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Ibovespa opera estável com destaque para Itaú; dólar tem leve baixa

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Para analistas, o movimento é um misto de cautela diante da cessão onerosa e uma realização técnica O Ibovespa opera estável nesta terça-feira. Para analistas, o movimento é um misto de cautela diante das dúvidas em torno do leilão da cessão onerosa marcado para amanhã e também de uma realização técnica esperada após o índice atingir novos recordes no pregão de ontem – na máxima intradiária, ele chegou aos 109.352 pontos.

Às 13h45, o Ibovespa operava em queda de 0,25%, aos 108.512 pontos. Nas máximas deste pregão, foi aos 109.343 pontos.

O giro financeiro dá uma boa dimensão da intensa movimentação da bolsa hoje e já soma R$ 6 bilhões, número bastante expressivo para o horário.

Entre os destaques do dia estão os papéis preferenciais do Itaú Unibanco, que reportou seus resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre deste ano. A ação subia 1,86%, cotada a R$ 37,15 e era a segunda maior alta do índice. Assim, falta muito pouco para que o papel bata seu preço máximo histórico de R$ 37,30 – atingida em 28 de outubro.

O fluxo financeiro do Itaú também é alto e já soma R$ 1 bilhão, muito acima dos R$ 366,5 milhões registrados em todo o pregão de ontem – é o papel mais negociado de todo o mercado à vista.

Itausa PN (1,51%), a holding que controla o Itaú Unibanco, também avança e atingiu seu maior preço da história mais cedo, em R$ 14,25.

Apesar de ter apresentado números abaixo da média das projeções de analistas consultados pelo Valor, os investidores repercutem com otimismo os resultados do banco.

Em relatório distribuído a clientes, o Citibank destaca que o Itaú apresentou qualidade estável dos ativos e apresenta melhores tendências para o setor de cartões de crédito quando comparado aos seus concorrentes, justamente a linha em que o Itaú mais cresce.

"Para o próximo ano, dado o crescimento do varejo e as menores reversões de reservas, deve ser natural que as provisões cresçam mais rapidamente, embora a administração não queira antecipar orientações", diz o texto, que ainda acredita que o maior banco privado brasileiro terá uma distribuição de dividendos "significativa" no futuro, o que tende a agradar o mercado.

Para analistas, ainda são destaques os segmentos de pessoas físicas e de micro, pequenas e médias empresas também são destaques do período, junto com as operações com grandes empresas, que também tiveram desempenho positivo, revertendo uma tendência dos últimos anos.

O Itaú Unibanco obteve lucro líquido recorrente de R$ 7,16 bilhões no terceiro trimestre, alta de 11% ante igual período do ano passado. O número veio abaixo da média das projeções de analistas consultados pelo Valor, de R$ 7,21 bilhões.

Para Rodrigo Barreto, analista da Necton, apesar do movimento global mais positivo, a bolsa brasileira ainda encontra certa dificuldade para avançar demasiadamente hoje. "Há um clima melhor no geral, mas lá fora também não vemos as bolsas subindo demais. Como o mercado já vinha em uma alta muito forte, é normal dar uma recuada hoje. Acredito, inclusive, que o Ibovespa possa retornar aos 107 mil pontos e ainda assim seria normal. Por hoje, todas as atenções ficam nas dúvidas em torno da cessão onerosa e desses medidas entregues em Brasília", diz.

Ele se refere à apresentação do pacote de reformas econômicas que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, levaram ao Congresso. Para o Senado, serão enviadas a PEC da emergência fiscal, a PEC dos fundos e o pacto federativo. Já a reforma administrativa e mudanças no processo de privatização começarão a tramitar na Câmara dos Deputados.

Em relação à cessão onerosa, pelo menos três das 14 empresas interessadas em participar do leilão desistiram do negócio por enxergar preços muito elevados. Assim, há um certo temor de que a entrada de recursos a partir do certame não seja tão alta quanto previsto.

Apesar da alta do petróleo no exterior, Petrobras ON caía 0,70% e PN srecuava 1,22%, limitando os ganhos do Ibovespa e também seguindo um movimento de realização de lucro no papel já observado ontem.

"Há um certo temor de como isso pode impactar o total de recursos obtidos e de que o segundo dia de leilões seja ainda mais fraco. Havia muita expectativa em torno do leilão da cessão onerosa e agora muitas dúvidas sobre como ele será de fato, deixando o investidor mais cauteloso", explica o gestor Vitor Miziara, da Criteria Investimentos.

Vale ON (-0,56%), em um dia em que o preço do minério de ferro está estável (+0,04%) também enfrenta perdas e ajuda a pressionar o Ibovespa. Entre as principais quedas do índice estavam, há pouco, JBS ON (-2,88%), Lojas Renner ON (-2,68%) e Gol PN (-2,27%). A maior alta era de BB Seguridade (2,17%).

Julio Bittencourt/Valor

Dólar

Após um início de dia volátil, o dólar comercial se firmou em leve baixa neste pregão, influenciado por uma ata menos favorável a estímulos do Copom e ainda na expectativa pelo resultado do megaleilão da cessão onerosa. Por volta das 13h40, a moeda americana cedia 0,45%, aos R$ 3,9931.

Lá fora, o ambiente é misto para os pares emergentes e ligados a commodities. Se, por um lado, a mídia americana informa que a Casa Branca estaria disposta a retirar tarifas sobre até US$ 112 bilhões de importações chinesas, a última exigência de Pequim nos dias que antecedem a assinatura da fase 1 do acordo, por outro, dados melhores que o esperado da economia local voltaram a dar força ao dólar.

Segundo o ISM, o PMI de serviços subiu a 54,7 em outubro, acima do consenso de 53,5. Após a divulgação do dado, os futuros dos fed funds não passaram a não apontar novo corte de juros nos EUA até o fim de 2020, segundo cálculos do CME Group.

Por aqui, houve algum alívio com o tom da ata do Copom. Um ciclo de cortes menor beneficia o real porque não comprime tanto o diferencial de juros com o exterior. “A ata basicamente sinalizou que, dependendo dos dados, o Copom pode inclusive parar de cortar juros quando chegar em 4,5%”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Além dos fatores do dia, permanece a expectativa pelo resultado do leilão. Segundo apurou o Valor, algumas empresas têm adotado cautela diante do suposto apetite da Petrobras, que estaria exigindo altos valores como compensação pelos investimentos já realizados nos blocos, entre outras reclamações.

“Caso a competitividade do leilão não seja tão grande, o volume arrecadado pode não ser tão grande como o esperado”, diz Beyruti. A expectativa com a entrada de dólares provenientes do leilão é um dos fatores que ajudou a moeda americana a se desvalorizar no Brasil nas últimas semanas.

Em relatório a clientes, o Credit Suisse estima em pelo menos US$ 6,4 bilhões o volume que entrará até o final deste ano por causa do pagamento do bônus de assinatura - a depender do ágio, metade do desembolso pode ser postergado para junho do ano que vem. O número considera que apenas duas áreas receberiam ofertas e que a Petrobras ficaria com 65% de cada uma.

Os analistas do banco, no entanto, acreditam que o cenário mais provável é uma entrada de cerca de US$ 9 bilhões e esse número pode subir a US$ 18 bilhões. Para fins de comparação, o fluxo cambial este ano até o último dia 25 está negativo em US$ 21,1 bilhões.

Juros

Enquanto os investidores ainda buscam calibrar suas apostas para o juro básico no próximo ano, os sinais emitidos pelo Copom voltaram a chacoalhar o mercado de juros. Após uma manhã de fortes ajustes, as taxas futuras chegaram ao início da tarde em alta, mas em níveis menos expressivos do que os observados antes.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 passava de 4,76% para 4,753%; a do DI para janeiro de 2021 subia de 4,49% para 4,50%; a do contrato para janeiro de 2023 avançava de 5,42% para 5,47%, após chegar a 5,55% na máxima do pregão; e a do DI para janeiro de 2025 ia de 5,99% para 6,03%, após tocar 6,10% no pico do dia.

“O BC deixa claro que é preciso ter cautela quanto a possíveis cortes adicionais e aparenta estar um pouco mais preocupado com a transmissão da política monetária, já que o juro básico está nas mínimas históricas”, afirma Danilo Alencar, trader de renda fixa da Sicredi Asset. “Vemos hoje um movimento de fundos locais ajustando carteiras após o tom do BC. O investidor local estava muito vendido em taxa”, diz Alencar.

Dados da B3 indicam que os investidores nacionais continuam vendidos em taxa, apostando majoritariamente na queda dos juros, encerrando a segunda-feira com posição líquida doada em taxa no total de 3.505.028 contratos em aberto. Já o investidor estrangeiro mantém firme a posição comprada, encerrando a segunda-feira com posição tomada em taxa de juros com 2.488.020 contratos em aberto.

Para Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, o Copom tende a ser mais conservador, independentemente do governo ou de sua composição e, por isso, buscou frear as expectativas do mercado de um ciclo de afrouxamento muito mais agressivo. “Ver o juro a 4% ou abaixo seria extremamente arrojado para um comitê conservador como o nosso. O mercado ficou decepcionado com o que ouviu”, diz.