operam com taxas em baixa, em um ajuste de posições, após o feriado da Proclamação da República deixar os mercados fechados na sexta-feira, dia em que os ativos de mercados emergentes exibiram valorização generalizada. Apesar disso, certa pressão foi observada na ponta curta da curva futura devido a ruídos relacionados às questões comerciais sino-americanas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 operava estável a 4,64%; a do DI para janeiro de 2022 caía de 5,25% para 5,22%; a do contrato para janeiro de 2023 passava de 5,75% para 5,71%; e a do DI para janeiro de 2025 recuava de 6,33% para 6,28%.

Após o dia de “risk on” que os mercados globais observaram na sexta-feira, o dia é de ajuste nos juros futuros, com taxas em baixa. No entanto, os vértices de curto prazo da curva deixaram para trás as mínimas do dia, diante de relatos de pessimismo relacionados às negociações comerciais entre Estados Unidos e China. No mercado, circularam boatos de que autoridades chinesas estão pessimistas quanto ao progresso do acordo comercial “fase 1” com os americanos.

Diante dos novos relatos, os rendimentos dos Treasuries passaram a cair, diante do apetite renovado por segurança. “Os mercados permanecem no modo de espera e aguardam clareza sobre o estado das conversas na fase 1 do acordo entre EUA e China. O acordo comercial entre os dois países é o ponto de virada óbvio dos ativos, seja para cima ou para baixo”, afirma o economista-chefe para EUA do Royal Bank of Canada, Tom Porcelli, em relatório enviado a clientes.

Enquanto um acordo não sai, a China usa suas ferramentas para tentar evitar uma desaceleração ainda mais intensa de sua economia. Nesta segunda-feira, o Banco do Povo da China (PBoC) reduziu os juros para operações de recompra reversa de sete dias de 2,55% para 2,50%, na primeira redução da taxa desde outubro de 2015. Para os economistas do Citi, a decisão do PBoC deu mais um passo no ciclo de estímulos monetários e indicou que deve reduzir o juro básico ainda esta semana.