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Mercados têm 2º pregão positivo, mas não apagam efeito coronavírus

Marcelle Gutierrez e Marcelo Osakabe

Bolsa aproveita o bom humor também observado no exterior Os mercados financeiros passam por um movimento de recuperação nesta semana, promovida, em grande medida, pela iniciativa do governo chinês de injetar liquidez no sistema para amenizar os efeitos negativos provocados pelo acirramento do surto do coronavírus. Mas, mesmo com essa melhora recente, os ativos ainda acumulam perdas desde que a onda de aversão ao risco começou, no dia 27 de janeiro.

Às 15h31, o Ibovespa tinha alta de 1,06%, aos 115.844 pontos. Este é o segundo pregão consecutivo de valorização do índice, mas ainda não foi o suficiente para apagar as perdas impostas pelo avanço do surto.

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Na semana, o Ibovespa sobe 1,83%. Mas, desde o dia 27, primeiro dia de forte reação dos mercados ao noticiário sobre o vírus, o índice ainda recua 2,13%.

Após fechar em R$ 4,2850 na última sexta-feira, máxima histórica do Plano Real, a moeda americana acumula queda de 0,92% na semana até o início da tarde desta terça-feira. Mas, ainda assim, desde o início do período de instabilidade gerado pelo surto do coronavírus, a moeda americana sobe 1,48%.

Nesta terça-feira, o tom de alívio nos mercados vem com a injeção de US$ 180 bilhões do governo chinês e a desaceleração do ritmo de pessoas infectadas pelo coronavírus. Mesmo assim, investidores seguem atentos aos efeitos na economia da China e no mundo.

“Vimos na semana passada o mercado tenso e exagerando na aversão ao risco, exatamente por não conhecer o tamanho do impacto do coronavírus. Agora, a volta dos mercados na China e medidas anunciadas, como a injeção de capital, dão certa tranquilidade”, explica Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável do BTG Digital.

O desempenho do principal índice da bolsa brasileira é sustentado pela valorização de ações de peso, as chamadas blue chips, que sofreram recentemente com a queda dos preços do petróleo e minério de ferro com o surto da doença na China

Às 15h31, Vale ON tinha alta de 2,75%, a R$ 52,30, e valorização na semana de 4,22%. Mas o efeito do coronavírus ainda impõe uma perda de 2,64% sobre o papel. Em termos de valor de mercado, a Vale encerrou a última semana em R$ 265,6 bilhões e hoje já atinge R$ 276,9 bilhões, uma recuperação de R$ 11,3 milhões.

No caso da Petrobras, as ações PN e ON sobem hoje 2,38% e 2,67%, respectivamente, com avanços nesta semana de 1,58% e 1,75%. Aqui, os efeitos do coronavírus também não foram eliminados. Desde a segunda-feira passada, Petrobras PN cai 1,53% e Petrobras ON recua 1,16%.

O valor de mercado da estatal petroleira estava em R$ 385,3 bilhões na sexta-feira e soma R$ 392,6 bilhões nesta terça, um aumento de R$ 7,3 milhões.

O coronavírus derrubou fortemente os preços das commodities. Na segunda-feira, o minério de ferro voltou a ser negociado na casa dos US$ 80 por tonelada, a menor cotação em um ano e uma perda acumulada de 13%. Hoje subiu 4,21%, para US$ 83,76.

Já o petróleo Brent para abril fechou ontem em queda de 3,83%, a US$ 54,45 por barril, acumulando perdas de 20,98%. Hoje, a alta é de 1,01%, para US$ 55,00 o barril.

Regis Filho/Valor