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Ibovespa acentua perdas, pressionado pelas ações da Petrobras

Ana Carolina Neira

Índice já operava em queda, com influência do exterior mais pessimista com avanço de covid-19 e tensão comercial Em um pregão marcado pela busca global por proteção, com os investidores mais cautelosos diante do avanço no número de casos de coronavírus, o Ibovespa opera em baixa com pressão adicional do setor bancário e da Petrobras.

Perto das 13 horas, o índice recuava 2,33%, aos 93.734 pontos, pouco após atingir a mínima do dia, aos 93.259 pontos. O giro financeiro também ganhou impulso e soma R$ 10 bilhões, acima da média para o horário. O fluxo do dia é justamente puxado pelos setores citados acima, com as ações figurando entre os ativos mais negociados de todo o mercado à vista.

Há pouco, BB ON (-3,46%), Bradesco (-2,39% a ON e -3,29% a PN), Itaú PN (-3,91%), units do Santander (-4,44%) e Petrobras (-3,29% a ON e -3,46% a PN) operavam com fortes perdas e explicando o intenso recuo do índice.

De acordo com analistas, além do clima já pessimista que invade o mercado hoje, os investidores também analisam discussões feitas no Congresso Nacional que poderiam aumentar a tributação sobre os bancos. Tal medida estaria sendo discutida no contexto de socorro econômico imposto pela crise do coronavírus.

Já a Petrobras reflete a queda acentuada dos preços do petróleo no mercado internacional (-6,38% o Brent e -6,81% o WTI), que ocorre após a notícia de que os estoques de petróleo nos Estados Unidos subiram o equivalente a 1,442 milhão de barris na semana encerrada no dia 19 de junho, a 540,722 milhões, de acordo com dados com ajuste sazonal divulgados hoje pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês). A alta veio bem acima do projetado por analistas. Após a divulgação dos dados, o petróleo acelerou perdas e passou a operar perto das mínimas do dia.

Mais cedo, o Ibovespa abriu e já operava em baixa nesta sessão, seguindo os índices globais. O principal temor que assombra o mercado hoje é o aumento no número de casos de coronavírus em países que reabriram suas economias, especialmente os Estados Unidos. Além disso, o mercado também não reagiu bem ao fato de que os Estados Unidos planejam taxar uma série de produtos europeus. De acordo com a agência "Bloomberg", a Casa Branca avalia taxar US$ 3,1 bilhões em produtos da França, da Alemanha, da Espanha e do Reino Unido.

O principal destaque negativo do dia é Cielo ON (-10,19%), que lidera as perdas do Ibovespa desde a abertura. O movimento de venda acontece após o Banco Central suspender o sistema de pagamentos via WhatsApp que vinha funcionando no aplicativo desde o dia 15 em uma parceria com a credenciadora. Hoje, os investidores optam por se desfazer dos papéis diante das incertezas sobre o futuro da operação do serviço.

Andre Penner/AP