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Ibovespa opera em baixa e dólar volta a R$ 4,17 com frustração com varejo

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Investidores avaliam desempenho do varejo no penúltimo mês de 2019 e acompanham cena externa A decepção dos investidores com o volume de vendas no varejo – que subiu somente 0,6% em novembro – fez a bolsa brasileira descolar-se de seus pares americanas e operar em queda durante toda a manhã. O movimento intensificou-se na última hora, com o índice marcando 116.258 pontos nas mínimas do dia. Às 15h30, o Ibovespa cedia 1,13%, aos 116.298 pontos.

Os números traduzem a cautela dos investidores diante de mais um indicador abaixo do esperado, assim como já havia acontecido com as leituras dos setores de serviços e indústria recentemente. Havia grande expectativa de que as vendas da Black Friday e os saques do FGTS seriam responsáveis por um importante impulso para as vendas no varejo, o que não aconteceu.

Com isso, também aumentam as apostas de um corte de 0,25% na taxa Selic em fevereiro, com chances de o Banco Central (BC) testar uma taxa nas mínimas históricas mais uma vez. Porém, é uma medida capaz de trazer benefícios para a renda variável somente no médio prazo, graças ao fluxo natural de recursos que a bolsa brasileira poderia atrair diante de juros tão baixos. No imediato, fica a decepção com a situação econômica.

Matthew Lloyd/Bloomberg

Na avaliação de Vitor Miziara, gestor da Criteria Investimentos, o mercado já começa a questionar a real tração da recuperação econômica e os impactos disso no Produto Interno Bruto (PIB). "Falávamos em um PIB acima de 2% no fim do ano, mas se os indicadores começam a vir fracos, o mercado fica sem saber se essas projeções otimistas irão se sustentar", diz, ponderando que esta última leva de indicadores podem trazer resultados aquém do esperado apenas pontualmente. "O que realmente vai mudar o mercado é se tivermos isso se repetindo ao longo do ano, mas acho que isso não vai acontecer."

Ele ressalta ainda que os investidores já começam a fazer as contas não só dos dados oficiais, mas também das reformas pendentes na agenda do governo e que eventualmente serão comprometidas por causa das eleições municipais. "Estamos sem notícias realmente positivas e uma série de entraves pela frente, por isso que no curto prazo os investidores vão vendendo", afirma o gestor.

Câmbio

As vendas menores que o esperado do varejo em novembro voltaram a colocar em dúvida o ritmo de recuperação da economia brasileira no final do ano passado. Como resultado, o real voltou a se desvalorizar fortemente, descolando dos pares emergentes. Por volta das 15h30, a moeda americana era negociada a R$ 4,1759, alta de 1,12%. Mais cedo, o dólar chegou a tocar 4,1840 na máxima intradiária, maior patamar desde 6 de janeiro, quando atingiu R$ 4,1935.

“Acredito que houve uma importante diluição do bom humor do mercado com atividade. O dado confirma o que havia saído de produção industrial e volume de serviços”, diz Cleber Alessie Machado, operador da H. Commcor. “É preciso lembrar que boa parte da melhora recente do real ocorreu após o dado do PIB, a revisão da perspectiva de rating pela S&P e pelo acordo entre Estados Unidos e China. O mercado apostava em melhora da economia, só que aposta agora ficou mais fraca e isso enfraquece o discurso comprador do real”, acrescenta.

Já Victor Beyruti, economista da Guide, diz que, "de certa forma, foi um balde de água fria, visto que os dados setoriais de outubro vieram muito positivos. "A economia ainda dá sinais de recuperação, mas de forma muito mais moderada do que imaginávamos.”

O cenário de crescimento em ritmo mais moderado que o imaginado reduz a perspectiva de que o país volte a atrair capitais estrangeiros interessados em investir no Brasil. Adicionalmente, ele também fazem crescer as apostas de que o BC possa voltar a cortar juros na próxima reunião, em fevereiro, o que também contribui para diminuir a atratividade do real.

No exterior, o dólar opera em queda na comparação com pares desenvolvidos, mas tem desempenho misto frente a emergentes, com mercados aguardando a assinatura da primeira fase do acordo entre Estados Unidos e China. As variações, no entanto, são bem mais tímidas.