Mercado fechado

Ibovespa mantém nível de 111 mil pontos e dólar opera quase estável

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Investidores aguardam reuniões de política monetária previstas para esta semana e acompanham desenrolar da disputa comercial EUA-China O Ibovespa consegue manter o fôlego neste primeiro pregão da semana, ainda que de maneira mais comedida. Com uma agenda vazia e sem grande catalisadores no Brasil e no exterior, os investidores atuam monitorando a disputa comercial entre China e Estados Unidos e sob expectativa por importantes decisões de política monetária ao longo da semana.

No exterior, o clima é semelhante: há certo otimismo, mas os agentes permanecem atentos a qualquer revés e preocupados com a disputa comercial. Com uma nova rodada de tarifas sobre bens chineses prestes a entrar em vigor no próximo domingo, uma autoridade do Ministério do Comércio da China afirmou hoje que o país asiático espera que as negociações comerciais com os EUA cheguem em um resultado "satisfatório" o mais rápido possível.

Uma das preocupações acerca do assunto é a queda nas exportações chinesas em novembro, que demonstraram fragilidade devido ao menor número de produtos enviados aos Estados Unidos. Os envios cederam 1,1% no penúltimo mês de 2019, quando comparado com um ano antes, após um recuo de 0,9% em outubro. O mercado aguardava alta de 1% e o fato reacende as preocupações de uma desaceleração da atividade global, ajudando a manter os investidores mais atentos ao cenário global.

Pixabay

Às 13h25, a alta do Ibovespa era de 0,16%, aos 111.308 pontos. Entre as mínima e as máximas, o índice foi dos 111.015 pontos aos 111.453 pontos, com um giro financeiro bem forte para o horário e que já soma R$ 6 bilhões. Caso continue assim, o fluxo observado até o fim da sessão será de R$ 14,4 bilhões.

O grande destaque do dia é a Smiles ON (18,30%), que abriu o dia subindo acima de 20% e lidera os ganhos do Ibovespa desde então. O ativo chegou a ficar entre os cinco papéis mais negociados de todo o mercado à vista.

O giro dele segue forte e já soma R$ 207 milhões, muito acima dos R$ 50,3 milhões negociados durante todo o pregão de sexta-feira, valor que foi ultrapassado ainda na primeira hora de negociação.

Na sequência, aparece Gol PN (4,88%), segunda maior alta do índice durante quase toda a manhã.

A movimentação reflete a nova proposta da Gol – controladora da Smiles e que detém 53% de seus ativos – para retirar as ações desta segunda da bolsa, que já era esperada por alguns analistas de mercado. Em relatório da semana passada, o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo da empresa de fidelidade de R$ 44 para R$ 35, indicando que já esperavam que os papéis fossem deslistados no início de 2020.

Segundo os analistas do banco, a Smiles enfrenta um cenário desafiador, com alta concorrência dos programas de fidelidade de companhias concorrentes da Gol e o aumento crescente nos preços das passagens aéreas pesa sobre os resultados da companhia. Eles determinaram recomendação neutra às ações devido ao “potencial limitado de crescimento e ao fluxo de notícias negativo relacionado ao novo plano de negócios de cinco anos e à revisão extraordinária de passagens aéreas com a Gol”.

Os acionistas da Smiles poderão escolher entre duas alternativas de pagamento, recebendo mais ou menos ações preferenciais da Gol.

Entre as maiores baixas do Ibovespa estão JBS ON (-2,99%) e Intermédica ON (-2,25%).

Câmbio

O dólar comercial oscila próximo da estabilidade nesta segunda-feira, com investidores aguardando as reuniões de política monetária dos próximos dias. Antes das 13h30, a moeda americana cedia 0,17%, aos R$ 4,1395.

A pouca amplitude nas oscilações desta manhã denota que o mercado está de lado aguardando os eventos da semana. No exterior, as oscilações também são pequenas, com duas notáveis exceções: o dólar avançava contra a lira turca, de um lado, e recuava frente o peso chileno, na outra ponta.

Esse compasso de espera só deve acabar na tarde da quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve dar início a uma bateria de decisões de política monetária que contará com Comitê de Política Monetária (Copom), no mesmo dia, e Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira.

A expectativa é por manutenção da política monetária nesses três casos, mas o investidor deve ficar atento para a sinalizações dos dirigentes para os próximos meses. No Brasil, atenção também à forma como o Copom irá se comunicar, diz Victor Beyruti, economista da Guide. "Fica a expectativa sobre qual será a sinalização após os dados fortes de atividade e inflação que tivemos na semana passada. O mercado está dividido sobre se haverá espaço para mais um corte de 0,25 pnoto porcentual em fevereiro ou o Copom sinalizará pausa."

Além dos BCs, lembra Beyruti, há ainda expectativa sobre a conclusão das negociações para a assinatura da primeira fase do acordo comercial entre EUA e China, que precisa acontecer esta semana para que a nova rodada de tarifas a produtos chineses não entre em vigor no próximo dia 15. "Se não houver acordo, é possível que o dólar volte a operar perto de R$ 4,20."

O enfraquecimento do dólar em todo o mundo foi o fator que mais contribuiu para a valorização do real na última semana, nota o Rabobank em relatório. "O dólar cedeu terreno para frente a maior parte das divisas, com poucas exceções, como o won sul-coreano e a lira turca, enquanto o índice DXY caiu 0,6%. Fatores domésticos também ajudaram, em especial a publicação do PIB do terceiro trimestre", afirma o banco holandês.

Juros

Os juros futuros rondaram os ajustes nesta segunda-feira, dia de noticiário escasso, com os agentes do mercado à espera de decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A perspectiva de um corte de 0,50 ponto percentual no juro básico continua majoritária no mercado, enquanto a perspectiva para a Selic em 2020 já se mostra ligeiramente maior, como indica o Boletim Focus, do Banco Central (BC).

Por volta de 13h30, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 estava estável a 4,60%; a do DI para janeiro de 2022 se mantinha em 5,21%; a do contrato para janeiro de 2023 ia de 5,72% para 5,70%; e a do DI para janeiro de 2025 recuava de 6,35% para 6,34%.

A expectativa majoritária dos investidores indicam uma nova queda de 0,50 ponto percentual para o juro básico, que passaria a ser de 4,50% na noite de quarta-feira. É o que indica, ainda, a pesquisa semanal Focus conduzida pelo BC.

O holandês ING é uma das instituições a ver um cenário mais conservador a ser trilhado pelo BC. Em nota enviada a clientes, o economista-chefe do banco para América Latina, Gustavo Rangel, avalia que a flexibilização monetária no Brasil deve chegar a uma conclusão definitiva nesta quarta-feira. “Acreditamos que a política monetária está prestes a entrar em um período prolongado de inação, e o ambiente acomodatício que veio para ficar ajudará a acelerar as mudanças em andamento nos mercados de crédito locais e aprofundará a recuperação”, escreve Rangel.

O ING nota, ainda, que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também deve acelerar no próximo ano e passar de 1,2% em 2019 para 2,6% em 2020, nível acima dos 2,2% esperados anteriormente pelo banco. Na Focus, a estimativa de expansão da economia no próximo ano está em 2,24%, mas a estimativa mediana do mercado para o IPCA se manteve inalterada em 3,60%, indicando que as perspectivas inflacionárias continuam inalteradas.

Operador da Renascença, Luis Laudisio nota que o dia é de movimentação mais amena no mercado de juros futuros, diante da proximidade da reunião do Copom e, também, do Fed.