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Temor com coronavírus leva Ibovespa a novo tombo

Ana Carolina Neira

Sem saber quais serão os desdobramentos acerca da doença nos próximos dois dias, os investidores preferem se precaver desde já para evitar surpresas O agravamento no número de casos e vítimas do coronavírus, com capacidade cada vez maior de afetar as principais economias globais, faz as bolsas do mundo operarem em baixa nesta sexta-feira. A busca por proteção se dá não apenas pelo horizonte mais pessimista de uma possível desaceleração no munto todo, mas também pela proximidade do fim de semana. Sem saber quais serão os desdobramentos acerca da doença nos próximos dois dias, os investidores preferem se precaver desde já para evitar surpresas.

Às 15h47, o Ibovespa caía 3,37%, aos 98.787 pontos, desacelerando o ritmo de queda apurado mais cedo, da ordem de 4%. A razão para isso vem da notícia de que um funcionário do setor de saúde do governo chinês ter dito a um jornal de Hong Kong que o país está avançando na busca de uma vacina para conter o Covid-19, aliviando um pouco os temores. No pior momento do dia, a bolsa registrou 97.216 pontos. Na semana, a baixa já é de 5,6%.

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O giro financeiro do dia também traduz o movimento forte de venda de ativos e somava R$ 13,5 bilhões. Se continuar neste ritmo, o fluxo pode chegar aos R$ 28 bilhões até o fim da sessão.

Silvia Zamboni/Valor

As principais pressões do dia vem das ações com maior peso e liquidez no índice, como B3 ON (-2,40%), Petrobras (-9,14% a ON e -7,99% a PN) e Vale ON (-3,50%), que também são as ações mais negociadas de todo o mercado à vista.

Já as maiores baixas estão em Via Varejo ON (-13,04%) e B2W ON (-10,9%), que até desaceleraram as perdas nos últimos minutos, mas seguem em desvalorização. Além de traduzirem o desânimo do investir até mesmo com papéis ligados ao ciclo doméstico, antes grandes responsáveis por refletirem as boas expectativas com a economia local, o caso da Via Varejo também guarda uma história particular. Para alguns analistas, ela passa por um movimento de "stop loss" — gatilho que determina venda para limitar as perdas a determinado patamar de volatilidade previsto anteriormente pelo investidor.

"Com certeza existe uma forte onda vendedora daquele pessoal que entrou de olho nos bons lucros da empresa e se empolgou. Desde o retorno do carnaval, esse investidor foi sentindo aos poucos, vendo o que fazer, até segurava o papel. Mas diante de tanto pessimismo e sem horizonte de melhora, ele vende por segurança", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Além disso, comentam analistas, conforme mais empresas sentem os impactos econômicos negativos do coronavírus e sofrem com o desabastecimento chinês, maiores as chances de redes de varejo como Via Varejo, Magazine Luiza e B2W enfrentarem o problema de falta de produtos para comercialização nas próximas semanas.

Entre as poucas ações capazes de subir, estavam IRB Brasil ON (7,64%) e CVC Brasil ON (18,9%).

A CVC anunciou troca de comando depois de ter encontrado indícios de “erros na contabilização” de valores transferidos aos fornecedores de serviços turísticos referentes às receitas próprias desses fornecedores. Em relatório, o J.P. Morgan elevou a recomendação da companhia de "venda" para "neutra", com preço-alvo de R$ 38, um potencial de alta de 90%.

Já o IRB sobe após uma série de questionamentos do mercado sobre seu balanço financeiro e a polêmica envolvendo a Berkshire Hathaway. Na última semana, companhia teve uma desvalorização de 48,06%, o que justifica uma recuperação técnica.