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Ibovespa sobe, mas ainda acumula perdas pelo coronavírus

Marcelle Gutierrez

Bolsa encerrou o segundo pregão consecutivo de valorização com ganhos acumulados de 1,58% nesta semana As medidas tomadas pela China para amenizar o impacto do coronavírus na economia, a volta dos mercados financeiros por lá e a recuperação dos preços das commodities trouxeram certa tranquilidade para o mercado. Assim, o Ibovespa encerrou o segundo pregão consecutivo de valorização com ganhos acumulados de 1,58% nesta semana.

Mas, mesmo com essa melhora recente, a bolsa ainda acumula perdas desde que a onda de aversão ao risco começou, em 27 de janeiro. Desde aquela data, as perdas somam 2,38%.

Hoje, após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 0,81%, aos 115.557 pontos. O índice abriu na mínima dos 114.631 pontos e, ao longo da primeira hora de pregão, ganhou força, atingindo a máxima de 116.556 pontos.

“Vimos na semana passada o mercado tenso e exagerando na aversão ao risco, exatamente por não conhecer o tamanho do impacto do coronavírus. Agora, a volta dos mercados na China e medidas anunciadas, como a injeção de capital, dão certa tranquilidade”, explica Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável do BTG Digital.

Economistas veem PIB da China desacelerar no 1º tri por causa de coronavírus

Entre as medidas anunciadas pela China que agradaram os mercados está a injeção de US$ 180 bilhões nos mercados e cortes nas taxas de juros de curto prazo. Ainda assim, os investidores seguem de olho no avanço da doença, já que o número de mortos chega a 425 e de infectados ultrapassa os 20 mil.

Para Alvaro Bandeira, economista-chefe do modalmais, a interpretação foi que o governo chinês será mais agressivo na política monetária e também no volume de investimentos, visando compensar em parte o movimento de desaceleração desse primeiro trimestre do ano.

A melhora das bolsas hoje foi global e na sequência do desempenho positivo da China. Hoje, o índice Xangai Composto teve alta de 1,34%. Em Nova York, o Dow Jones teve valorização de 1,44%, o S&P 500 avançou 1,50% e o Nasdaq teve alta de 2,10%.

O desempenho do Ibovespa foi sustentado pela valorização de ações de peso, as chamadas blue chips, que sofreram com a queda dos preços do petróleo e do minério de ferro com o surto de coronavírus na China. O país é o principal importador de commodities no mundo.

Hoje, o minério de ferro subiu 4,21%, a US$ 83,76. O petróleo operou em alta durante a maior parte do dia, mas fechou em queda de 0,89%, o contrato para abril do Brent, a US$ 53,96.

Vale ON teve alta hoje de 2,67%, a R$ 52,27, e valorização na semana de 3,98%. Mas o efeito do coronavírus ainda impõe uma perda de 2,84% sobre o papel desde o início da crise, no dia 27 de janeiro.

No caso da Petrobras, as ações PN e ON subiram hoje 1,60% e 2,47%, respectivamente, com avanços na semana de 0,63% e 1,32%. Os efeitos do coronavírus também não foram eliminados. Desde a segunda-feira passada, Petrobras PN cai 2,28% e Petrobras ON recua 1,16%.

No caso de Petrobras, os investidores ainda operam na expectativa da oferta subsequente (follow on) das ações ordinárias detidas pelo BNDES, cuja precificação ocorre amanhã.

Juntas, as ações da Vale e Petrobras somaram volume financeiro hoje de R$ 3,36 bilhões. O giro total do Ibovespa atingiu R$ 17,5 bilhões, um pouco acima da média diária em 2020 de R$ 16,3 bilhões.

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