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Ibovespa sobe mais de 7% após dia de pânico global

Marcelle Gutierrez

O respiro veio junto com as bolsas nos Estados Unidos na expectativa de estímulos econômicos e com a alta dos preços das commodities O Ibovespa retomou o patamar dos 90 mil pontos, em um movimento de recuperação após o tombo de mais de 12% ontem, o pior desempenho desde 1

998. O respiro veio junto com as bolsas nos Estados Unidos na expectativa de estímulos econômicos para combater os efeitos do coronavírus e com a alta dos preços das commodities.

Os investidores foram às compras hoje após o forte recuo dos últimos dias, que levou o múltiplo preço/lucro (P/L) do Ibovespa de volta para 10,4 vezes, o que é atrativo, segundo o Itaú BBA.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 7,14%, aos 92.214 pontos. Na máxima, atingiu 92.230 pontos (7,2%) e, na mínima, 86.071 pontos (-0,01%).

O volume financeiro totalizou R$ 29,9 bilhões, bem acima da média diária de 2020 de R$ 19 bilhões.

O movimento de alta vinha durante toda a sessão e ganhou fôlego na última hora, junto com as bolsas de Nova York com a declaração do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, de que “há muito interesse em ambos os partidos para fazermos alguma coisa rapidamente”, em relação ao coronavírus. Mais cedo, a Casa Branca anunciou que o presidente americano, Donald Trump, fará uma entrevista coletiva, às 18h30 (horário de Brasília), sobre as medidas do governo para combater os impactos do coronavírus.

Em Nova York, o S&P 500 subiu 4,94%, o Dow Jones teve alta de 4,89% e o Nasdaq avançou 4,95%.

“Esse respiro de curto prazo vem em linha com lá fora, muito na expectativa dos próximos passos, como redução de taxas de juros e estímulos econômicos”, comenta Enrico Cozzolino, Daycoval Investimentos, que pondera, contudo, que a volatilidade permanece.

Volatilidade, inclusive, segue como palavra de ordem, enquanto não ficarem claros os efeitos econômicos do coronavírus pelo mundo. O VIX, conhecido como "termômetro do medo de Wall Street", segue acima dos 40 pontos, o que sinaliza que o vaivém continuará. Hoje, o indicador fechou em 47,30 pontos, uma queda de 13,15%.

Por aqui, Vale e Petrobras tiveram ganhos significativos com o avanço dos preços do minério de ferro e petróleo.

O preço do minério subiu 4,7%, para US$ 92,09 por tonelada e as ações ON da Vale avançaram 18,45%, a R$ 44,81.

Já o petróleo Brent para maio avançou 8,32%, aos US$ 37,22 o barril na ICE. Na Nymex, o WTI para abril subiu 10,37%, para US$ 34,36 o barril. Junto, Petrobras ON teve avanço de 8,51% e a PN subiu 9,41%. Ontem, os preços do petróleo recuaram mais de 20% e os papéis da Petrobras quase tiveram perdas de 30%.

No caso de Vale, os investidores também aproveitaram o momento de queda dos papéis para ir às compras. Em relatório, o Itaú BBA, inclusive, aponta os papéis da empresa entre àqueles que tiveram forte baixa no cenário atual, mas que são de qualidade e possuem potencial de crescimento.

O banco menciona ainda outras ações como atraentes neste cenário e algumas figuraram entre os maiores ganhos do Ibovespa hoje. A lista inclui Via Varejo ON, maior alta do dia (21,29%) e CCR ON, que subiu 17,32%.

Apenas duas ações caíram hoje no Ibovespa: Ambev ON (-1,70%) e IRB Brasil ON (-0,44%).

Ambev é mencionada no relatório do Itaú BBA como uma das empresas conhecidas como “defensivas” em bolsa, mas que pode sofrer com a redução de demanda pelo surto do coronavírus, já que há menos pessoas saindo de casa e consumindo. Além disso, a concorrente da empresa no país, a Heineken, anunciou investimentos de R$ 865 milhões no Brasil.

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