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Ibovespa se equilibra entre PIB e tensão comercial e varia pouco

Juliana Machado

Bolsa terminou a sessão praticamente estável, em leve alta de 0,03%, aos 108.956 pontos O Ibovespa até ameaçou voltar para o azul no pregão de hoje com o resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no terceiro trimestre, mas as infindáveis tensões comerciais entre China e EUA continuam exercendo pressão em ativos de risco no mundo e limitando os ganhos do mercado de ações por aqui. Dessa forma, o Ibovespa terminou a sessão praticamente estável, em leve alta de 0,03%, aos 108.956 pontos.

Na máxima do dia, o índice chegou a avançar até os 109.198 pontos. No pior momento do dia, foi aos 108.190 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 12,97 bilhões, em linha com a média diária negociada nos pregões de 2019.

O fluxo vendedor na bolsa de valores se reforçou em alguns ativos de peso no Ibovespa, caso de Petrobras (-0,29% a ON e -0,31% a PN) e também do setor de commodities metálicas, com CSN ON (-3,77%) e Vale ON (-1,79%) nos destaques. Essas baixas foram equilibradas pelo desempenho favorável de alguns bancos, como Banco do Brasil (2,02%).

Algumas ações ligadas diretamente ao desempenho da atividade brasileira, que vem demorando para esboçar uma reação mais vigorosa, oscilaram hoje em alta após o crescimento acima do esperado do PIB do país no terceiro trimestre — MRV (7,16%), Gol PN (4,01%), Cyrela (2,33%) e Via Varejo (3,60%) ficaram entre os maiores ganhos do dia. O PIB do Brasil cresceu 0,6% em relação ao segundo trimestre e 1,2% ante igual intervalo em 2018, com boa performance do consumo das famílias e do investimento.

No entanto, o endurecimento do discurso do presidente americano, Donald Trump, em relação à China voltou a pressionar tanto as bolsas americanas, quanto outros ativos de risco, o que pesou nos fluxos para Brasil. Trump afirmou que não tem prazo para firmar qualquer tipo de acordo com os chineses e que isso pode, inclusive, ocorrer somente depois das eleições americanas, em novembro de 2020. Com mais tempo de disputas, mais impactos nos fluxos comerciais são esperados em um mundo já com dificuldades de perseguir uma expansão econômica.

No destaque corporativo, a Smiles ON ficou no pior desempenho do Ibovespa, em forte recuo de 8,85%. O motivo para a queda foi a divulgação das projeções da companhia para o encerramento de 2019 e 2020, que vieram muito aquém das expectativas dos investidores. O faturamento bruto anual da companhia deve avançar entre 11% e 12,5% neste ano e cairá para 5% a 10% no ano que vem, enquanto a margem direta de resgate deve ficar entre 37% e 38% em 2019 para depois cair à faixa de 25% a 30% em 2020.

Segundo o escritório de gestão Blackbird Investimentos, vale destaque também para o desempenho do Banco do Brasil, que avançou 2,02% após o jornal “O Globo” afirmar que a equipe econômica se prepara para começar um processo que poderia levar à privatização do banco estatal até 2022. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) afirmou hoje que não foi informado de discussões a respeito do tema, mas que vê “viabilidade total” para aprovar essa operação no Congresso. O avanço do BB levou consigo a subsidiária de seguros controlada pelo banco, a BB Seguridade (3,88%).

Regis Filho/Valor