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Ibovespa fecha em queda em meio a incertezas sobre retomada global

Marcelle Gutierrez

O cenário mais negativo vindo do exterior segurou, inclusive, o desempenho de papéis de peso, como Vale, Bradesco e Ambev Preocupações em torno da recuperação da atividade econômica global deram o tom às bolsas no Brasil e exterior, após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e Alemanha. O cenário mais negativo no exterior segurou, inclusive, o desempenho de papéis de peso no Ibovespa após a divulgação de balanços do segundo trimestre de 2020, como Vale, Bradesco e Ambev.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em baixa de 0,56%, aos 105.009 pontos. Na mínima, aos 103.920 pontos, a queda foi mais acentuada, de 1,6%.

A mínima do Ibovespa foi atingida pela manhã, em linha com a abertura das bolsas em Nova York, pressionados pela queda de 32,9% do PIB dos EUA e de 10,1% da Alemanha.

O resultado negativo do desempenho da economia americana e alemã já era esperado, em função do impacto da pandemia. Em um primeiro momento, entretanto, os dados despertaram uma aversão ao risco pelo fato de o PIB alemão ter vindo acima do esperado, de contração de 9%, e pelo americano ter sido o pior desde a Grande Depressão de 1929.

O Dow Jones chegou a cair perto de 2%. No fechamento, entretanto, as baixas foram de 0,85% e de 0,38% no S&P 500. O Nasdaq subiu 0,43%.

De volta ao Ibovespa, o volume financeiro nesta sessão totalizou R$ 22,5 bilhões, acima da média diária de julho, de R$ 20,3 bilhões, e do ano, de R$ 20,4 bilhões.

O maior giro foi registrado por Vale ON, de R$ 1,97 bilhão, seguido por Ambev ON (R$ 1,64 bilhão), Bradesco PN (R$ 1,54 bilhão) e Petrobras PN (R$ 1,31 bilhão).

Tanto Vale, como Ambev e Bradesco divulgaram balanços do segundo trimestre de 2020 considerados positivos pelo mercado, mas ofuscados pela aversão ao risco vinda do exterior e pelo fato de os papéis terem subido na véspera na expectativa dos resultados. Vale ON fechou em queda de 2,67%, Ambev ON de 3,96% e Bradesco PN recuou 3,50%.

Petrobras PN caiu 1,51% e a ON recuou 2,14%, em linha com a queda de 1,85% do petróleo Brent para setembro, a US$ 42,94 o barril, também com dados da economia americana.

Ontem, Vale ON subiu 4,33% e, após o fechamento, informou lucro de R$ 5,289 bilhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o prejuízo de R$ 384 milhões. A receita subiu 12,3%, para R$ 40,4 bilhões. A retomada do pagamento de dividendos pela Vale também foi um ponto positivo, mas já esperado pelo mercado.

Já Bradesco PN subiu 4,59% ontem e a ON (4,15%), impulsionados pela expectativa de um resultado positivo após outro banco divulgar seus números, o Santander. Hoje, o Bradesco informou lucro de R$ 3,873 bilhões no segundo trimestre, queda de 40,1%.

Ambev ON, por outro lado, chegou a subir 5,1% na cotação máxima do dia de hoje, de R$ 15,92, com resultado considerado melhor do que o esperado pelo mercado.

O Credit Suisse, em relatório, destacou o volume de venda de cerveja no Brasil, que caiu “somente” 1,6%, e analisou que a empresa “soube navegar muto bem por meses especialmente difíceis”.

A Ambev divulgou hoje, antes da abertura do mercado, lucro líquido de R$ 1,226 bilhão no segundo trimestre de 2020, queda de 51,3% ante o mesmo período de 2019. A receita líquida recuou 4,36%, para R$ 11,61 bilhões.

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