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Ibovespa fecha o dia em queda com exterior e política local, mas sobe na semana

Ana Carolina Neira

O índice encerrou o dia com desvalorização de 1,03%, aos 82.173 pontos, e giro financeiro de R$ 17,3 bilhões, um pouco abaixo da média para os pregões deste ano O Ibovespa operou no negativo durante todo o pregão desta sexta-feira (22), marcado pela contaminação do humor dos investidores estrangeiros com os novos conflitos entre China e Estados Unidos e também pela expectativa com revelações importantes envolvendo o presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o fato de esta ser a última sessão da semana também trouxe cautela adicional ao mercado, que preferiu buscar proteção sem saber o que acontecerá no cenário político local e quais os desdobramentos da pandemia ao longo do fim de semana.

Após ajustes, o Ibovespa encerrou o dia com desvalorização de 1,03%, aos 82.173 pontos. O giro financeiro foi de R$ 17,3 bilhões, um pouco abaixo da média para os pregões deste ano.

No entanto, a semana foi bastante positiva para o índice, que acumula ganhos de 5,95% no período.

Ao longo da sessão, as atenções ficaram concentradas na expectativa com a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, em que, segundo o ex-juiz Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro declara sua intenção de interferir na Polícia Federal para defender a própria família. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou o acesso ao conteúdo às 17h02, logo após o fechamento dos mercados.

O vídeo, no entanto, deve ter impacto limitado nos mercados, afirmam gestores. Para eles, até agora, não foi revelado nada de novo, além do comportamento explosivo do presidente, já bastante conhecido.

"Do que vimos até agora, nada de novidade. Toda essa questão do vídeo já estava bem precificada e só haveria maior peso nos mercados caso houvesse algo realmente nebuloso. O que vimos é apenas esse jeito mais 'grosseiro' de falar do presidente", afirma Eduardo Prado, sócio da RJ Investimentos.

Ele ressalta, ainda, que é preciso analisar o fato de que a bolsa brasileira está com um dos piores desempenhos do mundo desde o início da crise do novo coronavírus e a consequente crise política, havendo pouco espaço para deterioração ainda maior. No ano, o Ibovespa perde 28,94%.

Há pouco, o Ibovespa futuro avançava 1,05%, aos 84.120 pontos, demonstrando que o vídeo em questão não compromete o presidente e afastando a possibilidade de uma nova crise política. O alívio acontece em um momento oportuno, em que Bolsonaro vem demonstrando um tom mais ameno com governadores e líderes do Centrão.

Porém, diante da incerteza do que seria divulgado, os investidores buscaram proteção durante a tarde, comprando papéis mais defensivos, como do setor elétrico, que passaram a liderar as altas do Ibovespa.

Destaques

No fechamento, Eletrobras (=8,26% a ON e +5,82% a PNB), CPFL Energia ON (+2,95%), Cemig PN (+2,27%) e Equatorial ON (+4,85%) estavam entre as principais altas do índice. Sabesp ON (+5,12%) também apresentava fortes ganhos.

Entre as principais quedas do dia ficaram Cogna ON (-7,66%) e Lojas Renner ON (-6,52%), que apresentaram balanços trimestrais aquém do esperado pelo mercado. A também varejista Cia Hering ON (-8,03%) liderou as perdas do dia, em um movimento que pode ser visto ainda em outras lojas do setor, que registrou fortes quedas com os resultados do primeiro trimestre, reflexo da pandemia.