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Ibovespa opera em alta com ajuda do exterior mais positivo

Ana Carolina Neira

Investidores seguem atentos aos impactos da pandemia nas economias O Ibovespa opera em alta nesta sessão, mas desacelerou os ganhos na última hora. O otimismo ainda está presente nos mercados diante das iniciativas do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e do Banco do Japão (BoJ) para estimular as economias por meio da compra de ativos financeiros, além do plano de infraestrutura avaliado em US$ 1 trilhão que deve ser lançado pelo governo americano.

No entanto, a declaração de Jerome Powell, presidente do Fed, de que a economia americana ainda tem um longo caminho a percorrer antes de reverter os danos causados pela pandemia de coronavírus diminui um pouco o apetite por risco.

Às 16 horas, o Ibovespa subia 1,62%, aos 93.871 pontos. Nas máximas, foi aos 95.216 pontos. Já o giro financeiro é bastante forte para o horário e somava R$ 19,5 bilhões, quase o dobro do esperado para o horário. Nos mercados americanos, o Dow Jones ganhava 2% enquanto o S&P 500 subia 1,90% e o Nasdaq tinha valorização de 1,6%.

O pano de fundo para o pregão ainda otimista, apesar da cautela com a fala de Powell e do medo de uma segunda onda de contágio por coronavírus, acontece após a notícia de que as vendas no varejo americano subiram 17,7% entre abril e maio, enquanto o consenso do mercado indicava uma alta de 7,7%, foi muito bem recebida entre os agentes. Para analistas, o número é extremamente positivo e demonstra que a economia americana pode estar cada vez mais afastada de uma recuperação em "U", como o mercado vinha estimando.

Na avaliação de Fábio Galdino, gerente de renda variável da Vero Investimentos, a bolsa brasileira ainda consegue resistir por permanecer com um preço atrativo calculado em dólar e também pelo excesso de liquidez nos mercados.

"Ainda teremos dados econômicos negativos nos próximos meses, mas foram tantos estímulos econômicos que ninguém vai ficar com o dinheiro queimando na mão. Esse excesso de liquidez tende a beneficiar os ativos de países emergentes e é uma tendência que será reforçada com essa perspectiva de uma Selic ainda mais baixa", diz, referindo-se ao anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que deve levar a taxa básica de juros da economia dos atuais 3% ao ano para 2,25% amanhã. Quanto mais baixos os juros, maior o fluxo de dinheiro para renda variável em busca de rentabilidade.

Hoje, os maiores suportes para o Ibovespa vem de Bradesco (3,02% a ON e 3,12% a PN), Itaú PN (2,63%), Petrobras (4,64% a ON e 3,53% a PN), units do Santander (3,75%) e Vale ON (2,97%). A mineradora, junto com as siderúrgicas Usiminas PNA (4,09%), Gerdau PN (9,67%), Gerdau Metalúrgica PN (8,41%) e CSN ON (7,73%) estão entre as maiores altas do dia, refletindo o avanço no preço do minério de ferro na China.

Silvia Zamboni/Valor