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Ibovespa perde fôlego após rali dos últimos dias

Marcelle Gutierrez

Investidores monitoram cena externa, com decisão do BCE e situação entre EUA e China Após o rali nos primeiros três pregões de junho, o Ibovespa perde fôlego, em linha com ajuste também visto nas bolsas estrangeiras. Em três pregões, o índice subiu mais de 6% e fechou ontem nos 93 mil pontos, um patamar que não era alcançado desde o início de março.

Por volta das 13h15, o Ibovespa operava em leve alta de 0,16%, aos 93.160 pontos. Logo na abertura, contudo, chegou a bater a mínima de 92.221 pontos (-0,84%). Na máxima foi aos 93.441 pontos (0,47%).

O volume financeiro está forte para o horário, a exemplo do observado desde o início da semana, com giro de R$ 11,4 bilhões. A projeção até o fim do dia é de R$ 26,6 bilhões.

Em Nova York, o Dow Jones cai 0,01% e o S&P 500 recua 0,30%. Já o principal ETF de mercados emergentes, o EEM, opera em baixa de 1,19%.

“Acredito que hoje não ocorre uma realização de lucros, mas sim um dia de ponderação sobre o que aconteceu nos últimos pregões, principalmente porque não há novidades no noticiário”, comenta Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.

Segundo ele, o movimento visto nos últimos dias segue o mesmo, com excesso de liquidez em um cenário de taxa de juros baixa. “O investidor busca oportunidades em empresas que ficaram para trás. O mercado tem essa postura agora muito pontual e especulativa de busca por barganhas, com preço atrativo e sem fundamento”, comenta Villegas.

Para Henrique Esteter, , analista da Guide Investimentos, o mercado segue o exterior, em tom mais negativo após os dados de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, de 1,877 milhão na semana passada, acima do consenso de 1,8 milhão.

“Os pedidos de seguro-desemprego vieram altos novamente nos Estados Unidos. O BCE chegou a dar uma animada no começo do dia, mas não sustentou”, diz, acrescentando que a falta de notícias relevantes no Brasil hoje também abre espaço para o ajuste, em linha com o exterior.

O fôlego mais cedo, mencionado por Esteter, veio do Banco Central Europeu (BCE), que anunciou um aumento de 600 bilhões de euros em seu programa de compras de ativos da pandemia (PEPP).

O papel mais negociado hoje é Via Varejo ON, com volume de R$ 1,003 bilhão e alta de 1,7%, a R$ 13,71.

A empresa anunciou oferta subsequente de ações, cuja captação pode superar os R$ 4 bilhões. A precificação da oferta será em 15 de junho e os atuais acionistas têm direito de subscrição até 10 de junho.

No curto prazo, os papéis são pressionados pela diluição com a oferta. Por outro lado, o mercado enxerga a captação como positiva para reforço do caixa e investimentos.

AP Photo/Andre Penner