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Ibovespa registra 5º pregão de queda e vai zerando ganhos do ano

Ana Carolina Neira

O clima ficou especialmente ruim hoje em meio a tensão entre EUA e Irã Nem o otimismo exterior foi capaz de mudar o humor dos investidores no mercado local, fazendo o Ibovespa engatar seu quinto pregão seguido em baixa. O índice encerrou a sessão de hoje em queda de 0,26%, aos 115.947 pontos, passando a uma rentabilidade de apenas 0,26% no ano e apagando os ganhos do único pregão de alta deste ano, em 2 de janeiro, quando avançou acima de 2%.

O giro financeiro também foi forte e somou R$ 18 bilhões, a exemplo do que tem acontecido em todas as sessões deste ano, que encerram com um fluxo acima da média de R$ 12,3 bilhões vista em 2019. Para analistas isso acontece porque, apesar do mau humor pontual, a perspectiva para o mercado de renda variável brasileiro segue positivo no médio prazo e especialmente porque as taxas de juros em níveis historicamente baixos obrigam a uma migração de recursos para a bolsa.

O clima ficou especialmente ruim hoje em meio a relatos que envolvem um foguete no distrito de Duijail, no Iraque, próximo à base militar de Balad, que abriga tropas americanas. Antes disso, o resultado abaixo do esperado para a produção industrial brasileira em novembro (queda de 1,2% na comparação a outubro) já frustrava os investidores por aqui, fazendo a bolsa descolar-se do exterior.

O resultado interrompe uma sequência de três meses de avanço na produção e gera certa preocupação em parte dos agentes, o que justifica a queda da bolsa. Nos últimos meses, o Brasil vinha apresentando indicadores melhores, que apontavam para uma recuperação lenta, mas consistente. Porém, a divulgação de hoje renova os temores de que a economia segue patinando e carecendo de estímulos.

A falta de notícias positivas é responsável por impedir o Ibovespa de destravar patamares mais elevados, avalia o sócio-fundador da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti. "Não podemos esquecer que logo no primeiro pregão do ano chegamos aos 118 mil pontos, então é saudável que o índice realize um pouco os lucros. Para a bolsa seguir naquela alta consistente que vinha experimentando até o fim do ano passado precisamos de novas notícias realmente boas e dados melhores", diz.

Reprodução / Facebook

A maior pressão do dia vem do setor bancário: no fechamento, ficaram em baixa Bradesco (-0,98% a ON e -1,60% a PN), Banco do Brasil ON (-2,03%) Itaú PN (-1,99%) e as units do Santander (-1,58%).

O recuo reflete uma fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que o projeto de open banking, que promete abrir o mercado financeiro para competição, é uma das prioridades da instituição. Além disso, a entrada da Caixa Econômica Federal no segmento de atacado, conforme publicado hoje no Valor, também aumenta a disputa no setor.

Outro destaque negativo é Cielo ON (-6,13%), maior queda do índice, com um giro também expressivo que soma R$ 223,2 milhões, muito acima dos R$ 119,2 milhões vistos durante todo o pregão de ontem. O recuo reflete o rebaixamento de recomendação do papel pelo Bradesco BBI, alterada de "neutra" para "venda", com corte de preço-alvo de R$ 7,00 para R$ 6,50.