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Ibovespa não segura 100 mil pontos e fecha em queda com exterior desfavorável

Por Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, sem conseguir sustentar o patamar dos 100 mil pontos reconquistado momentaneamente no começo do pregão, dada a ausência de catalisadores e o viés externo negativo para ativos de risco.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 99.160,33 pontos. Na máxima, chegou a 100.191,24 pontos, superando os 100 mil pontos pela primeira vez desde março. Na mínima, bateu 98.860,83 pontos. O volume financeiro do pregão somou 26,4 bilhões de reais.

Em Wall Street, ações de tecnologia sustentaram nova máxima para o Nasdaq, mas o S&P 500 e o Dow Jones recuaram diante de receios com o risco de novo lockdown para conter a disparada de casos de Covid-19 nos Estados Unidos.

O estrategista Odair Abate, da Panamby Capital, observou que o exterior não ajudou no pregão, bem como não foi conhecido nenhum dado interno excepcional, enquanto a bolsa brasileira tem subido bastante nos últimos dias.

Para ele, a queda desta quinta-feira não se trata de reversão de tendência, mas uma "parada ligeira" com alguma realização de lucros. "Sem fato novo, com sinais de alguma recuperação da economia e o Ibovespa ainda aquém dos pares, o mercado ainda é para cima."

Desde os 61.690,53 pontos registrados no pior momento do ano, em março, por causa da pandemia de Covid-19, o Ibovespa já acumula alta de mais de 60%.

Na visão do estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira, o Ibovespa ainda tem espaço de alta, principalmente em relação a outras opções de investimentos, dado o cenário de juros baixos no país, mas pondera que esse 'upside' diminuiu.

"Do movimento total de recuperação, desde os 60 mil pontos, sem dúvida, boa parte já aconteceu", afirmou.


DESTAQUES

- BRASKEM PNA caiu 7,02%, entre as maiores quedas do Ibovespa, após forte alta na véspera. A petroquímica informou que a Defesa Civil incluiu 1.918 imóveis para desocupação nos bairros Mutange, Bom Parto, Pinheiro e Bebedouro, em Maceió, no contexto do evento geológico em Alagoas. A empresa ainda estimou o montante de 850 milhões de reais referente a potenciais medidas de apoio aos moradores das novas áreas.


- CCR ON e ECORODOVIAS ON recuaram 4,93% e 3,29%, respectivamente. Antes da abertura, Ecorodovias reportou queda de quase 19% no volume de tráfego consolidado no período de 16 de março a 7 julho em relação a intervalo similar em 2019.


- IRB BRASIL RE fechou em baixa de 0,21%, reduzindo as perdas no começo do pregão, quando chegou a recuar quase 11%, a 8,31 reais, após a resseguradora aprovar aumento do capital até 2,3 bilhões de reais com emissão de ONs para subscrição privada a 6,93 reais por papel, com diluição potencial entre 24,7% e 26,4% dos atuais acionistas.


- LOJAS AMERICANAS PN avançou 10,12%, com papéis de varejo entre os destaques positivos, com VIA VAREJO ON subiu 7,21%, seguida por B2W ON e MAGAZINE LUIZA ON, com altas de 4,13% e 3,52%, respectivamente. Em entrevista à Reuters, o presidente do Banco Central disse que a diferença entre o grande volume já pago em auxílio emergencial e o que foi efetivamente gasto indica que há um consumo represado que continuará aquecendo a economia.


- ELETROBRAS PNB e ELETROBRAS ON valorizaram-se 9,39% e 8,6%, ainda tendo no radar expectativas relacionadas a sua tão esperada e adiada privatização. Nem comentário misto do presidente da Câmara dos Deputados sobre o assunto esfriaram o ímpeto dos papéis. O índice do setor elétrico fechou quase estável.


- PETROBRAS PN cedeu 2,25% e PETROBRAS ON recuou 2,87%, na esteira da queda dos preços do petróleo no exterior. O Brent fechou em queda de 2,2%, a 42,35 dólares por barril.


- VALE ON recuou 1,57%, mesmo com alta dos preços dos contratos futuros do minério de ferro na China pela quinta sessão consecutiva.


- ITAÚ UNIBANCO PN reagiu e fechou com variação positiva de 0,04%, enquanto BRADESCO PN caiu 2,23%, corroborando a fraqueza do Ibovespa.


- GOL PN cedeu 0,66%, abandonando os ganhos da abertura, mesmo após atualização sobre sua situação de liquidez, incluindo que tem mais de 12 meses de caixa disponível, bem como dados preliminares no segundo trimestre. No setor, a Latam Airlines disse que incluiu sua unidade no Brasil em seu pedido de recuperação judicial. AZUL PN fechou em baixa de 2,93%.