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Ibovespa fecha em queda sob pressão de Vale e Itaú Unibanco

·3 minuto de leitura
Homem confere variação das cotações de ações e de índices na B3, em São Paulo.

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, chegando a ficar abaixo dos 115 mil pontos no pior momento, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as principais pressões, enquanto Bradespar figurou entre as maiores altas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,96%, a 115.062,54 pontos. No pior momento, chegou a 114.741,16 pontos.

O giro financeiro somou 46,4 bilhões de reais, influenciado pelo vencimento de opções de Ibovespa.

Uma combinação negativa de fatores domésticos seguiu pesando nas ações. Entre eles componentes, o diretor de investimentos da Reach Capital, Ricardo Campos, destacou o revés do governo no Senado na MP das redes sociais, que "atrapalha um pouco a sensação de que o clima entre os poderes estava apaziguado".

O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, anunciou na véspera a devolução MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro que alterava o Marco Civil da Internet e limitava a remoção de contas, perfis e conteúdos em redes sociais.

A decisão, que na prática implica rejeição da proposta, reforça o tom mais cauteloso para a pauta de reformas e outros temas em Brasília, como o dos precatórios, que segue sob os holofotes no mercado.

Também trouxe desconforto, segundo Campos, comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o governo deve um Bolsa Família mais robusto à população, mesmo ponderando que a conta de precatórios em 2022 inviabiliza a expansão do programa.

O Itaú BBA cortou o preço-alvo do Ibovespa no fim de 2021, de 152 mil para 120 mil pontos, citando o aumento de riscos fiscais, mas também deterioração na perspectiva macroeconômica do país e um cenário hídrico desafiador.

O cenário externo também trouxe divulgações que reforçaram as vendas de ações, com o economista sênior do Banco ABC Brasil Daniel Xavier destacando dados econômicos na China.

"Tanto o varejo como a indústria desaceleraram mais do que o esperado em agosto, alimentando preocupações sobre o enfraquecimento da economia global – com reflexo nos exportadores brasileiros e empresas de commodities."

As operações na B3 ainda refletiram negócios ligados ao vencimento de opções sobre ações, na sexta-feira, que tem entre as séries mais líquidas papéis com peso relevante no Ibovespa.

O Ibovespa descolou de seus pares norte-americanos, com o S&P 500 fechando em alta de 0,85%.

DESTAQUES

- VALE ON caiu 2,5%, na esteira da queda dos contratos futuros do minério de ferro na China, que atingiram o nível mais baixo em nove meses, com recuo na produção de aço aumentando temores quanto à demanda pela commodity.

- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,62% e BRADESCO PN recuou 0,89%, com receios fiscais e perspectivas piores para o crescimento pressionando o setor como um todo. BANCO INTER UNIT, que mostrou forte valorização nos últimos dois pregões, passou por ajustes e caiu 3,48%.

- MAGAZINE LUIZA caiu 2,41%, em sessão negativa para o e-commerce. AMERICANAS ON cedeu 4% e VIA ON encerrou em baixa de 2,98%. Na contramão, MERCADO LIVRE, negociada em Nova York, subiu 1,77%.

- PETROBRAS PN valorizou-se 1,74%, endossado pela forte alta dos preços do petróleo, inflando ainda PETRORIO ON, que teve acréscimo de 7,44%.

- BRADESPAR PN avançou 5,23%, após aprovar bonificação em ações, bem como distribuição de ações da Vale a seus acionistas - a ser aprovada em assembleia em 15 de outubro - e desdobramento de ações. Analistas avaliam que o movimento deve reduzir o desconto de holding.

- GOL PN subiu 2,59%, após acordo de codeshare exclusivo com a American Airlines válido por três anos, em que receberá um investimento em ações de 200 milhões de dólares (1,05 bilhão de reais).

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