Mercado fechado

Ibovespa recua com realização de lucros em meio a cautela no exterior

Por Paula Arend Laier
·4 minuto de leitura
.
.

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em leve queda nesta terça-feira, com a hesitação nas bolsas no exterior endossando movimentos de realização de lucros, enquanto Carrefour Brasil subiu após resultado trimestral e Cogna disparou em meio a expectativas para o IPO de sua subsidiária de educação básica.

Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa cedeu 0,35%, a 104.109,07 pontos. O volume financeiro da sessão somou 26,75 bilhões de reais. O declínio veio após alta de 2% na véspera, ampliando a alta do Ibovespa em julho a quase 10%.

No exterior, senadores republicanos nos EUA anunciaram na véspera pacote de 1 trilhão de dólares contra efeitos econômicos do coronavírus, que foi elaborado com a Casa Branca, com o prazo alguns benefícios anteriores terminando nesta semana.

Mas a proposta provocou reação dos democratas, que a consideraram muito limitada em comparação com a proposta de 3 trilhões de dólares aprovada na Câmara dos Deputados em maio, e de alguns republicanos, que a consideraram muito cara.

Para o sócio da Monte Bravo Investimentos Rodrigo Franchini, a bolsa teve uma sessão 'de lado', com investidores monitorando as negociações no Congresso dos EUA.

"O mercado está olhando essa negociação para ver se ela consegue andar e a partir daí ter uma certeza do que pode acontecer", afirmou.

Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,65%, com resultados trimestrais abaixo do esperado e o enfraquecimento da confiança do consumidor também pesando, antes do desfecho da reunião de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira.

No Brasil, a temporada de balanços inclui os números do Carrefour Brasil conhecidos na noite da véspera e os resultados de CSN, Cielo e Minerva, que saem ainda nesta terça-feira. Na quarta-feira, antes da abertura da bolsa, Santander Brasil divulga seu desempenho.

Análise técnica do Itaú BBA citou que o Ibovespa retomará sua caminhada rumo aos 108.800 e sua máxima histórica em 120 mil pontos se superar os 105.500 pontos, mas que, para isso, demais mercados internacionais devem superar suas máximas recentes.

DESTAQUES

- CARREFOUR BRASIL ON teve alta de 5,34%, após salto de quase 75% no lucro ajustado do segundo trimestre ante mesmo período de 2019, ajudado pela aceleração de vendas em meio à pandemia da Covid-19 e por esforços para controle de despesas. No setor, GPA ON subiu 3,21%.

- B3 ON recuou 1,51%, em meio a movimentos de realização de lucros, uma vez que registrou máximas históricas na última semana. Apenas neste mês, os papéis acumulam alta de mais de 17%, em meio ao otimismo com o mercado de capitais.

- COGNA ON avançou 8,04%, tendo no radar IPO nos EUA de sua unidade de educação básica, que deve ser precificado nesta semana. Parte dos recursos da oferta, que foi anunciada com faixa indicativa de preço de 15,50 a 17,50 dólares por ação, será usada para pagamento de dívida com a Cogna.

- VALE ON caiu 1,68%, com a fraqueza de futuros do minério de ferro e aço na China abrindo espaço para ajuste da ação, que na véspera saltou 4,7%. No setor, CSN ON, que divulga resultado ainda nesta terça-feira, subiu 0,49%

- SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 1,32%, na véspera da divulgação do balanço do segundo trimestre. No setor, BRADESCO PN caiu 0,68% e ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,58%. BANCO DO BRASIL ON ganhou 0,34% e BTG PACTUAL UNIT caiu 3,24%.

- VIA VAREJO ON teve acréscimo de 7,93%, entre os destaques positivos. No setor, MAGAZINE LUIZA ON subiu 1,32% e B2W ON fechou com elevação de 1,1%.

- CIELO ON caiu 2,29%, antes do balanço previsto para esta terça-feira.

- TIM ON subiu 2,13% e TELEFÔNICA BRASIL PN valorizou-se 2,45%, após, em conjunto com a América Móvil, dona da Claro, elevarem proposta para comprar os ativos móveis da Oi, por 16,5 bilhões de reais. OI ON e OI PN, fora do Ibovespa, dispararam 15,82% e 44,27%, respectivamente.

- WEG ON recuou 3,95%, em sessão de correção, após renovar na véspera cotação recorde. Até a véspera, o papel acumulava alta de 38,5% apenas no mês, com forte impulso do resultado trimestral divulgado na semana passada.

- PETROBRAS PN cedeu 1,72% e PETROBRAS ON caiu 1,6%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior.

- AES TIETÊ UNIT desabou 8,35%, após sua controladora norte-americana AES vencer uma disputa com a elétrica brasileira Eneva pela aquisição de uma fatia do BNDES na empresa de geração renovável. ENEVA ON perdeu 2,14%. As ações não fazem parte do Ibovespa.