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Ibovespa passa por realização de lucro e dólar sobe com ajuste

Ana Carolina Neira, Marcelle Gutierrez, Marcelo Osakabe e Victor Resende

Investidores avaliam dados econômicos brasileiros e desempenho do PIB americano O Ibovespa operou no terreno negativo durante toda a manhã desta sexta-feira, com os investidores reagindo à ausência de grandes catalisadores. Apesar do clima mais positivo das bolsas , o movimento interno é de realização, após duas semanas de altas consistentes do Ibovespa.

Às 13h30, o índice da Bolsa paulista recuava 0,23%, aos 114.872 pontos e um giro financeiro de R$ 5 bilhões, dentro do esperado para o horário. O índice ganha 6,1% no mês. Conforme as festas de fim de ano chegam, analistas afirmam que é natural que a bolsa já tomando um ritmo mais desacelerado e com liquidez reduzida. Além disso, há muitas bolsas operando nas máximas ao redor do mundo, inclusive a brasileira, o que justifica as vendas vistas hoje.

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Entre as maiores altas do dia, o principal destaque são as ações do setor siderúrgico e Vale ON (1,33%). Os papéis preferenciais da Gerdau e Gerdau Metalúrgica tinham alta de 4,38% e 3,45%, respectivamente, enquanto as ações ordinárias da CSN avançavam 1,89%. As ações PNA da Usiminas, por outro lado, cediam 0,43%.

Entre as baixas, destacam-se B2W Digital ON (-2,73%), MRV ON (-2,16%) e Via Varejo ON (-1,87%). Analistas observam que é natural que todas estejam inseridas no contexto de realização, uma vez que avançaram bastante conforme o Ibovespa batia uma sequência de recordes nos últimos dias. Os ativos refletem diretamente as melhores perspectivas para a economia local, além de terem algumas histórias específicas igualmente bem avaliadas pelo mercado.

Câmbio

O dólar comercial opera em leve alta nesta sexta-feira, em um ajuste após a forte queda das últimas semanas. O movimento é ajudado pelo exterior, onde sinais de que a economia dos Estados Unidos ainda apresenta resiliência contribuem para o dólar a se fortalecer.

Por volta das 13h30, a moeda americana avançava 0,43%, aos R$ 4,0794.

Na terceira e última estimativa sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre de 2019, o Departamento do Comércio apontou expansão anualizada de 2,1% em linha com a mediana das projeções dos economistas. Já a renda pessoal cresceu 0,5% em novembro, superando a previsão de alta de 0,3%.

Internamente, o que e vê é a moeda americana recompondo prêmio antes das festas de fim de ano após um forte recuo nas primeiras semanas de dezembro, diz Jefferson Lima, responsável pela mesa de câmbio e juros da CM Capital. Caso encerre o pregão neste patamar, o dólar ainda terá acumulado queda de 0,70% na semana e 3,80% no mês.

Lima nota que este movimento ocorre apesar do ajuste visto nos juros futuros após o IPCA-15. “Os dados voltaram a empinar a curva de juros, sugerindo que os investidores começam a ver maior chance de o Copom subir juros mais cedo”, diz.

A prévia da inflação divulgada pelo IBGE para dezembro veio em 1,05%, acumulando alta de 3,91% em 2019. O número foi maior que a mediana de 0,95% das projeções coletadas pelo Valor Data, e ocorreu principalmente pelo salto dos preços da carne.

Juros

Depois de um início de pregão sem sinal único, os juros futuros chegaram ao início da tarde em alta consistente, dando prosseguimento à forte recomposição de prêmio observada um dia antes. A perspectiva de uma retomada mais robusta do crescimento econômico continua no foco dos agentes, assim como os dados de inflação acima do esperado em dezembro.

Destaque do dia, o IPCA-15 apresentou alta de 1,05% na passagem de novembro para dezembro, acima da estimativa de consenso do mercado (+0,95%). Os choques na oferta de proteína animal foram os principais responsáveis pela alta do indicador e, na avaliação de Alberto Ramos, chefe de pesquisa do Goldman Sachs para América Latina, continua a ver os núcleos de inflação em níveis baixos.

Ramos acredita que os núcleos e a inflação de serviços bem comportados devem dar conforto ao Banco Central (BC) quanto ao prosseguimento do ciclo de afrouxamento.

Por volta de 13h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 ficava em 4,66%; a do DI para janeiro de 2022 avançava de 5,46% para 5,48%; a do contrato para janeiro de 2023 subia de 6,06% para 6,10% e a do DI para janeiro de 2025 ia de 6,72% para 6,76%. No mesmo horário, o dólar era negociado a R$ 4,0814 (+0,48%) no segmento à vista.

Além do IPCA-15, continuou a predominar no mercado de juros a percepção de que o crescimento econômico brasileiro pode ser ainda mais forte do que o previsto anteriormente. “Conforme observado pelo Banco Central, a atividade econômica ‘ganhou tração’, e esperamos que continue, mesmo se a produção industrial tiver tido desempenho inferior em novembro”, afirmam os economistas do Barclays.

Para eles, o FGTS deve continuar a impulsionar as vendas no varejo, ao mesmo tempo que a flexibilização monetária iniciada em julho também pode começar a dar apoio à atividade, “principalmente porque os indicadores de crédito se expandem em um ritmo de dois dígitos”. O Barclays espera que a Selic continue inalterada em 4,5% no início do ano e vê uma normalização na taxa de juros no fim do próximo ano.