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Ibovespa segue NY e recua, com investidor à espera de safra de balanços

Por Paula Arend Laier

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista caiu nesta sexta-feira, contaminado pela fraqueza de Wall Street e relativa cautela com a temporada brasileira de balanços que começa na próxima semana.

Banco do Brasil foi destaque de alta após oferta secundária de ações.

O Ibovespa caiu 0,27%, a 104.728,89 pontos. O volume financeiro no pregão somou 16,2 bilhões de reais. Apesar do declínio, o Ibovespa encerrou a semana com ganho de 0,86%.

A sessão começou com otimismo, puxado sobretudo pelo desempenho das ações da Petrobras após dados de produção considerados positivos por analistas, mas o fôlego arrefeceu conforme as bolsas em Nova York estenderam perdas. O S&P 500 fechou em baixa de 0,39%.

Nos Estados Unidos, notícias corporativas pesaram, com destaque para nomes como Johnson & Johnson e Boeing, em sessão de agenda econômica mista na China, onde o PIB desacelerou acima do esperado no terceiro trimestre, mas a produção industrial cresceu mais que o previsto em setembro.

"O Ibovespa acompanhou o exterior", afirmou o gestor Ricardo Campos, sócio-fundador da Reach Capital, acrescentando que o noticiário político também não ajudou. "A briga do presidente Jair Bolsonaro com o seu partido põe em dúvida o ritmo da agenda de reformas, que deve voltar a ser tocada pelo Congresso."

A crise no PSL teve início a partir de denúncias sobre irregularidades em campanhas do partido e foi agravada após disputas internas que resultaram em um racha na legenda e, nos mais recentes desdobramentos, na suspensão de cinco deputados sob alegação de que atacaram o partido e seu presidente.

Para o gestor Henrique Bredda, sócio da Alaska Asset Management, o efeito do conflito no PSL tende a ser limitado uma vez que o Congresso tem chamado para si a responsabilidade da pauta de reformas, como no caso da reforma da Previdência.

Ele avaliou que o comportamento comedido do Ibovespa pode decorrer da prudência de investidores para a temporada de balanços. "O mercado pode estar esperando para ver se os resultados refletem sinais de recuperação da economia já apontados em alguns indicadores", disse.


DESTAQUES

- BANCO DO BRASIL ON subiu 2,56%, a 46,06 reais, após sua oferta secundária de ações. Para profissionais de renda variável, a alta refletiu compras especialmente de estrangeiros, que tinham pressionado por preço mais baixo na oferta e ficaram de fora da operação, precificada a 44,05 reais cada.


- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,18% e BRADESCO PN recuou 0,47%. O Bradesco BBI publicou prévia de resultado do terceiro trimestre estimando comportamento estável na base trimestral para o lucro dos principais bancos privados (a análise não inclui Bradesco), argumentando que o melhor mix de crédito será insuficiente para sustentar margens mais altas.


- PETROBRAS PN caiu 0,22% e PETROBRAS ON recuou 0,83%, com a piora dos preços do petróleo contaminando as ações da companhia, que divulgou na noite de quinta-feira dados de produção no Brasil no terceiro trimestre. O analista Gabriel Fonseca, da XP Investimentos, considerou os números positivos, mas em linha com as estimativas.


- ELETROBRAS PN e ELETROBRAS PNB subiram 5,03% e 3,37%, respectivamente, em meio a expectativas de envio do projeto de capitalização da estatal ao Congresso nas próximas semanas, o que deve tornar a União minoritária, bem como o sinal da chinesa State Grid de que não descarta participar da privatização da brasileira.


- VALE ON caiu 1,46%. USIMINAS PNA retrocedeu 0,66%, CSN ON se desvalorizou 1,81% e GERDAU PN cedeu 1,79%.


- COGNA ON, ex-Kroton, recuou 0,28%, após divulgar números de captação de alunos para o segundo semestre. A Guide Investimentos considerou que os resultados vieram fracos, com queda nas rematrículas, redução da base de alunos, e aumento na evasão. "Por outro lado, o aumento na receita de captação mostra alguma reação da companhia", afirmou. No setor, YDUQS ON fechou em alta de 0,08%.


- CYRELA perdeu 1,29%, em sessão de ajustes, após seis altas seguidas, período em que acumulou valorização de 8,6%. Na outra ponta, MRV ON subiu 0,57%.