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Ibovespa traça caminho de recuperação e avança

Ana Carolina Neira

Fala do presidente americano e retomada parcial dos preços do petróleo e minério contribuem para pregão positivo Os investidores parecem respirar mais calmos após o pânico que assolou os mercados globais ontem, aproveitando para reparar os excessos cometidos na segunda-feira. Com isso, o Ibovespa acompanha alguns pares internacionais e opera com valorização. Em Nova York, os negócios registravam volatilidade, mas os índices acionários de Nova York subiam nesta tarde. Os mercados da Europa registraram alta no começo do dia, mas fecharam no campo negativo.

Às 16h42, o Ibovespa subia 6,75%, aos 91.881 pontos. Nas máximas do dia, chegou aos 91.967 pontos.

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A alta está apoiada em anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que deve promover um corte de impostos sobre a folha de pagamentos, em montante que pode chegar a aproximadamente US$ 8 bilhões. Além disso, outros países como Alemanha e Japão também atuam para promover estímulos econômicos para lidar com os efeitos do coronavírus.

"Apesar de não haver nada concreto, as bolsas apoiam essa recuperação de hoje em fundamentos técnicos e também na expectativa de algo será feito pelos Bancos Centrais para evitar uma recessão global. Ontem caiu muito, não havia como não corrigir hoje", afirma Marcos Lorio, gerente de gestão de investimentos da Integral Investimentos.

Os analistas ressaltam que a recuperação tende a ser pontual, uma vez que o mercado ainda monitora os efeitos econômicos do coronavírus e também da queda de braço em torno dos preços e produção do petróleo no mercado externo. Isso também explica porque a bolsa desacelerou um pouco na última hora.

Em relatório, a Guide Investimentos traça um cenário de volatilidade para o curto prazo por conta do nível de incertezas. "Continuamos recomendando cautela em função da alta volatilidade que tem caracterizado – e deve seguir caracterizando no curto prazo – os mercados globais. Mesmo que o caminho para remediar a crise tenha sido tomado, tomando como base as últimas crises, o mercado ainda tende a oscilar muito ao longo do processo", escrevem os analistas.

Em dia de alta generalizada no Ibovespa, as mais relevantes entre elas são Petrobras (7,57% a ON e 8,16% a PN), Vale ON (18,69%) e Usiminas PNA (8,33%). O grupo se beneficia não apenas do clima mais positivo, mas também da recuperação parcial nos preços do petróleo (8,32% o Brent e 10,37% o WTI) e do minério de ferro (alta de 4,7%). Estes três ativos também são os mais negociados de todo o mercado à vista.

Os papéis de varejo também passam por uma recuperação intensa: Lojas Renner ON (8,02%), Magazine Luiza ON (8,37%) e Via Varejo ON (10,96%) figuravam entre as maiores altas do Ibovespa.

Já o recuo mais expressivo vem da Ambev ON (-1,23%) após o Itaú BBA ter retirado o papel de sua carteira recomendada. Em relatório, os analistas do banco ainda apontam que a Heineken investirá R$ 865 milhões em expansão no Brasil "levanta nossas preocupações sobre a pressão competitiva da Ambev."

O resultado trimestral abaixo do esperado e a intensa concorrência com a Heineken justificam o movimento de venda visto hoje.

Silvia Zamboni/Valor