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Ibovespa fecha em queda com novo tombo de Americanas; Magazine Luiza e Via disparam

Bolsa de Valores B3

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, em outra sessão minada por preocupações com os desdobramentos de problemas contábeis da Americanas, principalmente o risco de um pedido de recuperação judicial pela varejista e seus desdobramentos, com a ação desabando cerca de 40%.

A queda nos preços do minério de ferro aumentou a pressão, dado o efeito nas ações de Vale. Sem a referência dos negócios em Wall Street por feriado nos Estados Unidos, os estrangeiros têm estado na ponta compradora.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,54%, a 109.212,66 pontos. O volume financeiro somou 18,4 bilhões de reais, de média diária de 23,6 bilhões de reais neste ano.

Na visão do gestor Daniel Alberini, sócio na CTM Investimento, a queda refletiu a conjunção de alguns fatores, sendo o "mais quente" os eventos relacionados à Americanas, o que acaba contaminando as ações de bancos - pela exposição à dívida da empresa dado o risco de uma recuperação judicial.

Alberini ainda chamou a atenção para a fraqueza de commodities como o minério de ferro e o petróleo, assim como para a ausência das bolsas de Nova York, em razão do feriado de Martin Luther King nos EUA, destacando que o estrangeiro é que vem sendo o grande comprador de países emergentes e de Brasil.

De acordo com dados da B3, o fluxo de capital externo no mercado secundário de ações está positivo em 2,4 bilhões de reais em 2023 até o dia 12 de janeiro.

Investidores também continuam analisando o conjunto de medidas econômicas apresentando pelo novo governo, com um plano de ajuste de até 242,7 bilhões de reais nas contas de 2023, anunciado na semana passada.

Na visão do Morgan Stanley, a tentativa do Ministério da Fazenda de reduzir a significativa derrapagem fiscal é uma mensagem positiva.

"Ainda assim, provavelmente reduziria nossa projeção de déficit fiscal primário para 2023 em apenas 40 pontos-base (de -1,2% para -0,8%), aquém do necessário para reverter a potencial deterioração fiscal", avaliam o economista-chefe do banco, Andre Loes, e o economista Thiago Machado, em relatório a clientes.

À tarde, agentes financeiros ainda repercutiram notícia da Agência Estado/Broadcast de que Lula avalia elevar o salário mínimo em 2023 para acima de 1.320 reais.

Em paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo decidiu manter reduzidas as alíquotas do IPI para sinalizar à indústria que pretende avançar com a reforma tributária, reforçando que o objetivo é aprovar a mudança no sistema de tributos sobre consumo ainda neste semestre.

Do ponto de vista técnico, a equipe do Itaú BBA disse que o Ibovespa abriu espaço para um movimento de realização de lucros no pregão de sexta-feira e encontrará próximos suportes em 108.100 e 106.700 pontos. "Do lado da alta, o grande desafio da semana será superar a região dos 113.800", afirmou.

DESTAQUES

- AMERICANAS ON desabou 38,41%, a 1,94 real, enquanto o mercadoavalia desdobramentos das inconsistências contábeis de 20 bilhões de reais, com a empresa conseguindo liminar de proteção contra credores e anunciando a contratação da Rothschild para renegociar a dívida. A CVM abriu um terceiro processo contra a companhia, que também a nota de crédito cortada pela Moody's.

- MAGAZINE LUIZA ON disparou 12,24%, a 3,85 reais, e VIA ON saltou 10,55%, a 2,62 reais. Para analistas do Morgan Stanley, uma eventual recuperação judicial deve acelerar a participação de mercado da Americanas, com Mercado Livre provavelmente liderando para captura de market share e Magalu e Via entre os potenciais beneficiários. O movimento das varejistas descolou da trajetória de outros papéis atrelados a consumo, com o índice do setor caindo 1,31%, na esteira do aumento da inclinação da curva de juros futuros.

- BTG PACTUAL UNIT recuou 3,38%, a 21,46 reais, em meio a receios sobre a exposição do banco às dívidas da Americanas. No fim de semana, o BTG recorreu da liminar que protege a varejista de credores. Analistas vinham chamando a atenção para a exposição do banco e de outras instituições financeiras à companhia. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,08% e BRADESCO PN perdeu 3,07%.

- AMBEV ON declinou 4,9%, a 13,20 reais, contaminada pelo caso Americanas. Os acionistas de referência da varejista também controlam a fabricante de bebidas. O Morgan Stanley reforçou recomendação 'underweight' para ações da Ambev, esperando números fracos para o quarto trimestre, e enxergando riscos ligados aos ambientes macroecômico e concorrencial no Brasil.

- C&A ON disparou 11,52%, a 2,71 reais, chegando a 3,13 reais no melhor momento, após o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicar que a Lojas Renner tem negociações preliminares para a compra da C&A no Brasil. Procuradas pela Reuters, a Lojas Renner e a C&A preferiram não comentam. A C&A ainda afirmou que "segue intensamente focada no desenvolvimento dos seus planos de negócio no país". LOJAS RENNER ON cedeu 2,04%, a 19,73 reais.

- EMBRAER ON subiu 3,94%, a 16,37 reais, após receber pedido firme para 15 novos aviões E195-E2, avaliado em 1,17 bilhão de dólares a preço de lista. A fabricante de aeronaves não divulgou o comprador e afirmou que o pedido será adicionado à carteira do quarto trimestre de 2022. Para analistas do Citi, a notícia é, "pelo menos, ligeiramente positiva".

- VALE ON caiu 1,67%, a 92,25 reais, na esteira do recuo dos preços futuros de minério de ferro na Ásia, com relatos de aumento das mortes por Covid-19 na China renovando as preocupações com a demanda. O contrato de minério de ferro mais negociado em Dalian encerrou em queda de 4,3%. Na Bolsa de Cingapura, o minério de ferro de fevereiro recuou 4,4%.

- PETROBRAS PN perdeu 2,16%, a 24,04 reais, em dia de queda dos preços do petróleo no exterior, com o Brent cedendo quase 1%.

- GOL PN recuou 5,19%, a 7,49 reais, e AZUL PN cedeu 3,52%, a 11,25 reais. A XP reiterou visão cautelosa para o setor, com recomendação 'neutra', citando que o setor enfrenta atividade econômica lenta, e que a Azul deve ter alavancagem ainda altos e queima de caixa em 2023.

- BR PROPERTIES ON avançou 1,81%, a 6,18 reais. A GP Investments comunicou no sábado acordo com a THB que inclui uma oferta pública de ações (OPA) para comprar 100% do capital da BR Properties ao preço de 1,60 real por papel.

(Por Paula Arend Laier; edição Aluísio Alves)