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Ibovespa bate os 110 mil pontos, em nova máxima

Juliana Machado

Investidores estão mais animados com os aparentes avanços nas tratativas comerciais entre a China e os Estados Unidos Um fluxo positivo de notícias envolvendo um possível acordo comercial entre EUA e China antes do fim do ano abriu espaço para que alguns grandes fundos demonstrassem mais confiança nos dados da economia brasileira e iniciassem, dessa forma, um movimento de compras no mercado de ações local. Esse ambiente fez o Ibovespa acelerar as altas nesta tarde e romper a inédita faixa dos 110 mil pontos, tanto no fechamento, quanto na máxima do dia.

O Ibovespa subiu 1,23% hoje, aos 110.301 pontos, na máxima do dia. O índice garante, assim, novo recorde de fechamento e também intradiário. Os últimos recordes haviam sido registrados no dia 7 de novembro, com a máxima intradiária de 109.672 pontos e com o fechamento em 109.581 pontos. O giro financeiro do dia, de R$ 13,1 bilhões, ficou levemente acima da média diária dos pregões de 2019.

Algumas ações de grandes companhias que tinham “ficado para trás” no ano até agora se recuperaram no pregão, impulsionadas pela euforia dos investidores com a recuperação da economia brasileira.

A procura pelos ativos de boa qualidade, mas que tiveram uma rentabilidade menor no ano com as frustradas expectativas para a retomada da atividade, agora destravam uma parte dos ganhos represados.

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Entre os destaques estão papéis de grande peso no Ibovespa, como Ambev ON, que subiu 2,41% no dia e acumula ganho de 18,99% em 2019 — o Ibovespa, para fins de comparação, sobe 25,5% no ano. É também a situação de Itaú Unibanco, que ganhou 3,60% hoje, mas avança apenas 10,82% de janeiro até agora. Os dois papéis integram o grupo das “blue chips” da bolsa, que é beneficiado em momentos de elevada liquidez e demanda por renda variável. Subiram também, nesse grupo, Bradesco (2,26% a ON e 2,58% a PN), Banco do Brasil (1,45%), Vale (0,99%) e Petrobras (1,22% a ON e 2,35% a PN).

Segundo gestores e analistas, os fundos institucionais e pessoas físicas ainda são os grandes responsáveis por continuar estimulando o mercado de ações. Isso porque, com o juro baixo e com as perspectivas de retomada da atividade, reforçadas nesta semana pelo resultado do PIB e pela produção industrial hoje, são esses investidores os mais interessados em tomar mais risco.

Especificamente hoje, um fluxo favorável de notícias do exterior foi suficiente para destravar algumas compras entre grandes corretoras estrangeiras, como J.P. Morgan, o que abriu o caminho para os investidores se posicionarem aqui em resposta à expectativa para o crescimento do Brasil.

“O mercado me parece com um certo clima de festa. O PIB veio de fato indicando um crescimento consistente, assim como a produção industrial. E, hoje, o mercado externo também está ajudando, porque qualquer perspectiva de negociação comercial [entre China e EUA] ainda este ano abre algum apetite”, afirma Vicente Matheus Zuffo, gestor da SRM Asset. “O PIB para mim foi o grande elemento que faltava para o mercado e entrarmos 2020 muito bem.”

O dólar comercial oscila ainda acima dos R$ 4,20, mas parece ter se estabilizado nesse nível depois do pico de R$ 4,27 no momento de maior aversão ao risco, na semana passada. Com o momento de maior tranquilidade no câmbio, os negócios na bolsa também são beneficiados do ponto de vista dos estrangeiros, que esperam um mínimo de estabilidade para alocar recursos. Com o ambiente mais calmo no exterior hoje, os ativos brasileiros seguiram em alta também lá fora: o iShares MSCI Brazil, maior fundo de índice (ETF) negociado em Wall Street, terminou com ganho de 1,14% hoje.