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Ibovespa recua em dia volátil com megaleilão de petróleo e gás

Por Paula Arend Laier

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, em sessão volátil, em que renovou recorde intradia, com Petrobras concentrando as atenções devido ao megaleilão de áreas para exploração de petróleo e gás no país.

A temporada de balanços no Brasil também permaneceu no radar, com TIM entre as maiores altas após resultado trimestral acima do esperado e expectativa de custos menores è frente.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,33%, a 108.360,22 pontos. Na máxima, antes dos primeiros resultados do certame, chegou a 109.633,14 pontos. O volume financeiro somou 20,4 bilhões de reais.

A Petrobras arrematou dois blocos, incluindo o mais desejado e caro do leilão, Búzios, fazendo uma oferta de 61,38 bilhões de reais para ter 90% de participação --as chinesas CNODC e CNOOC ficaram com o restante, com 5% cada.

A estatal ainda levou sozinha Itapu, com bônus de 1,77 bilhão de reais pago à União pelo bloco. Os blocos Sépia e Atapu, na Bacia de Santos, não receberam ofertas.

As ações da petrolífera chegaram a subir mais de 3% no começo do pregão, mas perderam fôlego com as primeiras notícias do leilão, recuando mais de 5% no pior momento, diante de preocupações com a trajetória de endividamento da empresa.

A ausência de ofertas da companhia para os outros dois blocos e comentários do presidente-executivo da empresa, de que a Petrobras utilizará caixa para completar pagamento de bônus de leilão tiraram as ações das mínimas.

Para o gestor de portfólio Guilherme Foureaux, sócio na Paineiras Investimentos, a bolsa ficou "no zero a zero" na sessão, apesar do ruído gerado pelo leilão de petróleo.

Ele citou que a ausência de investidores estrangeiros decepcionou a expectativa de fluxo de dólares para o país, mas para a Petrobras pode ter sido um bom negócio no médio prazo.

Analistas do Itaú BBA também avaliaram que o resultado do megaleilão adicionou valor à Petrobras, embora eleve o endividamento da companhia, postergando assim os planos de elevação na taxa de remuneração a acionistas.

O governo, por sua vez, também considerou o resultado do leilão positivo, uma vez que pode contribuir para redução do déficit para até 82 bilhões de reais em 2019.

"Nada grave sob a ótica estrutural, nem para Petrobras nem para o governo. O baque inicial da bolsa foi a ausência do investidor estrangeiro", afirmou o analista Raphael Figueredo, da Eleven Financial, em comentários a clientes.


DESTAQUES

- PETROBRAS PN teve avanço de 0,2% e PETROBRAS ON recuou 0,43%, em sessão de forte volatilidade, na esteira do resultado da Rodada de Licitações do Excedente da Cessão Onerosa, tendo de pano de fundo a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.


- TIM PARTICIPAÇÕES ON valorizou-se 4,35%, entre os destaques positivos do Ibovespa, após divulgar na véspera lucro líquido normalizado de 619 milhões de reais no terceiro trimestre, pouco acima dos 607,9 milhões da previsão média de analistas consultados pela Refinitiv.


- NATURA ON encerrou o dia no topo do Ibovespa, após aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da compra da Avon Products sem restrições.


- JBS ON recuou 5,24%, no segundo pregão seguido no vermelho, mas ainda acumula em 2019 valorização em torno de 140%. Conforme noticiado na véspera, quando a ação fechou em baixa de 3,87%, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a rescisão dos acordos de delação premiada firmados pelos ex-executivos Joesley Batista, Wesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva em alegações finais encaminhadas ao ministro Edson Fachin, do STF.


- VALE ON perdeu 0,36%, apesar da alta dos preços do minério de ferro na China. A mineradora divulgou na véspera que a gestora de ativos norte-americana BlackRock reduziu sua fatia na companhia. BRADESPAR PN, que concentra investimento na Vale, cedeu 0,5%.


- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN caíram 1,35% e 0,54%, respectivamente, enquanto BANCO DO BRASIL ON mostrou decréscimo de 0,67%, antes do balanço trimestral, na manhã de quinta-feira.


- AZUL PN recuou 3%, com as companhias aéreas pressionadas pela valorização do dólar. Investidores também aguardam o balanço trimestral da empresa previsto para a quinta-feira. No setor, GOL PN fechou em alta 0,78%.