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Ibovespa recua de volta à realidade sem avanços de fato sobre PEC e ministério de Lula

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, após forte alta na véspera, sem trégua nas incertezas relacionadas ao rumo fiscal no país e à equipe ministerial do novo governo, principalmente quem ocupará o Ministério da Fazenda.

Às 11:52, o Ibovespa caía 1,09%, a 110.607,44 pontos, acumulando até o momento declínio de cerca de 4,7% na semana. O volume financeiro no dia somava 5,2 bilhões de reais.

A expectativa é de que o fechamento antecipado dos pregões em Nova York, ainda relacionado ao feriado do Dia de Ação de Graças na véspera, reduza a liquidez no mercado brasileiro.

Na quinta-feira, o Ibovespa saltou 2,75%, em sessão com o volume bem abaixo da média, afetado também pela estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Notícias de que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva não será intervencionista na Petrobras, bem como de que o economista Pérsio Arida pode integrar o novo governo, serviram como argumento para investidores locais irem às compras.

Mas o fôlego não se sustentava nesta sessão, uma vez que segue aberta a questão sobre o ministério de Lula e a PEC da Transição não apresenta avanços concretos, embora a sinalização seja de que o texto final possa ser menos ruim, na visão do mercado, do que a primeira proposta.

A falta de acordo político levou a mais um adiamento da apresentação do PEC que, na melhor das hipóteses, deve ser protocolado pelo autor, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), apenas na terça-feira da semana que vem.

Para Werner Roger, gestor e sócio-fundador da Trígono Capital, o mercado está refletindo a preocupação fiscal e ainda o desconforto com o noticiário mostrando Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, como favorito para assumir a Fazenda.

Ele chamou a atenção para a forte queda de papéis de consumo, varejo e tecnologia, em razão justamente do receio de que um descontrole fiscal possa exigir que o Banco Central adie planos de reduzir a taxa Selic.

No exterior, a última sessão da semana era de variações comedidas em Wall Street, que fechará mais cedo, com investidores monitorando de perto as grandes varejistas em meio às vendas da Black Friday.

DESTAQUES

- MAGAZINE LUIZA ON cedia 4,72%, a 3,43 reais, com o setor de varejo como um todo na ponta negativa, apesar da Black Friday, uma vez que o cenário macroeconômico do país não referenda otimismo para as compras na data ou no final do ano, em período ainda marcado pela Copa do Mundo. AMERICANAS ON recuava 1,16% e VIA ON caía 5,02%. Na véspera, o trio mostrou forte valorização.

- B3 ON perdia 3,08%, a 12,27 reais, devolvendo parte do avanço da véspera, quando fechou em alta de 5,6%.

- PETROBRAS PN caía 0,87%, a 24,04 reais, corrigindo parte da alta da quinta-feira, mesmo com a elevação dos preços do petróleo no exterior, uma vez que persistem incertezas sobre o futuro da companhia com a troca de governo no país. Investidores estão na expectativa da primeira reunião da equipe de transição do governo eleito com o presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, agendada para a próxima segunda-feira.

- VALE ON avançava 0,95%, a 82,22 reais, em dia de alta de mineradoras e siderúrgicas, conforme os futuros do minério de ferro ampliaram o rali na China, amparados em medidas de suporte reveladas para o setor imobiliário chinês, embora os casos recordes de Covid-19 no país asiático preocupem. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange encerrou as negociações diurnas com alta de 3,3%. CSN MINERAÇÃO ON subia 1,37%.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuava 2,15%, a 26,36 reais, e BRADESCO PN cedia 1,6%, a 15,39 reais.

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(Por Paula Arend Laier)