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Ibovespa sofre com aversão ao risco nos EUA e volta a cair

Lucas Hirata
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Movimento piorou após o presidente americano, Donald Trump, rejeitar o pacote de estímulo que vinha sendo negociado com democratas Depois de iniciar o dia em firme alta, o Ibovespa desacelerou gradualmente os ganhos até que sofreu, de vez, a virada para o negativo com a onda de vendas em Nova York. O noticiário sobre os rumos das contas públicas se manteve no centro das atenções durante boa parte da sessão. Mas o resultado final foi cravado pela aversão ao risco lá fora, após o presidente americano, Donald Trump, rejeitar o pacote de estímulo que vinha sendo negociado no país. Com isso, o índice fechou em baixa de 0,49%, aos 95.615 pontos, depois de oscilar entre 97.405 pontos e 95.211 pontos entre a máxima e a mínima do dia. O volume de negócios foi relativamente forte, em R$ 21,2 bilhões, acima da média no ano, de R$ 20,5 bilhões. O que ajudou as ações no início do dia foi o tom mais apaziguador do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, que reiteraram a defesa do teto de gastos. No entanto, as incertezas fiscais seguiam no radar e evitavam qualquer alta mais consistente da bolsa. Sinal de que o cenário segue rodeado de incertezas, o Valor apurou com um integrante da equipe econômica que a definição da fonte de financiamento do Renda Cidadã deve ficar para depois das eleições municipais. A reversão de direção na bolsa veio, porém, da aversão ao risco no exterior após o presidente americano, Donald Trump, rejeitar o pacote de estímulo que vinha sendo negociado com democratas. Lá fora, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,34%, enquanto o Nasdaq caiu 1,57% e o S&P 500 cedeu 1,40%. A onda de vendas em Wall Street chegou na bolsa brasileira acompanhada pela desvalorização de papéis importantes, como Petrobras e bancos. As ações ordinárias da estatal recuaram 0,65%, enquanto as preferenciais cederam 0,50%. Já a Vale cedeu 1,63%. O destaque negativo da sessão, entretanto, ficou com IRB ON, que recuou 17,11%. De acordo com profissionais de mercado, a ação vinha subindo recentemente com forte volatilidade, enquanto ganhava cada vez mais visibilidade entre investidores pessoa física. No entanto, hoje veio o choque de realidade com a recomendação de venda do papel pelo UBS. Inclusive, as ações do IRB tiveram o maior volume financeiro do mercado à vista, com giro de R$ 1,7 bilhão – acima de Petrobras PN (R$ 1,4 bilhão) e Vale ON (R$ 1,1 bilhão). Segundo os analistas do UBS, a reconstrução da companhia vai levar algum tempo. “O IRB está tentando superar os problemas de governança corporativa, que resultaram em mudanças na administração e revisões contábeis. Acreditamos que vai levar tempo para o IRB recuperar sua lucratividade (e atingir níveis parecidos com os pares globais)”. O UBS retomou sua cobertura de IRB com recomendação de “venda” e preço-alvo de R$ 4,60. Antes da interrupção da cobertura, em função dos desdobramentos após as denúncias feitas pela gestora Squadra, a recomendação era de “compra” e o preço-alvo de R$ 48,00. iStock