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Ibovespa recua com dados da economia, mas acumula alta na semana

Por Peter Frontini
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Por Peter Frontini

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa teve a segunda queda seguida nesta sexta-feira, com agentes do mercado reagindo a dados da atividade econômica do Brasil, e mantendo a cautela diante do surto do coronavírus.

O Ibovespa caiu 1,11%, a 114.380,71 pontos. Mas na semana, o índice ainda teve alta acumulada de 0,54%. O volume financeiro da sessão foi de 19,75 bilhões de reais.

A atividade econômica do Brasil perdeu força no fim de 2019, segundo o IBC-Br, considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), com aumento de 0,89% no ano, dado abaixo do consenso do mercado para o PIB, de 1,12% em 2019.

Para Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset, o dado mostra que a recuperação da economia do país está mais lenta do que o esperado.

"Pelo fato de estar próximo das máximas, (o índice) não está se sustentando, a retomada econômica decepcionou, os dados não surpreenderam positivamente e o mercado está revisando a projeção do PIB para baixo", disse Spyer, acrescentando que diante do cenário, uma realização de lucros é natural.

"Mas seguimos otimistas, os juros devem se manter baixos, atraindo mais investidores, as reformas estão andando e o risco país continua caindo", afirmou.

Em Wall Street, as bolsas encerraram a semana com tendências mistas, antes do feriado de segunda-feira nos Estados Unidos.

No âmbito internacional, o surto do coronavírus continua se propagando, com o número de infectados chegando a 63.851 pessoas e o Egito confirmando o primeiro caso da doença no país.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o impacto no cenário doméstico ainda é difícil de ser calculado.

"Impactos econômicos ainda incertos, mas podem ser significativos caso a epidemia se mantenha por um tempo prolongado", afirmou.


DESTAQUES

- RUMO recuou 3,28%. A empresa teve lucro líquido de 202 milhões de reais no quarto trimestre, acima da previsão média de analistas consultados pela Refinitiv, de 183,5 milhões de reais, com desempenho operacionalmente fraco.


- USIMINAS perdeu 4,35%, após divulgar balanço. A siderúrgica também informou que não tem perspectiva de retomar a produção na usina de Cubatão antes de 2024. No setor, GERDAU PN caiu 3,2%.


- BTG PACTUAL recuou 4,24%, mesmo após divulgar alta de 42% no lucro líquido do quarto trimestre, em linha com as expectativas de analistas. Os papéis do banco acumularam alta de mais de 10% nos últimos três pregões.


- VALE ON perdeu 2,19%, anulando a alta acumulada m uma semana.


- IRB BRASIL disparou 5,64%. A empresa envolvida em uma disputa com a gestora carioca Squadra havia acumulado queda de 26,83%, desde o início da polêmica, em 3 de fevereiro, até véspera.


- PETROBRAS ON caiu 0,97%, e PETROBRAS PN cedeu 1,01%. O presidente-executivo da empre afirmou nesta sexta-feira que "Nenhuma gota de petróleo deixou de ser produzida (por conta da greve)". No exterior, os contratos futuros do petróleo tiveram forte alta.


-ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,69%, na quarta queda consecutiva. BRADESCO PN desvalorizou-se 2,25% e SANTANDER BR UNT caiu 2,7%.