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Ibovespa sobe com impulso de Vale e avança mais de 3% na primeira semana após eleição

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, estimulado pelo salto das ações da Vale, em meio a expectativas de alívio nas restrições contra a Covid na China. A sessão também foi marcada por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e noticiário corporativo intenso, com Petrobras sob os holofotes.

Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 1,08%, a 118.155,46 pontos, acumulando um avanço de 3,16% na semana. Na máxima do dia, chegou a 120.039,37 pontos. O volume financeiro no pregão somava 39,5 bilhões de reais.

Apostas de saída da China da estratégia Covid-zero no começo de 2023 voltaram a embalar mercados, mesmo com Pequim refutando recentes rumores nesse sentido, após a Bloomberg publicar que o governo chinês tem um plano para retirar suspensões de voos por causa do vírus.

Uma mudança da China nesse sentido tende a favorecer principalmente commodities, o que explica a disparada de papéis da Vale, uma vez que retiraria um dos componentes negativos para o cenário da atividade econômica global.

Investidores também conferiram números de outubro do mercado de trabalho dos EUA, com criação de vagas acima das expectativas e acréscimo ligeiramente maior do que previsto no ganho médio por hora, embora a taxa de desemprego tenha avançado.

Para economistas da Genial Investimentos, os dados oferecem sinais mistos para a decisão do Federal Reserve em dezembro.

"Esse cenário contribui para aumentar a incerteza quanto à magnitude do aumento da taxa de juros, deixando indefinida se a próxima alta será de 50 ou 75 pontos-base", disseram, lembrando que antes da próxima decisão haverá mais dados de emprego.

Por aqui, movimentações sobre transição de governo seguiram no radar. A perspectiva majoritária de que não terá sobressaltos endossou o viés comprador. A principal questão no mercado é sobre quem será o ministro da Fazenda.

O movimento mais positivo na B3 também tem como pano de fundo compras por estrangeiros, passada a eleição. Nos dois primeiros pregões da semana, as compras feitas por não residentes na B3 superaram as vendas em 2,4 bilhões de reais.

Ainda assim, a equipe da Santander Asset manteve visão neutra para a bolsa brasileira, citando desafios no campo da inflação e do menor crescimento da economia no cenário global.

Eles avaliaram que o nível de preços no Brasil continua atrativo e o final do ciclo de alta dos juros pode sustentar o movimento positivo, mas destacaram que "as definições de política econômica do próximo governo ainda devem trazer ruídos", conforme relatório a clientes.

DESTAQUES

- VALE ON disparou 7,59%, a 72,25 reais, com alta dos futuros de minério de ferro, solidificando ganhos semanais. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA avançou 7,65%, CSN ON saltou 6,34% e GERDAU PN valorizou-se 4,58%.

- PETROBRAS PN caiu 5,51%, a 28,3 reais, mesmo com o avanço petróleo no exterior e alta de 48% no lucro da empresa do terceiro trimestre. O Ministério Público pediu a suspensão do pagamento de dividendos da companhia. O Goldman Sachs já havia cortado a recomendação das ações, citando aumento da incerteza em torno das políticas a serem adotadas nos próximos anos.

- ALPARGATAS PN desabou 15,37%, a 18,89 reais, após a dona da Havaianas reportar queda no lucro trimestral, afetado pela participação na norte-americana Rothy's. O resultado mostrou recuo na margem bruta e no volume de vendas no Brasil. A empresa afirmou estar mais cautelosa com o último trimestre do ano em razão do cenário macro no país.

- AMBEV ON subiu 2,68%, a 16,45 reais. O JPMorgan afirmou que a fabricante de bebidas vem conseguindo manter consistentes aumentos de preços, superando a concorrência sem sacrificar volumes. "O cenário de forte demanda no horizonte devido às atividades de final de ano, incluindo a Copa do Mundo e a melhora do clima, reforçam nossa classificação 'overweight' para Ambev", escreveram.

- BRASKEM PNA tinha elevação de 3,38%, a 33,33 reais. Na véspera, a companhia disse que seu controlador Novonor avisou sobre o início do processo para venda de até a totalidade da participação acionária na petroquímica. Mas afirmou que não há ainda nenhuma concessão de exclusividade para interessados.

- GPA ON perdeu 8,75%, a 20,55 reais, após o dono do Pão de Açúcar mais do que triplicar o prejuízo trimestral. Em teleconferência, executivos da do GPA afirmaram esperar melhora das margens nos próximos anos, com otimização logística, de estoques e administrativas, bem como mudanças nas lojas.

- LOJAS RENNER ON cedeu 4,23%, a 29,18 reais, mesmo após alta de 50% no lucro líquido do terceiro trimestre, uma vez que o crescimento de vendas em mesmas lojas desacelerou, afetadas pelo clima mais frio. Executivos da companhia afirmaram que esperam que as vendas de novembro e dezembro, impulsionadas por Black Friday e Natal, ajudem a varejista de moda a ter resultados próximos das suas estimativas.

- ITAÚ UNIBANCO PN valorizou-se 0,36%, a 30,35 reais, e BRADESCO PN cedeu 1,07%, a 19,4 reais.

- MERCADO LIVRE saltou 7,77%, a 938,57 dólares, em Nova York, após reportar alta no lucro no terceiro trimestre, em desempenho acima das expectativas do mercado, uma vez que o crescimento do seu braço de fintech compensou uma desaceleração no negócio de comércio eletrônico. O Credit Suisse elevou o preço-alvo da ação de 1.400 a 1.450 dólares.

- STONECO perdeu 10,2%, a 10,81 dólares, após anunciar que Pedro Zinner assumirá a presidência-executiva da companhia de meios de pagamento. Thiago Piau, que lidera a empresa desde 2017, vai para o conselho de administração. Zinner já era membro do conselho da StoneCo.