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Ibovespa sobe mais de 3% em meio a melhora global dos mercados

Marcelle Gutierrez

Por aqui, o desempenho é ainda superior, devido à queda excessiva do Ibovespa durante o ápice da crise e recuperação dos preços das commodities A melhora do apetite ao risco global, diante da baixa taxa de juros, excesso de liquidez e reabertura das economias, segue dando o tom positivo às bolsas mundiais. Por aqui, o desempenho é ainda superior, devido a queda excessiva do Ibovespa durante o ápice da crise e recuperação dos preços das commodities.

Após ajustes, o Ibovespa fechou nos 97.645 pontos — avanço de 3,18% — bem perto da máxima do dia de 97.693 pontos (3,23%). Em nenhum momento o Ibovespa operou no negativo, atingindo, na mínima, 94.635 pontos, estável ante o fechamento de sexta-feira.

Foi o sétimo pregão consecutivo de valorização, que soma 11,72% no mês de junho. Ainda assim, o índice cai 15,57% em 2020.

O gás nos últimos minutos de pregão veio do anúncio do Federal Reserve (Fed), que expandiu o programa de crédito para pequenas e médias empresas, reduzindo os requisitos. Esse foi mais um estímulo do governo americano para combater a pandemia.

Aliás, as medidas de estímulo pelo mundo são as responsáveis para o aumento da liquidez nos mercados e redução das taxas de juros, o que resulta em maior apetite ao risco para obter mais retorno. Segundo a XP Investimentos, em relatório, mais de US$ 17 trilhões foram anunciados por governos em todo o mundo, o que representa 20% do PIB global, uma “verdadeira bazuca”, segundo eles.

Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,70% e o S&P 500 teve alta de 1,20%.

Apesar do tom positivo ser generalizado pelos índices acionários globais, o desempenho do Ibovespa é superior. Entre os motivos está o preço mais baixo, por ter sido a bolsa com pior desempenho no ápice da crise do coronavírus, desvalorização cambial e pelo fato de o índice ser fortemente composto por commodities e bancos.

Em 2020, até maio, o Ibovespa tinha queda de 43,86% em dólar, enquanto a bolsa do México recuava 28,8%, a da África do Sul tinha baixa de 28,77%, Rússia (-21,25%) e Turquia (-19,95%).

O Brasil está atrativo a investimentos, apesar de não ter superado suas crises, como a econômica, política e de saúde, segundo a XP. “Assim sendo, quaisquer melhoras marginais nos fundamentos traria um forte rebote nos preços. A redução do risco percebido de um possível afastamento do presidente da República acabou sendo um desses catalizadores”.

Renato Ometto, gestor da Mauá Capital, comenta que no ápice da crise do coronavírus na bolsa, quando o Ibovespa chegou aos 63 mil pontos, em março, houve uma venda generalizada e sem fundamentos. Agora, a melhora no exterior, com reabertura das economias, tira as incertezas do mercado. “Vai tirando a agonia e o mercado para de fazer conta do impacto na economia nesse ano e começa a pensar no ano que vem”, explica.

Segundo ele, os investidores já começam a identificar quais empresas se saíram melhor na crise, como setor de comércio eletrônico no Brasil, e quais conseguiram manter o caixa ou o custo sob controle. “Todo mundo já entendeu que esse ano não será bom, mas que ano que vem sim. Além disso, ocorre uma corrida por ativos de risco, porque não tem como ter retorno em outros”, diz.

Outro fenômeno global que favorece o mercado brasileiro está na rotação de ativos, ou seja, saída de ações de crescimento, caso de tecnologia, para aqueles papéis de mais valor e que ficaram para trás, como bancos e commodities. O Ibovespa, segundo a XP Investimentos, tem 55% da sua composição em bancos e commodities e menos de 2% em tecnologia.

Hoje, Banco do Brasil ON subiu 3,38%, Bradesco ON (4,79%), Bradesco PN (5,25%), Itaú Unibanco PN (4,04%) e Santander units (3,85%).

Em junho, Banco do Brasil ON sobe 18%, Bradesco ON avança 20,77% e a PN tem alta de 24,16%, Itaú Unibanco PN sobe 23,30% e Santander units (27,65%).

A recuperação dos preços das commodities também têm peso significativo. O minério de ferro chegou hoje a US$ 105,67 a tonelada e, junto, Vale ON avançou 0,31% e CSN ON teve alta de 17,12%.

As companhias aéreas também estenderam o rali visto em junho. Gol PN subiu 28,29%, Azul ON 29,25% e Embraer ON 18,36%. No acumulado do mês, as valorizações somam 99,58%, 93,28% e 50,91%.

O setor foi o mais penalizado pela crise do coronavírus e aguarda pacote de financiamento. Hoje, o diretor de privatizações do BNDES, Leonardo Cabral, disse que para companhias aéreas haverá um programa de debêntures com custo menor. Há negociações com Latam, Gol e Azul.

O volume financeiro do Ibovespa totalizou R$ 24,9 bilhões, em linha com a média diária de junho, de R$ 25,3 bilhões, mas acima da média diária de 2020, de R$ 20,2 bilhões.

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