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Ibovespa segue NY e fecha em alta com recuperação de blue chips

Por Paula Arend Laier

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, ganhando fôlego nas horas finais do pregão, em movimento que seguiu a melhora em Wall Street, com volatilidade ainda dando o tom nos mercados em meio a dúvidas sobre a pandemia do Covid-19.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,7%, a 95.983,09 pontos. O volume financeiro totalizou 23,3 bilhões de reais.

Apreensões com o risco de nova onda de infecções pelo coronavírus, diante da alta no número de casos em Estados norte-americanos e em países como Alemanha e China, e novos ruídos no comércio global pressionaram as ações no começo do pregão.

O Ibovespa chegou a recuar a 94.151,83 pontos no pior momento, com números sobre os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos também minando a confiança dos agentes financeiros.

Na parte da tarde, contudo, as blue chips brasileiras mostraram reação na esteira de Nova York, com Petrobras ajudada ainda pela melhora dos preços do petróleo. Na máxima, o Ibovespa alcançou 96.259,70 pontos.

Wall Street fechou com o S&P 500 em alta de 1%, com ações de bancos disparando antes da divulgação de resultados dos testes anuais de estresse.

Agentes financeiros não veem alívio na volatilidade nos negócios, em meio aos riscos ainda presentes relacionados ao Covid-19, além do noticiário sobre as relações comerciais dos EUA com União Europeia e China.

No Brasil, o cenário de retração econômica, embora traga preocupações com os efeitos nos resultados das empresas, quando combinado com preços sob controle reforça as perspectivas de taxas de juros muito reduzidas, e assim o fluxo para a bolsa.

O Banco Central voltou piorar sua projeção para o PIB em 2020 e agora espera retração de 6,4%, enquanto o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, mostrou uma variação positiva de apenas 0,02% em junho.

Na visão do analista de ações Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, o mercado está travado entre os 98 mil e 94 mil pontos e somente o rompimento de um dos extremos fará o Ibovespa definir um rumo.

"Essa indefinição é uma mistura de temor por uma nova onda de Covid-19 e otimismo diante dos dados econômicos, em especial do setor industrial, que estão surpreendendo", acrescentou.


DESTAQUES

- BRADESCO PN avançou 2,4% e ITAÚ UNIBANCO PN subiu 1,2%, em sessão de recuperação no setor, após as ações de bancos registrarem fortes perdas na véspera.


- PETROBRAS PN fechou em alta de 2,24%, o petróleo avançando cerca de 2% após uma sessão volátil nesta quinta-feira. Ainda no radar, Engie Brasil Energia disse nesta sessão que tem interesse na aquisição de uma fatia remanescente de 10% da Petrobras na empresa de gasodutos TAG e também capacidade financeira para o negócio. PETROBRAS ON subiu 2,1%.


- VALE ON ganhou 1,1%, em sessão sem tendência única para o setor de mineração e siderurgia na bolsa. USIMINAS PNA caiu 0,55%.


- B3 ON valorizou-se 4,46%, reforçando a alta do Ibovespa, em meio a perspectivas positivas para a operadora da bolsa, diante do aumento nos volumes negociados neste mês.


- CCR ON e ECORODOVIAS ON avançaram 9,03% e 5,75%, respectivamente, entre as maiores altas.


- WEG ON subiu 6,88%. O BTG Pactual reiterou recomendação de compra para a ação e elevou o preço-alvo para 52 reais, de 46 reais anteriormente. Os analistas afirmaram que conversaram com a empresa brevemente na quarta-feira e que ficaram positivamente surpresos com o tom otimista da WEG em relação ao segundo trimestre, com as principais linhas de negócios com desempenho ou recuperação melhor do que o previsto inicialmente.


- MARFRIG ON e MINERVA ON cederam 1,55% e 1,52%, respectivamente, em sessão de forte volatilidade no câmbio, com o dólar terminando quase estável em relação ao real. JBS ON perdeu 0,55%. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) decidiu que uma fábrica operada pela JBS deve fechar, revogando uma decisão de primeira instância que lhe permitiu abrir após um surto do coronavírus.


- SABESP ON encerrou com declínio de 1,33%, mesmo após o Senado aprovar o novo marco regulatório do saneamento básico, que entre outras mudanças, facilita privatização de estatais. Analistas citavam algumas incertezas, diante da possibilidade de veto a alguns artigos do projeto. Desde a mínima registrada no ano, em 23 de março, o papel tinha acumulado até a véspera valorização de mais de 100%. Fora do Ibovespa, COPASA ON cedeu 2,81% e SANEPAR UNIT caiu 1,12%.