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Ibovespa fecha a semana no negativo apesar da alta na véspera do feriado

Juliana Machado

Receios em relação a países latino-americanos têm pesado sobre o mercado brasileiro e contribuíram para a queda de 1% na semana O último pregão de uma semana mais curta devido ao feriado da Proclamação da República reservou ao Ibovespa uma recuperação modesta. Embora os receios na frente internacional, sobretudo com ativos latino-americanos, continuem mantendo o sinal amarelo ligado no mercado, o Ibovespa conseguiu ganhar terreno na faixa dos 106 mil pontos, embalado pela correção de curto prazo das baixas recentes e pela expectativa de retomada da atividade brasileira.

O principal índice da bolsa fechou hoje com alta de 0,47%, aos 106.557 pontos. Na máxima, o índice chegou a tocar os 106.758 pontos, enquanto o giro financeiro do dia foi de R$ 13,2 bilhões. Chama a atenção o volume ter ficado hoje acima da média diária negociada nos pregões de 2019, mesmo na véspera de feriado.

Na semana, porém, os receios na frente externa cobraram seu preço na renda variável, levando o Ibovespa a acumular uma queda de 1%. O medo entre os investidores cresceu depois da renúncia do então presidente da Bolívia, Evo Morales, e também dos violentos protestos no Chile. Como os estrangeiros costumam olhar para os emergentes e ativos latino-americanos como um bloco, os acontecimentos contaminaram a leitura de risco na região — e levaram o Brasil, que é um mercado mais líquido, a ser utilizado como forma de “tapar prejuízos” nas carteiras globais, gerados por outros locais.

A apreensão com a situação política da América Latina continua pressionando a demanda global pelo risco, com reflexo direto sobre bolsas e moedas da região. Das 70 ações integrantes do Ibovespa, 39 ficaram no vermelho no acumulado da semana, sendo 31 com perdas acima do próprio índice.

Hoje, porém, o mercado abriu, após as perdas, uma oportunidade de corrigir excessos em algumas ações mais líquidas, como se viu em Banco do Brasil (1,22%) e Itaú Unibanco (0,65%). A Petrobras (-2,13% a ON e -2,01% a PN) e a Vale (-0,25%), porém, seguiram no campo negativo no fim das negociações.

Além de um ajuste técnico promovido hoje, também animou o investidor o resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de setembro, que mostrou avanço de 0,44% na virada do mês, ligeiramente acima das expectativas, de 0,39%.

O dado, que é visto como uma referência do Produto Interno Bruto (PIB), reforça a leitura de que há alguma recuperação da economia, ainda que muito gradual. Não por menos, as maiores altas desta tarde ficaram espalhadas entre diversos setores diretamente dependentes da atividade doméstica, como Cogna (antiga Kroton, com alta de 6,41%), Lojas Renner (4,89%), Yduqs (ex-Estácio, com ganho de 4,70%), brMalls (4,57%), B2W (4,27%) e Magazine Luiza (4,12%).

Maior alta do Ibovespa, a Via Varejo (8,26%) viu seus investidores se animarem com a perspectiva de que os próximos trimestres reservem um desempenho melhor para a companhia do que o intervalo de julho a setembro. Passada, portanto, a frustração com o balanço e com a informação sobre supostas irregularidades contábeis, os agentes de mercado voltaram a demandar fortemente o papel hoje.

A temporada de balanços também movimentou os piores desempenhos do Ibovespa. A MRV (-3,69%) foi uma das companhias a ver a diminuição da exposição do investidor ao papel, depois que o balanço nesta semana mostrou compressão de margens e contingências. O Credit Suisse cortou, inclusive, a recomendação do papel para venda depois que a velocidade de vendas desagradou os analistas do banco.

A maior baixa ficou com a Braskem PNA (-5,51%), que publica o balanço ainda hoje. Em queda desde o começo da tarde, a ação piorou o desempenho com a proximidade da entrega dos dados, na expectativa de que o trimestre mostre venha fraco, segundo analistas da indústria petroquímica. A previsão média é de que a Braskem apresente prejuízo de R$ 293 milhões, revertendo o lucro bilionário apurado no terceiro trimestre de 2018.